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quarta-feira, 19 de março de 2008

Sorria! Você está sendo filmado.

Engana-se quem vê a Sinceridade como qualidade! Há muito deixou de ser – se é que já foi um dia – algo positivo! Pessoas sinceras pagam um preço muito alto por serem “honestas consigo e com os outros”.
A sociedade guia-se por frias convenções e falsas relações que fazem qualquer princípio de verdade dito à queima-roupa doer mais que um tapa ou um pontapé. As pessoas, cada vez mais egoístas e inescrupulosas, prendem-se a sorrisos e gestos calculados e interesseiros. Temos medo de mostrar nossas verdadeiras faces. No fundo, sentimos vergonha do que somos e projetamos, ou acreditamos projetar, para os outros, uma imagem do que gostaríamos de ser.
Mantêm-se calados os que temem retaliações e aparentemente intactos os que, evidentemente, escondem arrependimentos e conflitos maiores. Quem se arrisca a dizer o que pensa o faz no anonimato! Ninguém quer dar a própria cara a tapa... Para que brigar ou se indignar quando é tão fácil sorrir?
Passam por cima de seus sentimentos, pensamentos e princípios na tentativa de manter o semblante cordial de quem está sempre de bem com a vida.
Claro! Eu sou gente fina e popular... não tenho personalidade, mas um tanto de amigos! O que mais eu posso querer?
Mas é inevitável que esses últimos utópicos incansáveis despontem cedo em grandes ou pequenos grupos. Haverá, sempre, um ou outro sonhador que se orgulhe em dizer a verdade e o faça até o fim. Desses que não temem as opiniões alheias e enfrentam as conseqüências de seus “crimes verbais”. Esses são logo excluídos e mal falados. Vistos como subversivos, encontrarão, em seus caminhos, uma infinidade de “cala-bocas”. E muitas vezes pensarão em desistir. O que não farão apenas por já conhecerem o gosto da verdade e o alívio da consciência limpa depois de um desabafo. Têm a liberdade como conforto e recompensa.
Uma pessoa sincera não chega a ser previsível, mas é muito menos perigosa. Ao dizer o que pensa, dá aos outros muito de si e, inevitavelmente, expõe qualidades e defeitos à opinião alheia. Já os que sorriem, escondem, por trás dos dentes, uma infinidade de idéias, opiniões e mágoas que fingem esquecer, mas não esquecem (nunca).
Quem teme uma boca cheia de palavras não sabe o que pode guardar um sorriso cheio de rancor...



“Abraços vazios, olhares de gelo
Tão descartáveis quanto cascas no chão
Flashes capturam a melhor fachada
Mas quem vê foto não vê coração
Não quero mais fantoches ao redor
Agindo sempre assim
Só quando for conveniente
Pra ganhar bônus e somar pontos
À sua carteirinha de hipócrita oficial...”

[Pitty]

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