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quinta-feira, 10 de abril de 2008

Indústria da Morte

A Imprensa adora tragédias. Principalmente com crianças. Basta uma criança desaparecer ou ser encontrada morta e familiares, amigos, professores, vizinhos, anestesistas do parto... todo mundo aparece para chorar e elogiar – frente às câmeras, é lógico! – as criancinhas em questão.
Desapareceu o Pedro Augusto e não se falava em outra coisa. Nesse caso, a publicidade ajudou muito. Nada pode ser pior para uma mãe que dormir sem saber o paradeiro de um filho. E ele foi procurado. Poucas vezes houve, pelo menos em Belo Horizonte, tamanha comoção popular e tão grande campanha de busca. Fotos dele andavam nos ônibus, nos postos de saúde, nos jornais, na internet... até o fogo baixar e as pessoas já o darem como morto. Eis que seus ossos foram encontrados e o povo já nem mais se lembrava. A busca que movimentou o estado terminou com breves notinhas nos jornais. Já não havia mais espaço na mídia para Pedro. O Brasil só queria saber do João Hélio...
E foi assim com todos: o bebê da Pampulha, a filha adotiva amarrada e espancada pela mãe e a empregada... até chegarmos à Isabella!
Esta, cuja morte é discutida até no Superpop – porque morte, principalmente de criança, faz sucesso no Brasil. É show e dos melhores, e não há quem não queira tirar algum proveito disso – figurará na mídia e comoverá o país ainda por alguns dias.Até alguma outra criança morrer de forma ainda mais interessante!

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