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terça-feira, 2 de junho de 2009

Avante

Caio Pedra e Gabryela Andrade
“Semana que vem é outro mês já, outra vida, ué!”. E é mesmo! Hoje, dia primeiro de junho, inicia-se um outro mês e, mais que isso, uma outra vida. Como foi ontem e será amanhã, não pelo número do dia ou do mês. Da translação da Terra ao piscar dos nossos olhos, o tempo é repartido em frações de diversos tamanhos. A gente é que não tira proveito disso. Você pode ver o pôr-do-sol como o fim de um dia ou de uma vida sem prejudicar em nada a sua beleza. Tudo o que é ruim passa, e o tempo às vezes voa exatamente pra ajudar.
A vida é repleta de situações ruins, decepções e dores. E, quando isso acontece, a gente pode começar tudo outra vez. Depende de como a vemos. Se como um buraco, realmente só poderemos afundar ou subir. Mas, se como estrada, é possível dar meia volta, parar para descansar, pensar e mudar o rumo!
E é essa possibilidade de renovação que nos faz trilhar novos caminhos e seguir adiante. Infelizmente, não há mapas para nos guiar, por isso só saberemos que estamos no lugar certo quando já tivermos passado pelos errados. É fato, encontraremos obstáculos por todas as direções que seguirmos. As piores estradas nos levarão aos melhores lugares, quanto mais buracos e pedras no caminho, maior a recompensa. Estradas asfaltadas podem acabar em penhascos, de onde o paraíso só pode ser visto, jamais alcançado.
E é nessas horas que mudamos; é a mudança que nos permite ir atrás da felicidade quando ela insiste em fugir das nossas vistas. Mas o mais irônico é perceber que somos responsáveis por tudo que acontece conosco. Depois de algum tempo é que entendemos que a felicidade não foge de nós, é a gente que a deixa ir embora. Cada um é dono de sua vida e seus ideais, e perfeitamente capaz de arcar com suas escolhas. Por que será, então, que preferimos não escolher? Por que assistimos reclamando ao trajeto que a vida realiza por seus próprios desígnios, frente aos nossos imóveis e marejados olhares? Por que nos omitimos?
Para muitas pessoas, é difícil apontar os próprios defeitos, é sempre mais fácil culpar os outros pelos nossos fracassos. É preciso que, sozinhos, vejamos o que devemos mudar em nós, afinal, a mudança só existe quando a gente percebe o quão necessária ela se faz. E são várias as possibilidades de renovação, cabe a nós escolhermos qual será a mais adequada. Não há a melhor ou a pior nem a certa ou a errada; elas variam de acordo com o tempo e o espaço, com a fase da lua ou com nosso corte de cabelo. A mudança que hoje parece ser a solução dos nossos problemas, amanhã, pode ser o motivo da nossa insônia.
E, ainda assim, nós podemos mudar. Não importa quanto tempo de vida você tenha empenhado em um projeto, numa bela manhã, o sol pode brilhar diferente, e abandonar tudo ou não será uma escolha bem simples. As conseqüências existem, é claro, mas as opções também, assim como a coragem. A todo instante, uma centena de caminhos se oferecem às nossas encruzilhadas diárias, e, entre sentar no chão ou seguir em frente, há muita coisa melhor a fazer.
E, se a vida é uma estrada, de tijolinhos amarelos ou obstáculos aparentemente intransponíveis, preste mais atenção às laterais. Não só pelas outras direções que, com certeza, existem ao seu dispor, mas, também, e pelo menos, pela beleza das flores que a margeiam. Prepare os olhos e o coração. É tudo uma questão de enxergar. Você só precisa saber para que lado olhar...

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