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sábado, 23 de fevereiro de 2008

Carência

Carência vem do latim carentia e é um substantivo feminino que quer dizer “falta, necessidade, privação”. Mas parece um pouco mais que essas palavras.
A carência é um vazio que se instala no peito e sufoca o coração. Como um balão que se enche (dia após dia) de ar, dentro de nós, e espreme os outros órgãos na direção das costelas. O que sentimos é algo estranho e difícil de explicar.
Alguns a descrevem como um “aperto no peito”, outros, como uma “vontade de superação”. Há, no entanto, um pouco de tudo na carência... e muito de dor, é claro!
É como querer muito algo – com todas as forças da alma – e se sentir incapaz de o obter. Como se apenas aquilo tivesse o poder de transformação a que visamos. E depositar, nisso, todas as esperanças. A ponto de dedicar uma vida a essa busca, e desperdiçar o presente em prol da construção do futuro que se deseja. Pessoas carentes têm sempre muito a dizer. São pedantes na maioria das vezes. Mas falar dos sentimentos, geralmente, é uma excelente forma de os compreender. As que se isolam buscam apenas em seus interiores as respostas que ninguém sabe onde estão – e podem estar em qualquer lugar. Como se optassem pelo caminho mais difícil para encontrar as chaves que abrem a cela que a vida se tornou.
É difícil, porém, livrar-se desse mal. Principalmente, sozinho. Não dá para esquecer essa necessidade. Quando muito, fingimos ignorar essa aflição e buscamos forças em outros pensamentos. Mas o vazio permanece. E vem à tona sempre que as coisas parecem tomar o rumo certo. É um fantasma que desperta sempre que a felicidade ameaça instalar-se.
Mas a vida é cheia de fases, e a carência não passa de um detalhe que acompanha algumas delas. E, como fase, tem começo e fim. O sofrimento que renasce volta, sempre, a adormecer. É cada vez maior, como tem que ser, mas nós também o somos. E a disputa, por isso, é sempre mais emocionante. As lágrimas encontram o apoio dos amigos e a tristeza não pode nunca ser maior que a esperança. Apelamos para a fé, para a resignação... mas precisamos confiar. Na vida, no destino e em nós. Sempre! Nada é páreo para um coração em paz. Nada!

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