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quinta-feira, 10 de abril de 2008

Liberdade no Campus

Enquanto isso, na UFMG:
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Estudantes invadem a reitoria para protestar pelo fim do convênio PM-UFMG!
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À primeira vista, parece uma revolução estudantil dessas de que se podem orgulhar os envolvidos. Movidos, teoricamente, pela indignação provocada pela recente prisão de um colega no campus, eles buscam espaço na mídia e o apoio estudantil através de cartazes e convocatórias das mais diversas espalhadas pela Universidade.
Estranho, porque não eram eles os errados no começo da história? Se bem me lembro, eles desrespeitaram uma proibição e exibiram um filme tido como de “apologia às drogas”. E quem assistiu aos confrontos no Youtube viu claramente o momento em que o rapazinho, tomado pelo sentimento de liberdade que acomete a juventude – ou, dizem as más línguas, “curtindo o maior barato” –, respondeu grosseiramente algo ininteligível ao policial e foi preso por desacato. A partir disso, o vídeo fica ainda pior: uma mulher histérica passa a repetir incessantemente, e em alto e bom tom, a mesma frase – o que atormenta os espectadores – e, de onde menos se espera, surge um professor que se diz “responsável” por tudo aquilo. Claro! Porque ele deve ser responsável não só pela exibição do filme, como, também, pelas drogas que os policiais encontraram com o aluno detido (ou será que, disso, o professor não sabia?).
Aluno este que, dias depois, foi recebido com palmas na minha faculdade (e gritos de “Nosso herói”, que prefiro atribuir a deboche ou alienação). Não minhas, é claro! Porque, com a agilidade que me é característica em momentos como esse, dei logo um jeito de arrumar papéis e canetas para segurar e estampei um sorriso seco no rosto. Pra não poder aplaudir nem gritar!
Os alunos, atualmente instalados no prédio da Reitoria, no entanto, subverteram, num golpe de mágica, a situação. Tornaram-se as vítimas de uma Universidade repressora e de policiais autoritários. A princípio, é quase bonito vê-los pedindo a saída da Polícia do Campus. Para eles, uma vitória! Primeiro pela força que os estudantes demonstrariam com essa conquista; segundo, e ninguém me convence que menos importante, a liberdade para o consumo desenfreado de todo tipo de droga. Quem sabe, sem a Polícia por perto, não passam a vender maconha na cantina...
Espero nunca me arrepender disso, mas sou quase sempre a favor da Polícia. Liberdade, para mim, não é poder assistir a determinados filmes ou portar ervas ilícitas... é poder caminhar depois da aula, sem a menor preocupação, para o estacionamento. É ter certeza de que meu carro estará lá, da mesma forma como o deixei na chegada. É saber que as meninas podem ir embora sozinhas, porque não vai haver estupradores em cima das árvores ou seqüestradores atrás das pilastras. Liberdade, para mim, rima mais com segurança que com independência.

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