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sábado, 19 de janeiro de 2008

Simpatia


Poucas coisas me incomodam tanto quanto gente simpática. Odeio simpatia! Na escola, sempre tive problemas com os famosos “vereadores”. Entre os jovens, é absolutamente natural (e até saudável) a formação de grupinhos – as “panelinhas” – e os conseqüentes desafetos oriundos dessas divisões. Mas sempre há aquele ou aquela que não se indispõe com ninguém. Os “vereadores” são sempre amigos de todos. Adoráveis e inquestionavelmente simpáticos, eles circulam entre todos os grupos sem se fixar a algum. É fato: quem tem muitos amigos acaba não tendo nenhum! Ninguém pode servir igualmente a mais de um senhor. Não exijo posturas agressivas desses jovens. Não acho legal colecionar “inimigos” desde cedo (como sempre fiz). Mas é uma falta de personalidade tremenda gostar de todo mundo, não? Quem consegue não se incomodar com nada? Que falta de emoção aceitar tudo de qualquer jeito...
Há ainda um outro “tipo” que não me agrada: os que vou chamar “receptivos”. Geralmente, são pessoas gordas (repito: geralmente), dotadas de largos sorrisos (nem sempre completos) e significativas potências vocais que fazem de qualquer ambiente um martírio. O último (esse, por coincidência, gordo) com que tive contato foi numa fila do banco ainda hoje. Funcionário da agência, abraçava tudo que se movia ao seu redor e gargalhava entre gritos e indagações. “Não deixa esse gordo chegar perto de mim, Tulio!” – dizia entre dentes ao meu irmão, que, constrangido com a “sutileza” do meu olhar de incômodo desprezo, tentava evitar que “a figura” percebesse a minha presença.
Os “pacíficos” também atacam a minha úlcera. Tenho personalidade forte e acho que tudo pode ser resolvido por meio do diálogo. Quando não, defendo gritos e calorosas discussões. Gosto disso. Brigas aumentam a intimidade entre as pessoas, principalmente os casais. E muita gente só consegue se libertar e dizer o que pensa ou sente sob essa tensão histérica. Mas, aí, entram os que não gostam de discutir – ou, pior, os que se dizem contra “barracos”! Engolir sapo é, muitas vezes, inevitável, mas fazer isso sorrindo em prol do “bem geral”, para mim, é inconcebível! E tem gente que, para o meu desespero, prefere assim. São os “pacíficos”, que não gostam de brigar. Não existe nada pior que discutir com alguém que não quer conflito! Os dois realmente precisam querer para que uma briga seja boa, e nada é mais frustrante que brigar sozinho. Você grita, esperneia, quebra copos e pratos... e o que recebe em troca? Olhares falsamente “compreensivos” e aquela vozinha sonsa te pedindo “calma” ou “vamos conversar?”! Não sei se isso é normal, mas prefiro um bom “sopapo-no-pé-da-orelha” a um “eu não quero brigar”!
Talvez por isso eu tenha sido, tantas vezes, acusado de “arrogante”, “convencido” ou coisas parecidas. Não gosto de gente simpática e não sei ser assim. Gosto mais da verdade e a sei fazer parecer pior ou melhor por um simples rearranjo gramatical.
Os simpáticos, na maioria das vezes – para não dizer “sempre” -, sentem-se superiores aos demais. Criam um mundo de sorrisos, “amigos” e popularidade e acreditam nele. São vítimas de suas próprias falsidades.
Prefiro ser mal visto, mal encarado, mal quisto... Defendo as relações sinceras. É muito melhor saber que alguém não gosta de mim a apenas suspeitar dessa realidade. Nada se firma sobre a desconfiança. Quanto maior um ser humano, mais se dividem as opiniões sobre ele. E, de “simpatia” – ou da falsidade que a acompanha -, eu já estou farto!

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