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sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Quinta-feira 16.

Caio está distraído no 12º andar do prédio em que estuda. Precisa ir ao 14º e já se encaminha para as escadas. Subir dois andares não mata ninguém, e os elevadores do prédio são conhecidos por quase nunca funcionarem. No caminho, entretanto, como que por um milagre, um elevador se abre vazio. Alguma coisa combina mais com um preguiçoso querendo subir que um elevador aberto e vazio?
Caio entra no elevador e aperta o 14. O elevador começa a descer. Até aí, tudo “normal”! Os elevadores do prédio têm, mesmo, vontade própria e só sobem ou descem quando querem. Caio, então, calmamente, e já se punindo por sua preguiça, aperta o 11. Subir mais um andar de escada seria apenas um castigo por sua folga. Escada emagrece!
As luzes do elevador começam a piscar. Caio aperta o 10, o 9, o 8, o 7... A caixa começa, então a balançar. Tudo tremendo, paredes se movendo e as luzes piscando. O elevador começa a cair. C-A-I-R-! Mesmo com TODOS os botões pressionados, o elevador não pára em nenhum andar. E, quanto mais velocidade adquire, menor fica o Caio encolhido contra uma das paredes. Eu preciso contar que a minha vida passou TODA na frente dos meus olhos?
Na altura do 3º, só porque Deus existe, é brasileiro e estudou no mesmo prédio que eu, o elevador tenta desacelerar e “bate” no 1º com menos violência do que Caio imaginava. Afunda um pouco no chão apenas. Caio pula o degrau que se formou entre a porta do elevador e o piso do andar correndo e abraça o primeiro ser vivo que cruza o seu caminho.
Não morreu, ufa! Bem não está, né?! Mas está vivo. Só continua precisando ir ao 14º andar, e, agora, está no 1º!
*
Ainda sob efeito do choque, ele procura apoio nos braços de quem mais o deveria apoiar.
- Amor, não fica me apertando não, porque eu tô gordo.
- Tá mesmo, amor.
- Como assim tô mesmo?
- Uai, amor. Você tá ficando até atrofiado, né?!
*
Preocupado, Caio procura uma opinião mais garantida. Mães costumam dizer a verdade, mas sempre com palavras que, pelo menos, não nos façam chorar muito.
- Mãe, tô engordando tanto...
- Tá!
- “Tá”?
- Tá, meu filho. Eu tava doida pra te dizer isso, mas não encontrava oportunidade. Aproveita que você percebeu, faz uma dieta, pára de comer e faz um exercício físico, porque “gordo” você não tá, mas tá muito perto de ficar.
*
Caio quase morreu e é gordo, mas tem um compromisso com uma prima, marcado já há uns dois dias e – oh, meu Deus! como ele é forte! – precisa esquecer TUDO isso e fazer cara de quem não vê a hora de chegar ao Forró!
- Seu nome?
- Caio.
KAI...
- Não, moço! Com C.
CAIRO
- Não, moço! Sem R.
CAIRO
- Moço?
- Oi!
- Ah! Esquece! Me dá isso aqui...

Um comentário:

  1. Li o texto imaginando a sua cara em cada instante dessa história.
    Eu sei q ela nd tem d engraçado, mas as cenas imaginadas por mim, me fizeram rir - e mto! hahaha
    agora q eu sei q eh verdade, to ateh com dó! hahaha
    te amooo!
    q bom q vc ta vivo!
    n vivo sem vc nao! saudade!
    =)

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