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quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Do Quanto Eu Odeio As Manifestações Artísticas Dos Vizinhos

Há muito não passava tanto tempo em casa. Meus antigos colégios me prendiam até o início da tarde geralmente, e, quando muito cedo, estava em casa depois das catorze horas. No último ano, especialmente, não voltava antes das dezenove.
Acabei, naturalmente, perdendo o costume. Tudo parece estranho agora. Impressionante como as horas do dia arrastam-se e parecem intermináveis. A tevê repete a mesma programação da minha infância e ver meu pai almoçando ou conversar com a Marlene (a quem eu chamo “” por ser diminutivo de “Babá”) tornaram-se distrações quase emocionantes. Era tão fora da minha realidade dormir depois do almoço que me censuro só por pensar nisso. Parece que cheguei de uma grande viagem. E ainda me sinto turista na minha própria rotina.
Sempre acordei para ir para aula, e, agora, acordo e ainda tenho um dia inteiro pela frente antes do horário de sair – estudava de manhã e, de repente, estudo à noite! O estranho é que não consigo fazer nada. Não estudo, não leio, não resolvo todos os problemas que sobram para mim (porque sou o que fica em casa o dia inteiro)... Esse tempo, apesar de longo, não rende e não consigo “produzir”.
Tenho prestado atenção até nos barulhos dos ônibus do bairro e vinha me divertindo com essa “super nova vida” até a última segunda-feira. Poucas coisas na vida conseguem ser mais desagradáveis que vizinhos e barulho. Agora, barulho de vizinho é insuportável! Eu reclamava da minha mãe me ligar perto do meio-dia só para me acordar (sim! E não tenho a menor vergonha disso!) até o meu vizinho ganhar uma bateria. Isso! Ele ganhou uma BA-TE-RI-A! E, como coisa ruim só anda em grupo, ele (lógico!) não sabe tocar! – ia postar uma foto da minha cara nesses últimos dias, mas ninguém merece dividir, comigo, esse martírio.
Ele estuda de manhã (quando eu estou dormindo) e, eu mal acabo de acordar, já começa o “ensaio”. A vantagem é que tenho resgatado palavrões que eu já nem usava mais, fora os que invento a cada minuto. Fica pelo enriquecimento do vocabulário!
Mas minha vida acabou. Até em trabalhar, eu tenho pensado... O quarteirão está ficando pequeno demais para nós dois!

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