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domingo, 21 de outubro de 2007

Li(ga)ções


Por duas vezes ele pegou o telefone nessa semana.
Num ímpeto de solidão, sem pensar, estava ele com o aparelho ao ouvido, sem nem mesmo pensar em “para quem ligar”... Estranho o que a solidão faz com as pessoas, não?
Na primeira, discou o primeiro número que lhe veio à cabeça: uma amiga. Inventou perguntas, tentou render o assunto, mas sentiu-se artificial, imbecil... como se espalhasse, com os pés, a grande merda em que havia se transformado sua rotina.
Na segunda, dois dias depois, nem quis tentar. “Guarda logo isso e aceita sua solidão. Ou liga pro SAMU, pros Bombeiros... mas pára de insistir ou inventar”.
Essa necessidade de apoio, esses impulsos... tudo o encaminha para o abismo. Para o nada. Para onde o chão termina e começa o vazio (que toma conta de todo o resto!).
Mas vai passar. Um dia, ele vai rir de tudo isso. Chora agora, vai. Chora, porque só a dor ensina! E você ainda tem muito o que aprender.

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