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terça-feira, 11 de novembro de 2008

Jana Ina - ela adora nomes compostos.


Muita gente já tentou explicar o amor, mas a teoria de que mais gosto, dentre as tantas que já ouvi, diz que gostamos das pessoas quando estabelecemos, com elas, laços semelhantes aos que temos com as nossas mães. A princípio, é um pouco difícil de entender, mas é como se gostássemos mais e mais de alguém na medida em que reconhecemos, nele, o carinho ou o cuidado materno. Entendo quem não é de acreditar muito nessas definições, mas confesso que, dessa, não consigo fugir porque dá certo comigo. Não sei se é a minha carência, mas não resisto a mimos e um pouquinho mais de atenção. Algumas pessoas têm mesmo esse dom. Não apenas amantes, mas, também e principalmente, os amigos, dos mais especiais.
Eu tenho uma amiga assim. Na verdade, mais de uma, mas uma em especial que faz aniversário hoje. Está sempre preocupada comigo, é minha melhor companheira.
- Oi, Janaína!
- Oi, você tá com fome?
- Não. Como é que você tá?
- Eu tô ótima, mas você tem certeza de que não quer comer alguma coisa?
- Tenho. E como é que tá o trabalho?
- Tá ótimo, depois eu te conto. Você almoçou? Vamos comer alguma coisa? Você tá com cara de quem quer comer, tô preocupada!
E não adianta insistir, é claro. Boa parte do meu bacon é culpa dela. Nesses nossos dez meses de amizade, reaprendi a comer McLanche Feliz e chupar "bala da infância", conheci todas as boas promoções de pizzas dos shoppings, comi chocolate de gente doente, descobri o que é Toblerone ("oi? como eu vivi tanto tempo sem isso?") e, claro, que tudo o que não é saudável só é bom aos montes e não estraga na mochila. A nossa diversão juntos, desconsiderando as nossas maldades inatas, é comer, e fazemos isso muito bem. Não sem que eu me suje inteiro e ela limpe a minha cara com um guardanapo e cara de reprovação. Gostamos também de barracos. Brigas e discussões nos divertem. E, na ausência de um bom arranca-rabo, a gente briga e fica uns dias sem se falar. Ela diz que até chora, eu é que nunca sei se acredito. Mas é só a gente se reencontrar e tudo volta a ser como antes.
Foi assim quando nos conhecemos, no primeiro dia três desse ano. Eu a vi na rua conversando com um amigo e não gostei dos dois. Falavam alto e sobre coisas pouco interessantes. Apertei o passo - tinha um compromisso - para me afastar, mas ela me seguiu. Também tinha um compromisso e, por coincidência, o mesmo que eu. Era o destino irônico pondo a escandalosa na cadeira ao lado da minha. A gente se apaixonou de imediato (não foi?). Rapidinho o evento perdeu a importância. Éramos amigos de infância instantâneos. Tínhamos tanto em comum, a começar pelos blogs. Pensei mesmo em fazer um post intertextual e linkar quase todas as palavras, porque quase tudo aqui está também por
, mas ela sabe que morro(emos) de preguiça.
Eu nunca vou saber explicar a simpatia imediata que nos une - principalmente porque simpatia é tudo o que a gente não tem! -, mas vou ser, sempre, muito grato por ter você comigo. Limpando meu rosto, me dando comida e bala de goma, ouvindo minhas reclamações, entendendo minhas piadas e ironias (aquelas de altíssimo nível que ninguém mais entende) e cuidando tão bem de mim. Sei que a última comparação que você gostaria de ouvir nesse momento tenso da melhor idade era a da maternidade, mas é a melhor forma que encontrei de falar sobre isso. Você parece a minha mãe não por eu ter espinhas e ser mais novo, mas exatamente por não ligar para essa diferença de idade e fazer eu me sentir o mais inteligente dos homens. Por limpar a minha boca, me encher de guloseimas, ouvir todas as minhas lamúrias (e isso não é fácil) e ter sempre um bom conselho. Por passar horas no telefone comigo, me ajudar nos trabalhos da Faculdade e querer bater em todo mundo que me faz raiva. Por gostar de mim, torcer por mim e me fazer tão feliz.
Queria reproduzir mais dos nossos diálogos, contar mais dos nossos casos, explicar o gene drag queen que temos em comum e enumerar mais qualidades suas, mas não quero que você fique metida e não posso passar da meia-noite. Você jamais me perdoaria!
Adoro você, sua chata!

3 comentários:

  1. Nuh!
    (nuh
    Interjeição
    1. Estou sem palavras;
    2. Que lindo isso;
    3.Adorei a surpresa;
    4.Também te amo.)

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  2. *__*
    Depois disso, nada a declarar.

    P.s.: Parabéns pela eleição! E que bom que você está de volta, afinal, o dia 7 já se foi e nem tive tempo pra vir cumprimentá-lo.
    ; )
    P.s.2: Aparece no msn ^^

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  3. a mais pura traduçao de amizade...

    Parabens!

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