Páginas

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Crescer junto

Cada pessoa nasce com uma essência. A gente muda, cresce, evolui e até tenta se transformar, mas tem coisas que permanecem sempre inalteradas. Preste atenção nos que te cercam. Dividimos, inconscientemente, nossos amigos em categorias: temos os amigos “de sair”, os de “não perder contato”, os “confidentes”... e vai por aí. Muitas vezes, no entanto, confundimos essas pessoas e depositamos sobre alguém mais expectativas do que esse é capaz de suportar. É assim quando tratamos “colegas” como amigos e, depois, nos decepcionamos. Pessoas são imperfeitas, mas seus defeitos tornam-se menores à medida que cresce o nosso sentimento por elas. O problema é que eles não desaparecem. Pelo contrário, permanecem gritantes na maioria das vezes e a “cegueira do amor” é que nos impede de ver.
O carinho, muitas vezes, faz-nos cobrar dos amigos mais do que eles são capazes de oferecer. É como desabafar com aquele “ótimo companheiro de farra” e esperar ouvir dele as mesmas palavras de apoio do “amigo de infância que te viu crescer”. Ele não saberá dizer nem você não conseguirá compreender. E o resultado pode ser desastroso. Muitas amizades terminam por incidentes como esse. Relações de afeto são baseadas, principalmente, na admiração entre as pessoas. E, quando essa diminui ou sofre um desgaste, é inevitável se decepcionar.
É preciso saber explorar o que cada um tem de melhor. Sem confusões ou cobranças. Feliz o que se adapta facilmente às prerrogativas de cada ser humano. Até mesmo dos com quem se convive há muito tempo. O amadurecimento pode tornar as pessoas muito diferentes e dificultar a manutenção de relacionamentos muito antigos. Na verdade, a maioria das “amizades de infância” só existe por se fundar em uma base firme de boas lembranças e de gratidão. Como “viver pelo que já foi vivido”. O presente pode não ser tão bom, mas o passado compensa a preservação desses laços. Nem todo crescimento é positivo e a idade se manifesta de forma diferente em cada um – e é isso o que distancia.
Penso que para um “amor eterno”, então, é preciso um bom Presente. As simples lembranças do passado ou as expectativas de um futuro promissor não acalentam – pelo menos, não por muito tempo – o incansável coração humano. Se não fazemos do Hoje o saudoso Ontem do Amanhã, não o vale a pena viver.
Amigos próximos tornam-se distantes, mas ainda são amigos, e é isso o que importa. Se alguém não nos permite tanta intimidade quanto antes, não quer dizer que não nos queira por perto. Talvez só esteja atravessando esse tão temido período do crescimento. E só espera a compreensão, o apoio e a paciência desses que, geralmente, só sabem cobrar.
Pode ser pouco, pode ser difícil e pode até mesmo não ser o que esperamos, mas cada pessoa que atravessa a nossa vida empresta-nos algo com que tentamos crescer. Mantê-las próximas pode dar mais prazer do que trabalho, mas é sempre um exercício de evolução. Entenda que todos crescemos. Se seus amigos já não são como antes, talvez você também não seja...

Nenhum comentário:

Postar um comentário