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terça-feira, 18 de agosto de 2009

Agite Antes de Usar

1. A primeira coisa que você precisa saber – e, talvez, a mais importante – é que ele ri quando fica nervoso. Ri mesmo, muito. Um descontrole só! Ninguém sabe por quê, é até “comum”, ele mesmo conhece outros casos. Ri em velórios, ri levando bronca, em conversas sérias. Tem cada história de crises de riso em assaltos... Parece só um detalhe, mas é delicado. Porque ele fica nervoso com muita facilidade, é muito instável. Então, às vezes, aquela felicidade radiante não passa de muito – mas muito – ódio. E isso é tipo de coisa que vale a pena saber disinguir.
2. Quando quiser se desculpar com ele, dê chocolates. Não que seu perdão custe tão pouco, mas chocolate o acalma. Desde criança. Ele vai continuar bravo, vai brigar e xingar, até mesmo de boca cheia, mas, com certeza, com o coração mais doce. Que ninguém saiba que te contei, mas ele não sabe guardar rancor.
3. Elogie as roupas que ele usar. Se não gostar, compre novas, uma a uma, como presentes pelos aniversários de relacionamento, ele adora. Mesmo que semanais, se a coisa estiver muito crítica. Ele gosta de cores, e só sente frio nos braços. Tipo blusa de frio com bermuda e chinelo, sabe? É da turma que acredita no conforto e não se preocupa muito com o conjunto. Mas é tão inseguro! Não sabe comprar nada sozinho.
4. A propósito, vocês sairão pra comprar roupas juntos, e ele dá tanto trabalho. Experimenta tudo e nunca gosta de nada. Avalia sempre pela sua reação. Elogie tudo, porque ele não sabe lidar com críticas, mas vibre de alegria quando ele vestir o que você achar melhor. Vibre mesmo, finja emoção. Ele perdeu o dom de se impressionar e acaba usando o dos outros como referência.
5. Ele adora presentes, principalmente roupas e coisinhas bobas que sirvam de recordação de momentos, ainda que também bobos. Conchinha do dia em que foram à praia, catavento do parque, essas coisinhas aparentemente ridículas. Ele é muito fácil de agradar. E, por dar valor demais a essas pequenas coisas, vai sempre esperar o mesmo de você. Assim, um dia, vai te dar um tucano de borracha ou um peso pra papel que o traz “maravilhosas lembranças” e morrer de angústia se você não delirar de alegria.
6. Se, um dia, ele reclamar de frio, ofereça-lhe sua blusa. Ele não vai aceitar, jamais. Provavelmente nem está mesmo com frio, só quer testar sua atenção ao que ele diz. E, claro, te dar uma chance de ser gentil. Aproveite.
7. Quanto a aceitar, esse será outro problema. Ele não vai aceitar nada no começo. Só no começo, porque, como já disse, ele é fácil de agradar. Mas, até mesmo para testar a sua persistência, vai negar até seus bons votos. Não quer, não gosta, não precisa. E, quanto mais você implorar, mais ele vai gostar, e mais vai recusar, óbvio. Só para ouvir suas súplicas, ele adora. A boca saliva só de pensar. Freud talvez explique essa carência absurda, mas ele precisa se sentir querido e protegido. Outra boa forma de demonstrar isso são os ciúmes. Então, se não sentir, simule!
8. Vocês vão discutir muito. As opiniões dele, nem sempre tão fundamentadas, são defendidas “com unhas e dentes”, e não necessariamente como força de expressão. Ele gosta da polêmica e, mesmo sem querer, está condenado a ser minoria, a pensar diferente. E é diferente com tanta convicção, que sequer aceita a normalidade dos outros. Quando isso acontecer, discuta também. E discuta muito. Brigue, xingue, discorde. Quando a coisa estiver séria, porque ele vai perder a cabeça, pode esperar, concorde com o que ele diz – ou finja concordar, mostre-se convencido por seus argumentos, ainda que loucos. Nunca “desista” ou não leve a sério o que ele diz. Mate-o, mas não faça isso. Poucas coisas o incomodam tanto quanto discutir sozinho.
9. Ele vai te ligar várias vezes ao dia até se apegar à sua voz. Só que ele não gosta de telefone, e ninguém sabe o porquê. Então, vai ligar, cumprimentar, dizer alguma bobagenzinha e, rapidinho, encerrar a ligação. Ainda que queira te ouvir pra sempre, conversar com uma caixa o incomoda. O problema não é você, saiba logo.
10. Elogie tudo o que ele escrever. Não que ele escreva bem, mas críticas roubam-lhe o chão. E é escrevendo que ele acredita vencer seus dragões. Críticas construtivas devem ser feitas, ele não suporta mentiras, mas com muito cuidado, por favor. Uma palavra mal escolhida e horas e horas de sofrimento. Até porque ele vai sofrer de qualquer jeito pelo defeito encontrado, por isso o melhor é dizer essas coisas à distância, numa dessas ligações-relâmpago, ou por e-mail, mensagem. Pessoalmente, só em despedidas. Dizer logo no encontro ameaça temporariamente a convivência.
11. Ele é bastante divertido. Fala alto, ri bastante, tem ótimas tiradas e respostas prontas para todas as situações. Uma excelente companhia, todos dizem. Só que, para que isso não se torne um martírio, você precisa fazer a sua parte. Não precisa morrer de rir, engasgar ou simular a mesma “descontração”. Basta que você ria às vezes. Quando não, ao menos sorria. Alguém ensinou a ele que bom humor é proporcional a inteligência. E ele acredita.
12. O que todo mundo mais espera das pessoas queridas são palavras amáveis. Ele também, não podia ser diferente. Adora elogios, frases doces, declarações de amor. Mas não sabe retribuir. Não é que não queira, mas tem alguma dificuldade com as palavras. Seu senso crítico, assim como o de humor, é um pouco ácido, e quase tudo o que diz traz uma dose de sarcasmo ou traz alguma reclamação ainda que nas entrelinhas. Digamos que ele é até “meio grosso”, mas não é de propósito, absolutamente. Na verdade, ele não passa de um “grosseirão”, desses tradicionais, dos filmes, que morrem de amor, mas não falam nada que preste.
13. Sempre que ouvir uma música bonita, diga que se lembrou dele. Telefone, mande mensagem. Ou guarde todas para contar pessoalmente. Mas, nesse caso, cante. Ele não resiste a essas pequenas “serenatas” casuais. Uma colher como microfone e pouca ou nenhuma habilidade vocal e ele se encantará, com certeza. Nunca admitirá, entretanto. Vai rir, debochar e reclamar, só porque não sabe elogiar. Mas vai achar lindo!
14. Ah! Reclamar! Ele vai reclamar muito. E sempre. Na verdade, é o que ele faz de melhor. Reclama até – e acho que principalmente – do que gosta. Não é por maldade, ele tem dificuldade com as palavras (coitado!). Até querendo elogiar, ele pode (e vai) reclamar de alguma coisa. E isso é tão involuntário quanto respirar. Sabemos que não é normal, nem deve ser “entendido”, mas há pessoas que nasceram para questionar. E até isso tem seu lado bom.
15. É difícil dizer isso assim, mas, para encerrar, seja obediente. Ele gosta de mandar e não sabe ouvir “não”. Não bastasse, não pode ser aquela obediência cega, quase religiosa. Quem agüenta devoção? Ele gosta da obediência sofrida, conquistada. Faça o que ele quer, mas pareça não querer. Desafie-o sempre. Ele não resiste. Deixe ele acreditar que te convenceu ou obrigou. É estranho, tudo bem. Mas ele é estranho também.
Apesar de poucas dicas, e da total ausência de nexo entre a maior parte delas, esse é um bom resumo inicial para qualquer tentativa de relacionamento. É confuso, sabemos, assim como a cabeça dele (não se pode negar). Mas não se deixe levar pela aparência. Lendo, assim, parece mais difícil do que é na verdade. A convivência com ele é ótima, e as coisas acontecerão naturalmente. Entendendo sua inconstância, vocês serão felizes desde o começo. Esses quinze pontos são só no caso de você querer mesmo conquistá-lo, e não garantem o êxito da empreitada. São experiências reunidas, coisas que já deram certo alguma vez, ou dariam, caso alguém, antes, tivesse encontrado esse auxílio por escrito.
Se nada disso der certo, ou você se esquecer de tudo na hora, seja imprevisível. Não necessariamente “idiota”, mas surpreendente. Ele gosta de novidades, e não há amor maior que aquele que se conquista todos os dias.

[Livremente inspirado no filme “Ironias do Amor”]

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