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quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Entre Autores e Diretores


Filmes sobre livros sempre me decepcionam. Não é que sejam ruins – às vezes são mesmo, mas nem sempre –, o problema é que nunca atendem as nossas expectativas. Lendo, cada um de nós cria o seu próprio filme. Imagina os traços das personagens, suas características, os cenários... e prioriza algumas cenas em detrimento de outras. Aí vem alguém e faz o mesmo, mas de verdade. Escolhe rostos, lugares e enredos que em nada se assemelham aos nossos. Cada um dá valor diferente a passagens e detalhes de obras literárias. E acontece, muitas vezes, de um filme não mostrar nada do que esperamos ver e se dedicar demais ao que não nos faz a menor diferença.
O mais comum, no entanto, é o tempo não permitir uma representação exata dos fatos narrados e a compreensão da história só se dar perfeitamente através da leitura da obra. Os filmes, geralmente, deixam lacunas. De best-sellers, então... presume-se que a platéia já saiba o que acontece, e não precise ver tintim por tintim cada “capítulo”. Comecei a perceber isso em Harry Potter, e a decepção foi tão grande que nunca quis ler O Senhor dos Anéis – para não precisar assistir também. Recentemente, o mesmo aconteceu com O Caçador de Pipas. Tanta coisa eu gostaria de ter visto... os rostos não só fugiam aos meus como às descrições do autor. O lábio leporino, ponto crucial da narrativa, nem sequer foi mencionado. Não gostei. Preferia ter ficado apenas com as palavras. Agora, associo a cada uma delas uma imagem que em nada me agrada. Assimilar por um único meio é sempre melhor. Quando só ouvimos, temos liberdade para criar a textura que nosso tato não pode perceber. É assim com tudo. Mas, se conhecemos algo com todos os nossos sentidos, nossa imaginação é imediatamente limitada ao que esses não oferecem – e, para mim, isso é muito pouco.
Assisti a filmes como O Diabo Veste Prada e O Código da Vinci cujos livors, agora, não quero ler. Queria, mas sei que se o fizer, criarei novas cenas, novos caminhos... e não serão mais sinceros. Já vi os corpos, já ouvi as vozes... o filme já foi assimilado e, logo, condiciona todo e qualquer pensamento que eu queira elaborar. Não tem graça.
De hoje em diante, preciso tomar uma postura. Leio ou vejo. Não dá para fazer os dois. Existe, ainda, uma terceira alternativa muito mais interessante: criar meus próprios filmes e livros, e saciar, de uma vez, os egoísmos da minha criatividade.
Mas, por enquanto, é cedo para pensar nisso. Por enquanto!

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