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sábado, 25 de outubro de 2008

Ter você


Eu sempre fui um bom solteiro. Confesso a minha carência, a tendência depressiva e a dependência que desenvolvi da companhia dos amigos. Há coisas que não sei fazer sozinho, como compras. Ou levo alguém a tiracolo, ou não preciso nem tentar, não dá! Mas tentei, durante toda a minha – longa – vida de solteiro, ser o menos ranzinza possível. Tinha meus problemas, minhas tristezas e tudo o mais que caracterizasse as pessoas instáveis, mas isso não se justificava pela ausência de afeto. Eram apenas dilemas comuns às pessoas carentes. E “ter alguém” nunca foi mais que uma esperança. Antes de ser o “motivo” de todo e qualquer baixo-astral, era aquilo em que depositei, tantas vezes, todas as expectativas de um futuro melhor.
Hoje, percebo que “ter alguém” não resolve quase nada. A minha instabilidade permanece, os problemas, as tristezas (embora, agora, por outros e – sempre – novos motivos) e a dependência afetiva (quase infantil) apenas mudou de foco. Continuo dependente dos amigos, mas em “segundo lugar”. Há alguém “a frente” deles agora. Descobri que namorar não resolve a minha vida, não mesmo! Traz, pelo contrário, novos problemas que eu jamais imaginei existirem. É como se o meu “eu” se houvesse ampliado. Poucos dos meus “conflitos” desapareceram, mas muitos outros vieram. A minha “independência” de antes acabou, não posso mais me trancar num quarto por uma semana e sair, depois, de alma lavada achando que já chorei o suficiente por algo. Perdi a autonomia sobre mim. Minhas vontades e, principalmente, minha responsabilidade passam por outro corpo além do meu. Assim como o resultado de minhas atitudes. Não sou o mesmo avulso de sempre, sou maior. Ocupo dois corpos, duas mentes, dois corações, e dou forma a sentimentos, idéias e esperanças que sequer conhecia, e que vieram de outra pessoa. Sinto-me responsável por muito mais que a minha vidinha comum. Metade de mim foi substituída por metade de você! E isso, embora estranho no início, é uma experiência única.
O aprendizado tem sido incomparável. Estou desenvolvendo a tolerância, a confiança e, lentamente, combatendo a terrível insegurança que me assola. O fato de eu me ter resignado, impede que eu me entregue, de corpo e alma, com tanta facilidade. Tenho uma resistência natural, um ceticismo que ainda é uma grande barreira. Acostumei a ser sozinho, e foi um choque encontrar, de repente, alguém que ocupasse (tanto) o vazio que eu sempre vi como insuperável. E estou aprendendo, pouco a pouco, com muitos erros e especiais auxílios, a “ter alguém” com quem sonhar e, mais do que nunca, alguém com quem dividir os sonhos. Encontrei o meu “alguém sem o qual eu passe mal”, e preciso viver intensamente essa nova (e linda) condição. Não é fácil nem difícil, é diferente.
Minha “nova vida” faz, hoje, seu primeiro aniversário, e é preciso comemorar essa vitória. Criativo como pode ser o destino, é, no mínimo, muita sorte minha o que ele me reservou.
Parabéns pra nós, coração!

6 comentários:

  1. Seu texto me fez até ficar com saudade da minha 'época de namoro'.
    E acho que quando se fica muito 'sozinho' todos os problemas e obstáculos [que não são poucos] quando se está com alguém, acabando sendo pequenos...

    ia falar uma coisa super anti-romance agora deixa pra lá
    hahahaha
    Felicidades Caio!

    :*

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  2. "...alguém que ocupasse (tanto) o vazio que eu sempre vi como insuperável. E estou aprendendo, pouco a pouco,..."

    você realmente tem Sorte! e muito o que comemorar...

    Felicidades!

    muito lindo seu texto..

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  3. Vc merece cada segundo de felicidade, amor! ♥
    saudade demaissss de vc! - sempre! =/
    amo mtooo!
    ;*

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  4. Que lindo o texto. Sinto-me até esperançoso a minha constante condição de solteiro. Sorte para vocês. ^^

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  5. depois de um tempo a gente sempre descobre que o fim que procuramos está em nós mesmos

    parabéns e sorte pra você(s)

    ^^

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