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domingo, 16 de novembro de 2008

Mundo Real

Existem dois tipos de pessoas no mundo: as teóricas e as práticas. Das primeiras, não sei muita coisa e espero ter, ainda, a oportunidade de descobrir. Talvez, em outra encarnação. Mas das segundas...
Sou a representação perfeita desse grupo de seres humanos que preferem coisas a idéias. Platão chamaria de mundo sensível, eu chamo de mundo real. Eles, geralmente, são grandes líderes e nomes de confiança de chefes e patrões. Nem sempre são grandes idealizadores ou mentes muito inventivas, mas imbativeis na prática. É gente que não consegue namorar pela internet, nem a distância. Gente que não sabe esperar, que não tem paciência para ouvir longos discursos e que sabe que idéias em papéis têm o mesmo valor de idéias em cabeças ou embaixo de vasos de plantas! Gente que gosta de ver as coisas acontecerem.
A essa peculiaridade, eu atribuo muitas das minhas características, como, por exemplo, a impaciência (que alguns chamam carinhosamente de grosseria!). Outra coisa interessante é o fato de eu não saber fazer poesia. Não sei! Inúmeras vezes, eu me sentei em frente a uma folha de caderno ou um computador, mas não adianta. Meu vocabulário desaparece de imediato e, antes mesmo de rimar coração com avião, eu já começo a elaborar frases inteiras. Boa parte dos meus melhores textos deveriam ter sido poesias, mas viraram prosas e eu não fui capaz de impedir. É como se o meu - pequeno - lado teórico quisesse divagar, mas o prático enchesse logo as minhas mãos de períodos completos e atropelasse toda aquela métrica lenta e reflexiva de que não nasci dotado.
Acho que é por isso que nunca acreditei em amores platônicos. Acho lindo quem sofre, chora, escreve poesias, pinta quadros e diz que faz tudo por amor, mas, comigo, isso só funciona na ficção. Amor, pra mim, tem contato, tem abraço, é concreto. Não sei lidar com coisas abstratas. Amor pra mim nao é apenas sentimento, é atitude. E isso faz de mim um romântico estranho. Adoro saber que alguém pensa em mim quando ouve determinadas músicas ou passa o dia escrevendo o meu nome nas páginas do caderno (porque eu faço esse tipo de coisa, confesso), mas vejo muito mais lirismo em coisas muito mais simples. Aliás, lirismo, para mim, só rima com companheirismo, mais nada. E me pego rindo derretido quando ganho uma carona de guarda-chuva até o carro (existe algo mais lindo que dividir um guarda-chuva? porque nada é mais altruísta, utópico e apaixonado que isso! os dois se molham, mas a sensação de proteger o outro - e ser protegido por ele - compensa qualquer resfriado), ou quando preenchem o envelope de depósito pra mim enquanto eu começo a operar o caixa eletrônico na agência do banco. Acho que é isso o que me faz feliz por namorar. Aliás, poucas coisas são tão realizadoras quanto namorar. Saber que não sou mais só um, sou dois. E, como tal, posso fazer duas coisas e estar em dois lugares diferentes ao mesmo tempo. Posso passar o cartão e apertar o botãozinho de depósito sem me preocupar com o envelope, porque sei que logo logo ele aparecerá prontinho. Não há nada mais gostoso que dizer amor, minha cabeça tá doendo e poder contar nos dedos os minutos até o sugimento de uma Novalgina...
Pouco ligado a recordações e sentimentos, preciso ver o amor acontecer todos os dias para acreditar em sua existência. É estranho pensar que valorizo tanto coisas aparentemente tão pouco românticas. Faz namoro parecer trabalho em equipe, mas não é isso. Mentes são mais rápidas que corpos e sei que, sozinho, é impossível, até mesmo para o mais prático dos seres, dar conta de tudo. Nada faz essas pessoas tão felizes quanto resultados. E é tao confortante ter alguém com quem contar. É o preenchimento de uma deficiência, a pecinha do quebra-cabeça. A idéia de amor é tão inatingível que precisa de constantes provas para se fazer presente. Disso, não dá pra fugir!

2 comentários:

  1. Texto lindo! - igual qm o escreveu!
    =)

    te amo muito!
    saudade tah grande.
    ;*

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  2. Acho legal ter teorias, é bacana planejar, imaginar como as coisas deveriam ser, e depois ver que na prática é totalmente diferente!
    E eu já acredito em amores de todas as formas e jeitos, perto e longe, com pessoas mais velhas e mais novas, de pai e de mãe, o importante é amar!

    Seus textos, ótimos como sempre, pra que poesia quando desenvolve tão bem a prosa?

    :*

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