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quinta-feira, 11 de junho de 2009

Tem, mas acabou

Ok, está certo, beleza então, eu DESISTO. Desisto, gente, já era, não posso mais.
Eu achava que agüentaria a faculdade, achava mesmo. E, a princípio, não me enganei. Achando fácil, decidi voltar a estudar inglês. Surgiu uma oportunidade, e entrei para a Pesquisa, achando que agüentaria. Envolvido e fascinado, quis participar do centro acadêmico. Sem dinheiro, comecei a dar aulas. Apaixonado, a namorar. Acreditando ainda ter forças, entrei pra Extensão e, por pura falta de vergonha na cara, comecei um estágio voluntário. Tudo isso assim, ao mesmo tempo. Só que meus dias permanecem os mesmos, e se recusam a aumentar de tamanho...
Agora, eu vou mal na Faculdade. Nem caderno tenho mais, mal assisto às aulas, estou sempre cansado. Duas vezes por semana, ouço gritos, choro e reclamações de consumidores inconformados que enxergam, na Justiça, a salvação do mundo, ou, como me disse hoje uma senhora, um “apoio emocional” ao menos. Parei de dar aulas por uns dias, mas já terei que voltar, não me dão sossego. Continuo fingindo aprender inglês, e minhas aulas são exatamente após o estágio, quando o que eu mais quero é deitar em posição fetal no chão bem frio. Também nessa mesma freqüência, reviso textos de um disléxico e digito citações para sua tese de doutorado. Mas, claro, levo pra casa tarefas que desempenho durante a madrugada. Só o que me resta suprimir é o sono, afinal.
No centro acadêmico, além de todas as minhas funções, preciso viver armado, estar sempre atento, tenso, esperando o próximo golpe da oposição interna que não gosta muito de mim. Namorar, eu não namoro mais. Não sei se por falta de dedicação (o que é bem possível) ou por qualquer probleminha bobo, mas os únicos dentes que me acalmavam nessas horas já não querem mais sorrir pra mim.
Enrolei o quanto pude no projeto de Extensão, até mesmo porque, logo após a seleção, tive aquela doença estranha (até hoje desconhecida) que me deixou de cama por um mês. Não gosto do tema, nem do trabalho, mas queria conhecer algo diferente. E isso nem foi problema, acredite. Nem os militantes ensandecidos que precisei enfrentar, nada. O que me incomoda é o feminismo reinante na equipe. Admiro, adoro e respeito demais as mulheres, mas não dá pra negar que elas produzem mais quando isoladas. Acho machista falar em “lavanderia” ou “cozinha”, mas um tanto de mulheres trabalhando juntas não se parece com nenhuma outra coisa, não posso negar.
E, olha, cansei. Cansei mesmo! Abandonei meus amigos, quase não vejo minha família, não durmo, como mal, não ganho dinheiro e nem sou feliz. Bati meu carro na semana passada. E o caminhão do reboque que nos levava (eu e o que restou do meu carrinho) à oficina bateu também. Estou urucado, só pode! Não sei se é azar, se é uma fase, se é normal... aliás, só sei que sequer quero saber. Cansei! Não brinco mais. Quero dormir por um mês, nadar dez quilômetros em mar aberto ou correr pelado na chuva gritando e chorando. Planejei até um intercâmbio de seis meses – pra tentar esquecer os últimos seis –, e nem isso deu certo.
Mundo, Deus, pessoas, eu desisto. Não agüento mais. Penico! Não é pra mim, não mesmo. Desculpa a quem acreditou e obrigado a quem ajudou ou torceu. Não vou me matar, é claro. É bem perigoso eu não conseguir e ainda ficar sentindo dor. Mas quero me livrar da cobrança de conseguir. Desisto e pronto. Não vou dizer que “estavam verdes”, mas não quero viver apenas no sofrimento da busca. Se eu não posso ter tudo e não sei escolher, que não tenha nada e durma bem, faça três refeições diárias em horários regulares, saia com os amigos nos fins de semana e leia um livro de literatura por mês, pelo menos. Pronto, posso dormir em paz agora.
Aliás, boa noite e durmam bem.

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