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sábado, 20 de dezembro de 2008

SAC

Serviço de Atendimento ao Consumidor,

Sou usuário assíduo e consumidor compulsivo dos seus produtos e, como tal, preciso fazer algumas reclamações. Na verdade, são mais sugestões, e peço atenção de vocês.

Da Finalidade:
Para se dizerem uma loja de departamentos, vocês, não por acaso, precisam possuir departamentos! Poucas pessoas são suficientemente astutas para encontrarem os materiais escolares logo depois das lingeries. Seres humanos normais, eu diria “população média”, orientam-se melhor com placas, mapas ou subdivisões fixas e pré-estabelecidas. E, acreditem, isso pode aumentar a lucratividade. Quem procura apenas utensílios domésticos e não os encontra depois das estantes de cosméticos vai embora sem comprar nada. Pensem o quão fantástico seria se todas as pessoas encontrassem com facilidade, dentro das possibilidades, é claro, tudo o que procuram em uma loja... Maravilha!

Da Infra-estrutura:
Escadas rolantes são das maiores invenções do século, reconheço. Tão prático não precisar arrastar sacolas pelas escadas, não? Mas exigem um certo cuidado no momento de suas instalações. Não vem escrito no manual, eu suponho, nem está previsto em nenhum texto jurídico, mas existe uma convenção que precisa ser respeitada. Serve para o trânsito (e, nesse caso, é obrigatória!), para escadas normais e para horas cívicas no primário: as pessoas locomovem-se sempre pela via da direita. Pensem em todas as escadas rolantes (de outras lojas) que vocês conhecem. Fez sentido, não fez? Ignorar esse costume gera transtornos terríveis. É instintivo procurar sempre a escada da direita. Quando elas estão trocadas, entretanto, pessoas tentam descer escadas que sobem, ou subir escadas que descem, e podem até mesmo se machucar. Parece uma recomendação boba e óbvia, mas não é. Na minha idade, já com a visão debilitada, um engano como esse pode ser um passaporte para a vida espiritual.
Outra coisa de bom tom é a instalação de lixeiras no interior das lojas. Nem tudo o que seus clientes consomem compram de vocês. E é desagradável precisar pregar chicletes nas prateleiras ou esconder palitos de picolés entre as toalhas. Onde já se viu...

Dos Serviços:
É de extrema importância que os funcionários, contratados para lidar com o público, tenham, além de “boa aparência”, paciência e educação. Mas não podem ser pessoas calmas demais. O mundo exige prazos, horários, pressa. E nada é mais desesperador que um atendente “lento” no caixa! A fila não anda, as pessoas desistem, se estressam, reclamam. Pessoas calmas devem se dedicar à alfabetização, ao artesanato... nunca ao comércio!
Sei que os cartões que vocês oferecem devem trazer alguma vantagem. Mas, sinceramente, não quero fazer um, obrigado. Preciso escrever isso na camisa? Onde vocês contratam esses promotores de cartão? O que fazem com eles? Batem? Ameaçam? Porque só o desespero justifica seus comportamentos. Ou a gente faz um cartão, ou eles nos seguem três, quatro, cinco prateleiras com um discurso ensaiado e quase suplicante. Chega a ser covardia!

Dos produtos:
Já é humilhante demais conviver com os manequins de moças de trinta e cinco e rapazes de quarenta quilos que as lojas, atualmente, disponibilizam em suas vitrines. Saber que também os produtos visam a esse público, já chega a ser crueldade. Sapatos, segundo o dicionário da nossa língua, são calçados que protegem os pés. Alguma especificação de tamanho na definição? Pois então! Não sei como isso funciona para as mulheres, mas presumir que homens calçam entre trinta e oito e quarenta e dois é generalizar, segregar e, principalmente, errar feio! Entendo que isso é uma estimativa média, mas, sinceramente, não considero prudente sua consideração. A partir do momento que vocês se comprometem a calçar ou proteger os pés de seus clientes, precisam honrar esse compromisso. Do trinta e cinco ao quarenta e seis, ninguém deve ser excluído desse direito. A única coisa mais discriminatória que gostar de um sapato e “não ter o seu tamanho”, é ouvir do vendedor por que você não procura uma loja especializada?. Loja especializada? Por quê? Vocês têm um publico alvo bem delimitado e não se importam com quem não o compõe? É alguma coisa comigo?
O mesmo acontece com as roupas. P, M e G ficaram para trás desde que a alimentação dos homens deixou de ser saudável. E isso faz bastante tempo se não me falha a memória. Quem ostenta um pouquinho mais de carne só pode vestir aqueles conjuntos combinados horrorosos das famigeradas “lojas especializadas”? Quem calça quarenta e quatro tem que andar descalço? Para que existe a moda? Para regular e padronizar uma parcela da população? Para separar os homens em consumidores de lojas especializadas e seres humanos normais?

Do Contato com os Consumidores:
Essas pesquisas de satisfação são uma alternativa aparentemente eficaz. Mas só aparentemente mesmo! Primeiro, porque nada é realmente alterado, não importa o quanto os clientes escrevam nos formulários. Além disso, não servem como espaço para elogios. Pessoas satisfeitas não perdem tempo elogiando, são satisfeitas e pronto. Quem dedica algum tempo da vida a escrever a vocês, tenho certeza, deve ter coisas bem ruins a dizer.

Agradeço a atenção dispensada e espero, do fundo do meu cansado coração, sofrer o mínimo possível com as compras de natal desse ano.

Abraço fraterno,

Papai Noel.

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