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quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Titia é o Caralho.02

Postura elegante, uma mão no quadril e a outra levemente posta sobre a coxa. Tom descontraído.
A primeira coisa que toda mulher...
Hesita, passa a mão pelos cabelos, tenta falar, mas não consegue. Diz em tom de lamento.
...“bem resolvida”...
Retoma o ar altivo.
...precisa saber é que homem é tudo igual, mas cada um é diferente.
Mexe a cabeça como a concordar.
Tá! Primeira não! Essa é a segunda, porque a primeira é que “bem resolvida” é o melhor eufemismo para “mal comida”. Porque “sozinha” passou, “solteira” não cola e “independente” soa quase sapatão. Nós somos mulheres bem resolvidas. Que não precisamos de homens, não nos deixamos levar pelo amor, não sofremos por cafajestes...
Pensa. Caminha a passos curtos. Recompõe a pose e protesta.
É! Forcei! Mas, gente, eu sou tudo o que quiser ser. E, quando eu não for, reforço a maquiagem e finjo que sou. Pronto!
Ajeita o cabelo, o decote. Sorri provocante. Pergunta a alguém da platéia.
Olha pra mim. Quem diz que eu não sou feliz?
Desperta do transe e adquire tom descontraído.
Voltando aos homens, meninas, todos eles querem a mesma coisa.
Sinaliza, movimentando repetidamente uma das mãos posta em forma de concha.
Mas é claro que eles não dizem isso, né?! Alguns até dizem, mas ainda não são maioria.
Olha para cima.
Amém!
Retoma.
O que acontece é que cada um tenta de uma forma. E nós, mulheres espertas, escoladas e...
Hesita.
... “bem resolvidas” que somos, precisamos nos adequar. Parece difícil, mas não é não. A prática ajuda, é claro.
O nosso comportamento com cada homem depende do quanto ele representa para nós. De quanto ele “vale”, mesmo, para ser mais clara. Porque tem homem que só quer sexo, e a gente percebe logo que não merece mais do que isso mesmo. Aí, sexo neles, uai! Não têm nada a acrescentar mesmo. Com esses, a gente pode ser fácil. Ele ganha o orgulho de “mais uma”, e a gente ativa a circulação de algumas partes do corpo. Sem precisar de pilates ou hidroginástica. Bom para os dois lados.
Senta-se.
Com outros, já precisamos fazer jogo duro. O típico “não fode, mas não sai de cima”, que a gente ensina para as crianças como “não faz cocô, mas não sai da moita”. A gente dá bola, para encher eles de esperança. Rende conversa, provoca, deixa eles louquinhos. Mas, na hora...
Cruza bruscamente as pernas.
A gente sai da reta.
Ri debochada.
Com esses, a gente não precisa ter pressa. Não são como os primeiros, que a gente diz “não”, eles agradecem a atenção e partem pra próxima. Podemos ser difíceis, porque sabemos que eles vão voltar a tentar. E é assim que é bom. Homem bom é homem insistente!
Porque, se ele insiste, é porque quer mesmo. E, quando consegue, faz valer o máximo possível.
São os homens para namorar. Ficamos, com eles, até acreditarmos estar amando e, aí, decidimos namorar. No começo, é tudo lindo. Muito sexo, muito amor, muito carinho.
Entristece.
Mas esfria. Tudo nessa vida esfria, minha gente.
E a gente acaba percebendo que, a longo prazo, a situação se tornaria insustentável.
Aí, a gente termina, chora, sofre, quer morrer...
Sorri.
E emagrece! Porque tudo tem um lado bom.
Levanta-se e retoma o tom descontraído.
O que procuramos, mesmo, é um homem com quem passar o resto da vida. Porque é isso o que queremos. Toda mulher quer casar. Só que só as que não se casam é que continuam a falar sobre isso.
E, desses homens com quem as mulheres se casam, eu não conheci muitos exemplares não. Mas sei como funcionam.
Cochicha.
Geralmente, quem não pratica muito se apega à teoria. E dá show!
Retoma o tom. Anda pelo palco.
Esses, na maioria das vezes, aparecem sem grande estrondo.
Cochicha mais uma vez.
Aqueles com quem mais queremos ficar são os com quem menos tempo permanecemos.
Retoma.
Chegam devagarzinho, e conseguem manter um relacionamento longo sem cair na mesmice, na rotina. Por mais que você o conheça bem, há sempre surpresas, novidades.
E é isso que mantém e renova, sempre, o amor.
O segredo, nesses casos, é ser bem difícil no começo e, de repente, ficar fácil. Assim, ele jura que conquistou. E a gente volta a ficar difícil. Pra ele lembrar que pode perder.
O ciclo é sempre esse.
Senta-se. Abre as pernas e escora as mãos nos joelhos. Lamenta.
Mas homem dá muito trabalho, gente. E nem adianta achar que é só saber lidar com eles, porque eu sei. Tenho um “ípsilon” latente que me faz pensar quase como um deles.
Deve ser por isso que eles correm de mim... meu “ípsilon” deve produzir feromônio!

Continua...

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