Páginas

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Clichês

É claro que o amor pode acontecer de diferentes formas. E nem tudo o que acontece é amor, sabemos. Mas existem algumas características, quase que alguns “princípios”, que não mudam nunca.
Toda e qualquer história romântica precisa, primeiro, de um casal apaixonado. Melhor ainda se forem duas pessoas extremamente diferentes, uma coisa meio
Yin-Yang, contrariando toda a lógica e tudo o que é aceitável e compreensível para a sociedade ao decidirem ficar juntas. Só com isso, já se garante os primeiros problemas. Essas diferenças rendem, logo, uma convivência extremamente difícil, e inúmeros comentários, por parte dos “amigos”, do tipo “vocês não vão conseguir ficar juntos”, “vocês não combinam”, “isso nunca vai dar certo”.
Além dos amigos “encorajando”, os fantasmas do passado são figuras indispensáveis, para assombrar e rechear de ciúmes, brigas e comédia o relacionamento dos protagonistas. São necessários, ainda, alguns invejosos, e, claro, os cúmplices, aqueles amigos – realmente amigos – que acobertam as histórias, consolam nos momentos de crise, sabem ouvir, dão conselhos e, como todo bom amigo, enchem de alegria a vida do casal.
Agora, poucos personagens são tão importantes quanto os vilões. No meu tempo de teatro, nunca me esforcei para ser o mocinho. São os vilões que proporcionam a emoção das histórias, sejam elas de amor ou de ódio. Um bom vilão dita o ritmo dos acontecimentos, faz intrigas, provoca brigas e é capaz de dificultar tanto as coisas a ponto de adiar – sempre e cada vez mais – o “felizes para sempre”. Mas eles precisa ser bons! O que, (in)felizmente, pode acontecer é o vilão não ser tão bom assim. Nesses casos, ele até começa bem, incomoda, investiga, persegue... mas, de repente, torna-se vítima da sua própria obsessão. É como dormir odiando e acordar envolvido. Com sorte (dele), o enredo pode desembocar num triângulo, mas, geralmente, isso não dura muito tempo. Vilões assim apaixonam-se pelos mocinhos, mas não são convidados para o final feliz.
Esse desfecho, por sua vez, também é repleto de clichês. Os fantasmas encontram outras almas penadas e vão assombrar outros terreiros; os “amigos” palpiteiros pagam língua, e, geralmente, sempre mudam seus discursos... ninguém gosta de sair perdendo (nem mesmo em previsões); os amigos de verdade festejam e fazem parte da felicidade que se consolida; os mocinhos, é claro, depois de protagonizarem as brigas, os problemas e todo o drama da novela, protagonizam, também, o final feliz. Com casamentos, filhos, e viagens... ou com duas taças de qualquer coisa alcoólica, uma cama e um interruptor. O “feliz” depende apenas de eles estarem juntos.
Só o final dos vilões pode ser surpreendente. Porque, com toda a tecnologia e o avanço cientifico da nossa geração, loucura e morte tornaram-se, praticamente, finais felizes. Dá pra sofrer mais do que isso, não? Só depende da criatividade dos mocinhos...

Um comentário:

  1. adorei.... ainda bem q na nossa historia nao tem viloes! hahahahhahaahha!"o enredo pode desembocar num triângulo, mas, geralmente, isso não dura muito tempo" ainda bem q isso nao eh verdade no nosso caso, neh? nao existe triangulo!

    ResponderExcluir