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segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

"Metamorfose ambulante"


Chegou o Natal! Como o tempo passou rápido... ontem mesmo eu ainda tinha dezessete, e, hoje, parece que os dezenove já se aproximam.
É a efemeridade que se confirma dia após dia, ano após ano. E são essas datas comemorativas as melhores oportunidades para reflexões importantes acerca do nosso comportamento ao longo do ano. De verdade! Pense em você. Foi o “bom menino” de que gosta o Papai Noel?
Talvez esteja aí a razão da melancolia que envolve dias assim. Ficamos mais sensíveis a tudo, e qualquer palavrinha rende choros e discussões completamente desnecessárias em dias normais. É quando abrimos para ver que as feridas dóem mais mesmo. E percebo isso em todos. Tanto em mim quanto nos outros.
Revendo minha conduta, vejo que, mais uma vez, as coisas não saíram como esperado. Evoluí muito (Graças a Deus!) desde o último Natal! Estou longe do menino deprimido, inseguro e sem amigos do ano passado. Aprendi a tolerar, a dialogar, a aproveitar a vida... e me descobri apto, sim, para o convívio social. O medo que tinha das pessoas está quase completamente superado. Não sei se foi o amor-próprio que desenvolvi como defesa ou as pessoas maravilhosas que encontrei ao longo desse ano, mas, enfim, posso dizer que tenho um natal feliz. Amigos telefonando, mensagens, recados... É bom ver gente te desejando coisas boas, não?! Mas ainda vejo tanto a melhorar. Não que isso seja ruim – é absolutamente normal! Quando não tiver mais em que melhorar, não mais estarei vivo, suponho. O triste é perceber que ainda repito erros já tão debatidos. Que me preocupei muito com algumas coisas e negligenciei outras, que atrofiaram – ou precisarão de atenção especial no ano que vem!
Nessas horas, a gente quer mudar! Muda o cabelo, as roupas, as gírias. Até da minha mesma cara em todas as fotos eu estava cansado. Mas vem o mundo, implacável e impiedoso, e poda nossas tentativas, jogando nas nossas caras os grandes imbecis que nunca deixamos de ser. É esse molde imposto pelo convívio que me sufoca. Queria quebrar esse tabu, e não consegui. Afrouxei-o, é evidente! Mas ele se mantém. Intacto e intransponível.
Não sei se devo mudar esses padrões ou minha postura diante deles, mas algo precisa ser feito. Quantos outros natais eu passarei pensando sempre a mesma coisa? Quantas vezes eu tentarei alguma mudança, por mais simples, que preencha o vazio das minhas (infantis) inseguranças e a precisarei ver transformada em “piora” ou “besteira” diante do olhar impassível de um mundo imutável?
Ah! Talvez seja esse o problema: essa vontade de mudar que me acompanha sempre. Fruto de alguma inquietação do meu espírito ou de um desejo inconsciente de conhecer outras possibilidades. Ou um egoísmo exacerbado, capaz de impor a tudo o que mandam seus caprichos. Mas algo, no mínimo, estranho. Pelo menos aos olhos dos outros. A vida não é como uma sala, que se transforma por uma simples redistribuição dos móveis. Pena. Poderia ser. Mas não combina! Não comigo.
Estou condenado, eu sei, a viver em busca de mudanças!
A não ser que eu mude isso também...
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“E o ar que já lhe passou pelos pulmões
De tão velho, já quer ir descansar
Daqui pro futuro falta só um piscar
Que é pro tempo não mais nos enganar...”
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[Pato Fu]

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