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segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Gostar de Política

Então. Não consigo me decidir. Será que qualquer um que queira ser grande precisa ter uma “visão política”?
E quem não se encaixa nos frios modelos já impostos e consolidados?
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Não defendo a soberania de uma minoria elitizada sobre a maioria pobre e subjugada. A exclusão não resolve os problemas. E ninguém é capaz de representar pessoas que não conhece, e influir em vidas que mal viu pela tevê.
Entretanto, não consigo sensibilizar-me com os Sem-Terra, nem concordo com as “bolsas”. Tento ver além das fotografias e notícias tristes. Acredito na desigualdade, e bato em quem disser que ela não existe. Mas não vejo soluções inteligentes nas medidas até então tomadas.
Não acho que prisioneiros mereçam mais espaço nas cadeias (ora, é cadeia ou pousada?), nem que a violência é resultado, única e exclusivamente, da pobreza. O povo brasileiro, tão belo e “valoroso”, não é tão fácil de “administrar” quanto parece nos postais. Tem coisas ruins que parecem estar no nosso sangue. E contra isso não dá pra lutar.
Soa acomodado e pessimista, e não deixa de ser, mas é mais que isso. São dúvidas e certezas misturadas. E um pequeno impasse que já parece virar problema.
Ser “de centro”, para mim é o fim! E não ter opinião faz com que eu me sinta insignificante, ou pouco representativo dentro do todo a que chamamos “povo”. E se eu, de boa família, boa escola e considerável raciocínio, me perco nesses pensamentos, não fica tão difícil entender por que dizem que “brasileiro não sabe votar”...
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E aí? Eu encarno o discurso bonito impraticável ou o feio praticado?
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[Referência aos textos de Ruth de Aquino e Ana Lúcia Araújo, na revista Época, de 15 de Outubro de 2007 – pgs. 91 e 93]

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