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quarta-feira, 11 de junho de 2008

Doce ilusão


A fechadura era velha, mas dela se orgulhou, por anos, a velha senhora. Não era como as “de agora” não! Era do tempo em que as coisas eram (bem) feitas para durarem. Dormia tranqüila. Dizia para quem quisesse ouvir que estava segura naquela casa. A fechadura, segundo ela, tinha uma vantagem: rodava duas vezes para fechar, mas três para abrir. O que sempre pareceu estranho a todos, mas nunca despertou o interesse de ninguém. Desconhecido era o motivo que a fazia pensar assim. As voltas para abrir e fechar uma fechadura são sempre as mesmas.
Viveu e morreu acreditando. A fechadura, ao contrário do que imaginava, era das mais comuns. E, de tão velha, já não segurava muita coisa. Também caindo de ferrugem estava o portão, e nem muito alto era o muro. Por sorte, nunca havia tido problemas com ladrões. Mas por pura sorte (e fé, que ela tinha), e não graças às tais voltinhas.
Preferiram que ela não soubesse. Qualquer mentira é válida se tranqüiliza o sono de alguém. E nada é mais doce que uma boa ilusão!

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