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domingo, 14 de setembro de 2008

Mais estático que o referencial


Eu tive um ataque de futilidade depressiva ontem. Apesar de ter, sim, um outro motivo para “alterar o meu emocional”, o que me fez sofrer mesmo foi o casamento da Sandy. Não pelo fato de eu não ter ficado sabendo, porque eu já me aceitei como alienado; nem pela decepção do vestido dela, porque eu sempre imaginei ela entrando na igreja toda vestida de ouro! Foi porque ela casou mesmo. Ca-sou!

Eu tenho problemas com a passagem do tempo. Perdi o controle acho que aos doze anos, porque, desde então, me sinto sempre igual. Não acho que cresci, nem que engordei, não vejo a menor diferença. Só fui passando de ano na escola, mas continuo o mesmo menino bobão da sexta série. Nem envelhecimento eu percebo – e as fotos não me deixariam mentir se eu realmente quisesse!

Ao completar meus dezoito anos, eu previ uma série de mudanças para a minha vida. Cresceria, trocaria as bermudas por calças compridas, os chinelos por tênis e sapatos, mudaria os sorrisos nas fotos. Estava determinado a brincar de homenzinho, mas o vestibular serviu de álibi para eu adiar tantas transformações. Emagreci, deixei o cabelo crescer, tentei até cultivar umas costeletas... abandonei, mesmo, toda e qualquer preocupação. Mas entrei pra Faculdade e não retomei o objetivo inicial. Eu já dirijo, trabalho, pago contas, saio e volto quando quero... mas não me sinto grande. Pode ser uma simples dificuldade de aceitar, mas não entendo. E isso me tira – um pouco – o sono!

Enfim, já tenho dezenove, e nada mudou! Choro em final de filme romântico, sonho com contos de fadas, tenho medos bobos, não sei me vestir, odeio calças compridas e não tenho – nenhum – sapato. Não sei comprar nada sozinho, preciso de ajuda para escolher qualquer coisa...
Estou fingindo, inconscientemente, que o tempo não passou. Mas passou! E quando é que eu vou perceber? E o que vou fazer então? Ou eu vou ser um desses velhos de all star e rabo de cavalo? Dezenove são quase vinte. E vinte já são muitos anos! Não dá pra negar.

É! Tudo isso por causa da Sandy. Já foi difícil aceitar a separação dela e do Junior. Eu cresci ouvindo os dois. Sei cantar todas as músicas e dançar umas duas ou três (ou quatro, ou cinco...). E, de repente, foi como se uma parte da minha infância tivesse se quebrado. Exatamente a parte que ainda se ligava a mim. Afinal, eles “nunca se separariam” e passou tanto tempo que se separaram. Mas esse tempo passou mesmo? Onde eu estava? O que eu fiz? Como não reparei?
Agora, cada um seguiu o seu rumo e ela se casou. Eu concordo que ela casou cedo, mas casou! Não que isso mude a minha vida, é claro! Mas acho que serve como marco temporal.
Eu era criança, eles também eram. Eu virei adolescente, eles também. Eu tive espinhas, eles juram que não, mas não me enganam. Eles cresceram, se separaram e ela já até se casou. Só eu parei nas espinhas! E parei mesmo! Estagnei. E me sinto sem referencial agora...

Precisei refazer a carteirinha do meu plano de saúde, troquei de dentista (e abandonei a que me viu crescer), não posso mais correr para qualquer hospital caso precise, tudo porque atingi uma certa idade que me transforma em outro tipo de gente. Mas será que eu sou mesmo um adulto? Será, realmente, o fim da primeira fase da vida?

Não vou casar por enquanto. Mas preciso crescer o mais rápido possível então. Daqui a pouco, é a Sasha e eu vou querer morrer.
Ou vou deixar passar mais umas décadas como se fossem dias... Para ter do que me queixar depois!

2 comentários:

  1. Porra brother, me identifico muito com seus textos, vc escreve sobre eu e meus conflitos melhor do que eu escreveria... foda!

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  2. A VIDA É UM SOPRO, E PASSAMOS 1 TERÇO DELA DORMINDO.

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