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sábado, 15 de dezembro de 2007

Muro de Arrimo

Ele se tem sentido só. Não que seja novidade, mas a força que o momento exige tem acentuado esse vazio. Está cansado de parecer forte. Por que não pode sentar e chorar, como um ser humano normal? Sabe que não se pode abater agora e que, ao mesmo tempo, não consegue levar nada adiante nesse estado.
De que adiantam os sorrisos se sofre o coração? Nem neles tem podido acreditar! Sente-se sujo a cada dia que se encerra sem um desabafo, sem um bom conselho. É tão difícil se abrir, não é? Pesa-lhe ainda a obrigação (e alguém me explique de onde ele a tirou) de não se abalar, de se manter o porto seguro dos amigos... de provar aos que choram que é possível sorrir. Mas é?
Soma-se a isso um exagero comum à idade, e um acúmulo de tentativas fracassadas no passado de se alcançar o pretendido. E o resultado é uma vida-espera. Da esperança da chegada, ou da espera do fim. Nem a felicidade dos outros o tem feito conforto. Só comprovam o quão inatingível, para alguns, ela pode ser.
Não quer desistir. Não pode! Sabe que só precisa acreditar e se acalmar – mas nada disso tem sido possível. Fugir é fraqueza e aceitar é conformismo. O jeito é manter a farsa. Continuar a fingir que não liga, que não faz falta! Agir como se não esperasse, para ser surpreendido, num dia qualquer, pelo “inesperado”...
Quem sabe o coração acredita...

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