Páginas

sexta-feira, 13 de março de 2009

As Cartas Que Eu Não Mando.1


Essa semana, eu reli todos os e-mails que já te mandei. Lembrava da maioria das coisas, mas me surpreendi (positivamente) com algumas. Como eram simples as palavras que eu usava, e bonitas as mensagens que eu tentava transmitir... O que, antes, não passava de monólogo, pareceu-me, nessa leitura, tão poético... O início, o meio e o fim de um amor muito bonito. E voltei, há poucas horas, ao lugar onde nos beijamos pela primeira vez, na noite mais divertida do último ano. Sentado na grama, repassei, mentalmente, cada trecho daquela nossa longa conversa. Nada pode ser mais nostálgico, eu sei. Mas é parte do longo e gradual processo de matar o você que ainda vive em mim. Só que escolhi complicar, você sabe que não consigo seguir a ordem natural das coisas. Quero apagar o que aconteceu, mas não tudo. Deletei o arquivo completo, e estou restaurando, na memória, um a um, todos os melhores momentos da nossa história. Levo, comigo, apenas o que foi bom.
Não consegui, entretanto, evitar as perguntas, e não sei responder como acabou. Mais que isso, eu não sei por que acabou. Tantas coisas tão mais sérias foram superadas. Deve ter sido o acúmulo, a exaustão. É estranho dizer, mas, agora, tudo parece tão mais fácil. E a nossa “solução” tão questionável... Eu te pedi tão pouco. Fiz, de um mundo de sonhos, uma lista simples, de três ou quatro tópicos, uma minguada exigência de nada mais que o mínimo. Mendiguei, aceitei migalhas. Contentei-me, desde sempre, com o pouco que você “podia” oferecer. E tentava fazer, dele, o melhor proveito possível, mas nem isso você permitiu. O pouco foi repartido, limitado, preenchido por restrições. Assumi o risco de reclamar minha parte, e fiquei sem nada.
Meu erro foi querer mais? Talvez o problema seja mesmo meu. Com outro, parece dar certo. Ou não? Porém é uma questão inerente, de conceito, de postura. Não sei agir de outra forma. Às vezes, penso que queria seu esforço, seu suor, e que é realmente melhor enfrentar a realidade e esquecer essas expectativas imbecis. Mas, às vezes, sinto falta, e desejo meu pouquinho de volta.
É como um operário fazer greve por aumento salarial, e perder o emprego. Eu te quis grande, ampliado. Mas você preferiu se encolher...

Nenhum comentário:

Postar um comentário