Páginas

sexta-feira, 11 de maio de 2007

"O Papa é pop"?

Já há alguns dias que ninguém fala em outra coisa!
A visita do Papa Bento XVI ao Brasil roubou a cena na TV, nos jornais e na internet...
Estive lendo pequenas notas, além das grandes manchetes, e mesmo estando um pouco alheio ao que tem acontecido no país, espantei-me ao ver milhares de pessoas fazendo vigília para vê-lo, além das que acompanharam seu trajeto e das criancinhas que corriam com as bandeiras do Brasil e de alguns países da América Latina.
Até um show com o Padre Marcelo Rossi foi organizado pra “distrair e alegrar” a multidão que aguardava, ansiosa, a oportunidade de ver de perto o “ilustre visitante”.
Será que só eu não gosto dele?
Será que só eu jogaria tomates, ovos de codorna e camisinhas abertas no “papamóvel”?
Onde já se viu fazer tanto escarcéu por alguém que, literalmente, não está nem aí para o Brasil? Vivemos no país de maior número de católicos do mundo, e só agora temos um santo reconhecido. Fazemos festa para ouvir as palavras de um homem que não sabe nem agradecer em português. Depositamos toda a nossa fé em alguém tão humano quanto qualquer um de nós.
Recebi, pelo celular, a notícia de que “O Papa tinha feito um discurso em português!”. Não sei quanto aos outros, mas a mim não orgulha nem um pouco. Representação fonética já deixou até de ser truque...
Valorizo e reconheço o importante papel da Fé na vida e na sociedade de qualquer nação. Num mundo desigual como o nosso, temos os que a usam para enriquecer, é claro. Mas temos, também, aqueles que só tem ela a quem recorrer nos momentos difíceis. Às mães e pais desempregados que não tem o que dar de comer aos filhos, aos doentes sem esperança de cura, aos subjugados, a esses sim eu reservo o direito da devoção desesperada, porque para eles, mais do que pra ninguém, o Papa pode sim simbolizar a presença de Deus na Terra. Mas sabemos bem que não é!
Estudei, desde cedo, no colégio, o pronome de tratamento adequado para me referir a ele, mas nunca aprendi. Nem pretendo.
Quando eu, ou qualquer um de nós, terei a oportunidade de dirigir a palavra a tão ilustre figura? Quando chegará às mãos dele uma carta escrita por mim? Nem Jesus foi tão inacessível. Ele sim pregava o perdão, a caridade e o amor ao próximo, tentando estar sempre PERTO DO PRÓXIMO.
Essa idealização do Papa já ficou cômica. Ele tornou-se tão ausente quanto a família real inglesa, ou as últimas tribos indígenas. E torna-se ainda mais inútil quando, no momento em que mais se luta pela igualdade e contra o preconceito, discrimina os religiosos homossexuais. Ou, sabendo que a AIDS mata milhões de pessoas por ano nos países subdesenvolvidos, condena o uso dos preservativos. O mundo evoluiu e as pessoas já estão se adaptando a isso... Menos ele! E a Igreja obsoleta que ele tenta representar.
Talvez o luxo e as jóias do Vaticano o impeçam de olhar pela janela e ver que a Idade Média acabou. Talvez alguém precise dizer a ele que as mulheres, não todas, já não dão tanta importância à virgindade antes do casamento, que os homossexuais já se aceitam e lutam por seus direitos, e que os casais, nem sempre tão “casados” assim, não fazem sexo apenas com fins reprodutivos.
Alguém precisa dizer a ele que tudo que pára no tempo fica pra trás.
Mas, quando, enfim, temos uma oportunidade pra isso, as pessoas idolatram um homem que, mal pisa no Brasil, e já diz em um discurso que “condena a vida baseada em prazeres”.
É o frio da Europa ou o celibato... só pode ser!
Perco, aos poucos, a fé também no país. Porque um povo que vê o próprio Presidente gastar milhões de reais com a estadia e as homenagens ao George W. Bush e, na seqüência, ao Papa Bento XVI, só pode ter perdido a capacidade de pensar.
Não bato palma para a tirania! Não acredito em nenhum poder que venha de cima pra baixo!

“Eu gosto é dos que têm fome
Dos que morrem de vontade
Dos que secam de desejo
Dos que ardem...”
[Adriana Calcanhotto]

Ainda bem que Hitler o Brasil não tem mais como trazer...




[me sentindo um protestante agora...]

Nenhum comentário:

Postar um comentário