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quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Pratique o Desapego!

Eu já acreditei em muita coisa nessa curta vida. Em Deus, no amor, no futuro...
Em tudo o que fizesse adiar as coisas, que me desse forças para continuar à espera. Agora, eu resolvi fazer diferente. Encontrei algo inusitado a que me dedicar. Vou cultuar o desapego!
Parece estranho, assim, à primeira vista, e é mesmo. Mas é fácil de explicar. Não estou defendendo o amor livre, nem os relacionamentos abertos ou a falta de cuidado entre os amantes. Eu apenas descobri, no desapego, a maneira mais egoísta de ser feliz – mesmo que a curto prazo!
Aquele amor idealizado deve existir, eu acredito, mas é bem mais difícil de acontecer do que parece. Alguém já se perguntou, entretanto, para que amamos?. Não! O amor tornou-se uma necessidade vital, mas ninguém explicou o porquê. E é tão simples. Amamos porque somos egoístas. Somos inseguros, incompletos e egoístas. Partilhamos a crença na diferença que faz ter alguém com quem viver, mas o que queremos, na verdade, é alguém para nós. E fazemos felizes essas pessoas, desde que elas também nos façam. O amor não combina com altruísmos. Se eu me sinto infeliz, deposito toda esperança em uma pessoa e me torno dependente dela. Porém, se por algum motivo, ela foge do que prevê o roteiro do meu sonho, eu sofro. E o amor justifica todo e qualquer martírio.
Tudo para ter por que sorrir, por quem sofrer, com quem caminhar. Só que isso não é tão difícil. Encontrar a personificação de tudo isso, sim, parece, muitas vezes, impossível mesmo. Mas viver essas pequenas coisas não. O desapego é isso. Esquecer esse pequeno detalhe que condiciona a - prometida - felicidade, e a viver.
Sabe aquilo tudo que você planejou fazer com o “seu amor”? Tudo mesmo! Dos jantares à luz de velas às viagens internacionais... está na hora de pôr em prática! Se nascemos sozinhos, é para, assim, nos virarmos. Claro que seres humanos não são ilhas, e ninguém é capaz de viver isolado, mas somos todos capazes de viver. E é só isso o que importa. Sozinhos, com alguém especial ou em grandes turmas de amigos. O problema é que, muito mais importante que encontrar alguém, é estar pronto para isso. Quando estamos, todas as pessoas parecem interessantes, tornam-se grandes paixões em potencial. Mas, quando não, qualquer um é suspeito. Não podemos confiar em ninguém e, assim, não nos conseguimos entregar por completo, perdendo grandes companhias e excelentes experiências, ainda que pouco duradouras.
E, de um tempo pra cá, eu me descobri preparado. Começo a pensar que não são as pessoas que me fazem bem, mas a simples existência delas. Acredito no amor unilateral, e sei que ter alguém já é muito, independente de quem seja. O que me faz feliz é planejar, é telefonar, é dar carinho e receber. Acho que gosto de relacionamentos, não de pessoas. E – é terrível analisar por esse lado – apenas faço uso delas para figuração nos meus desejos. Por essa sensação, por essa melhora na auto-estima e pela facilidade que adquire o meu humor, vale, sim, a pena me envolver o máximo possível de vezes. Preciso me abrir para isso. Baixar a guarda e deixar que as pessoas se aproximem. Não posso negar que preciso delas para ser feliz. E, ainda que eu me arrependa demais, estou pronto também para sofrer. Tudo tem sido muito fácil, e eu preciso chorar e querer-morrer ainda muitas vezes para crescer de verdade. Isso faz parte. Quero ser feliz, mas quero ser triste também. Nem que seja para provar ao mundo que sou menos egoísta do que pareço.
Posso estar enganado e descobrir, no futuro, que tudo o que eu vivi não foi nada. Mas, nesse caso, ainda terei boas lembranças com que me distrair. Ou não! Mesmo que eu ame muita gente, e sofra por todas elas, se eu dormir e acordar sorrindo, já terá valido a pena.

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