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terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Estrofes.10

Duas ou três vezes por semana, eu sento e reflito sobre a minha escolha pelo Direito. Será que é mesmo isso o que quero pra minha vida? Já não gosto mesmo de roupas sociais, será que vou conseguir levar isso adiante? A cada novo debate, reafirmo a vocação que acredito ter para as discussões. Poucas coisas me excitam tanto. Mas será suficiente? Tenho medo de descobrir (ou reconhecer), tarde demais, que o meu negócio é mais “criação”. São bermudas, chinelos, cores, lugares abertos... tudo que o Direito não vai me proporcionar!
Ao mesmo tempo, entretanto, não consigo me imaginar, nesse momento, estudando nenhuma outra coisa. Sou bom aluno, eu sei, e seria em qualquer curso. Até mesmo depois de formado. Seria um bom engenheiro, um bom administrador, um bom publicitário... mas será que serei um bom bacharel?
Hoje, pensando exatamente nisso, recebi, na rua, um panfleto super criativo de uma faculdade N dessas aí. Nele, o curso de Administração apresentava seis opções de especialização, expostas nas faces de um cubo destacável. Você lia o texto, destacava o cubo e montava o dado. Não acredito que seja essa a intenção, mas é como se você usasse a sorte para escolher uma das opções. Tipo “opa! tomara que dê a gestão tal... hum! deu a outra! merda!”. Como nem o bom senso me intimida, eu, lógico, joguei o dado para escolher a minha.
Quem me dera fosse fácil assim na realidade, não?
A propósito, ironicamente, o destino quer que eu faça gestão de pessoas!
Se, com isso, eu, pelo menos, aprender a gostar um pouco mais delas... onde faço matrícula?
*
Escrevi um texto lindo ontem. Lindo mesmo! Fiquei orgulhoso de mim. Principalmente porque escrevi enquanto dava aula para a minha nova aluna-sacrifício! Mas ficou muito meloso. MUITO! Nunca pensei que, um dia, poderia escrever algo assim. Nunca pensei que me apaixonaria. Aqui mesmo, no blog, já disse várias vezes que não nasci para o amor, e cá estou a escrever bobagens.
Mas como escrevo mais para me realizar que para dividir, fiquei feliz com o resultado. Tem sido muito bom experimentar sentimentos tão diferentes. E eu precisei escrever para admitir.
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Hoje, a minha ficha caiu em relação à minha atuação acadêmica na Faculdade. De repente, sinto que estou no lugar errado e na hora errada. Não sei o que foi. Não estou me sentindo útil, nem produtivo. É como se eu não fizesse diferença, não preenchesse espaço.
Faço o que, talvez até melhor, fariam duas folhas de papel e uma caneta, ou uma linha de telefone...
Acho que cansei, acho que já vi esse filme e acho que até sei onde isso vai dar!
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Ainda há pouco, fiz a primeira das quatro últimas provas desse semestre. Não vejo a hora de ficar livre! Já joguei a toalha, e ir à Faculdade para fazer provas sem saber as respostas das perguntas dá uma tristeza...
A vantagem é que, pelo menos nessa matéria de hoje, nas quatro outras provas que já fiz, tirei a mesma nota e não acredito em coincidências. O professor deve estar repetindo, sempre, o meu número na chamada. Bom que já sei o que esperar da correção. E, melhor, a minha sala é cheia de Anas!
*
Apesar das provas, das crises existenciais, do medo do ano que vem, do excesso de trabalho, do cansaço, do tanto de coisas acumuladas que eu ainda nem comecei a fazer, das férias que não vou ter e de tudo o que tem me tirado o sono e dado olheiras, há muito não sou tão feliz. Como é estranho ser feliz. Toda vez que penso em chorar, gritar, correr ou pular pela janela, penso num sorriso e tudo fica calmo. Tão simples! É como se aqueles dentes tivessem o poder de me acalmar. E de me fazer mostrar os meus... =)
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Não gosto muito dessas estrofes. Escrevo para desabafar, para não deixar o blog abandonado e, principalmente, para pensar. As coisas, no papel, são mais facilmente compreendidas pela minha cabeça.
Queria textos inteiros, de preferência que não falassem tanto – e tão somente – de mim. Mas ando sem tempo/coragem/inspiração. Preciso de um pouquinho mais de paz para largar esses fragmentos e escrever uma poesia completa. Mesmo que não rime!

3 comentários:

  1. Liga não, moço. É bom ler seus fragmentos. Abraço!

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  2. vc me deve o texto meloso! por mais meloso q seja ele me pertence!

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  3. dois pontos:

    "Se, com isso, eu, pelo menos, aprender a gostar um pouco mais delas... onde faço matrícula?"

    quero matricular-me no curso oposto, para não gostar delas!

    "Como é estranho ser feliz."

    ah, deve ser sim, ^^

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