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terça-feira, 23 de outubro de 2007

Subversivo !


Cuidado! Não se aproxime.
Não sou boa companhia. Você, com certeza, é educado demais para fazer o que faço. Não se misture, não se queime. Não leve para a sua vida o mau exemplo da minha.
Sempre acreditei ser uma pessoa carismática. Não só pelas companhias, que sempre foram bastantes e da melhor qualidade, mas, principalmente, pelo “destaque” que obtive em todos os meios que freqüentei. Não pela simpatia, pois essa nunca foi o meu forte, mas pela educação e responsabilidade que tentei empregar em tudo que fiz. Mas o tiro saiu pela culatra. De carismático, tornei-me subversivo. Dizer a verdade não me faz “sincero”, mas “indelicado”. Qualquer palavra, por mais doce que seja, transforma-se em grosseria pelo simples contato com a minha boca. O que digo parece sempre incomodar mais.
Meu riso é irônico e agressivo; meu olhar, opressor. E, quando arrisco qualquer aproximação, é deboche. Ou armação. Não sei o que há de errado. Sei que é comigo, mas não identifico o problema. Sou mais acessível, carinhoso e tolerante, acredito. Mas a primeira impressão que têm de mim é sempre muito boa ou muito ruim. Nunca mais ou menos.
Esperam muito de mim. Minhas notas não combinam com reivindicações ou cobranças. Meu sorriso é doce demais para minhas palavras. Minha educação exige lealdade e submissão, nunca contrariedade. Nada em mim combina.
Desculpa, mundo! Eu não sou o “bonequinho” que as pessoas desenharam... e, às vezes, isso dói um pouco.
Na verdade, acredito que sou eu quem não conhece esse meu “outro lado”...
Todo e qualquer defeito comum a seres humanos da minha idade, em mim, parece mais acentuado. E quem se importa com a minha idade? Esquecem que, antes da “promessa”, “aposta”, ou o que quer que usem para justificar a idealização que tentam aderir à minha imagem, o Caio é um protótipo de adulto que não quer deixar de ser criança. Que tem sonhos e ideais imbecis, nos quais gosta de acreditar. Que sabe que só envelhece quem perde a capacidade de se indignar com as coisas. Que não abaixa a cabeça pros desejos dos outros, e arca com as pesadas conseqüências dessa “ousadia”.
Se acreditam nele, por que não o deixam ser como é? Por que impõem a ele esse formato medíocre de “gentinha” sem valor? A intenção pode ser boa, fazê-lo grande em tudo, mas quem o perguntou se é isso o que ele quer? Deixem-no ser ELE! Sem cobranças, sem expectativas, sem decepções. É difícil (con)viver com tanta “responsabilidade” depositada nas costas.
Tentem perceber que esse “crápula” não é mais nem menos que os outros, mas igual a todos eles. Não adianta comprar sapatos para um pé que ainda cresce, porque ele não vai estagnar por isso. Pode sentir dor, aperto, desconforto. Mas lágrimas não são barreiras para o crescimento.
Não vou mudar. Já o fiz algumas vezes e não deu certo. Por mais facetas que eu possa assumir, jamais agradarei a todos. E se alguém gosta mesmo de mim, como sei que gostam, não posso ser tão errado assim. Não quero e não posso desistir de mim!
Não quero ter que falar menos ou ouvir mais. Sei que é o melhor, mas não quero. Aprendi a aceitar os defeitos dos outros, por que não aceitam os meus? Porque eu tenho defeitos e é isso o que me faz humano, e não esse frágil projeto criado. Não espere muito de mim. Por favor! Prefiro te surpreender a decepcionar. E quero ter essa chance (ou correr esse risco).
Esse (ou “isso”) sou eu! E, desculpa, não venho com SAC não...
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"Se posso ser o que quiser, escolho ser EU! E você?"

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