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segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Penso, logo desisto

Eu penso demais e isso é ruim. Tenho uma mania terrível de interpretar e reinterpretar várias vezes tudo o que vejo, ouço e vivo. E, a cada reflexão, sou completamente tomado pelos mais diversos sentimentos, sejam eles felizes ou não. Só que, geralmente, eu penso sempre o pior. Os planos que a minha mente doentia faz dão sempre errado, e minhas histórias nunca terminam como planejado. Eu tenho medo!
A cada importante decisão que preciso tomar, são dias de incertezas, quilos de chocolate, um corte novo no cabelo, todas as unhas das mãos e uma angústia que parece querer me matar. Queria saber fazer as coisas de outro modo, dar, a elas, o meu jeito, a minha cara. Na verdade, já me contentaria em conseguir fazer as coisas, porque não consigo. Tenho tanto medo de me posicionar, de escolher, que deixo a vida seguir seu rumo natural sem interferir. Quem pensa duas vezes raramente faz o que deseja. E eu só consigo viver, mesmo, aquilo que os outros pensam para mim.
A importância disso? Outra coisa em que preciso pensar. É sempre difícil explicar às pessoas que tudo o que eu faço e, também e principalmente, o que eu não faço é por medo de fazer. E é mesmo. É sempre o medo que justifica as minhas atitudes – quando eu tenho a decência de tomar alguma! E é terrível prever esses momentos difíceis quando eles começam a se aproximar. Saber que vou sofrer e saber que sei o porquê me desespera – e não me deixa pensar em mais nada.
Não sei lidar com isso e penso que jamais saberei. É como se eu fosse um carro sem freio que não se quer chocar contra um muro e, por isso, segue sem rumo, desviando de tudo e de todos, com medo de se machucar.

Não me permito acreditar nas pessoas, não consigo confiar em (quase) ninguém. E vivo, sempre, à espera do momento em que vou me decepcionar com elas. Porque, claro!, sei que vou me decepcionar cedo ou tarde, e morro de medo por isso. A minha carência não é nada mais que essa (desesperada) vontade de acreditar no afeto alheio. O tamanho da minha insegurança exige proporcionais manifestações diárias de carinho, em quantidade ou qualidade.
Eu sofro – muito – por coisas – muito – pequenas. Mas tenho sorte! No fim, há sempre alguém para me provar que, na verdade (e eu sei bem disso!), por mais que eu pense, eu nunca acerto!

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