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segunda-feira, 5 de novembro de 2007

De “nada”

Sempre admirei esses grandes colunistas de jornais e revistas, que conseguem, diária ou semanalmente, escrever grandes textos e, merecidamente, colecionar leitores assíduos e fãs incondicionais. É tão interessante imaginar como escrevem textos tão grandes e bem feitos com tanta freqüência, não? Atribuía isso sempre à observação: pessoas observadoras têm sempre algo novo a dizer. Mas, mesmo assim, tem dias em que a inspiração não se levanta da cama conosco. E eles? O que fazem em dias assim?
Uma vez, um professor disse, em sala, algo sobre isso. Não lembro o que falava, mas tocou nesse assunto. Dizia que grandes autores têm fórmulas prontas para agradar o público. Podem escrever sobre “nada”, mas o fazem de forma tal que qualquer um que lê tem a certeza de ter lido um clássico.
Ficou o desafio! Desde então, eu sonho, por todas as minhas horas vagas e vazios criativos, em escrever um texto sobre “nada”! Não para chamarem de “vazio” ou “pobre”, mas exatamente para ver se mantenho atentos os meus leitores por umas 20 ou 30 linhas, perdendo seus tempos lendo nada.
Pode parecer metalingüístico, intertextual... ou, pelo menos, inovador. Dá para atribuir até um quê de narcisismo a isso. Mas é bastante interessante! Comprova a sua habilidade com a escrita ou a fidelidade dos seus amigos. E, tanto um quanto outro, fariam muito bem ao meu miocárdio.
Minha trabalha melhor quando “em conflito”, mas não quero estar, para sempre, assim. Quando tudo se estabilizar, sobre o que eu vou escrever? Tornar-me-ei mero narrador de tudo o que viver, o que pode não ser tão interessante... E o vazio tomará logo conta de mim.
Por enquanto, ficam as experiências. É hora de tentar tudo o que quiser, e ver o que dá e o que não dá certo. Porque, na minha idade, quem acerta é “responsável”, e quem erra, “jovem”. E eu posso ser tudo isso.
No mais, o Word já contabilizou 26 linhas...
E então? Consegui?

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