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sexta-feira, 25 de setembro de 2009

De Repente, Califórnia

Hoje é um dia importante para mim. Deveria ou poderia ser diferente, é claro, mas não deixa de ser importante. E diferente por quê?

Porque exatamente há um ano, eu comecei a namorar. Não estava “apaixonado” ainda, mas já sentia que algo diferente estava acontecendo. Algo com que eu não estava acostumado ainda. E eu nunca tinha namorado. Estava na hora de acreditar nas pessoas e em mim (e no amor blá blá blá). Como bem me disse uma amiga às vésperas, era hora de arriscar, mesmo que para quebrar a cara. Pois, se quebrasse, era hora de sofrer também. De chorar, de não sair da cama. De comer brigadeiro vendo filme romântico e jurar nunca mais me apaixonar. Só até começar tudo outra vez. Não tinha a menor esperança de, hoje, comemorar um ano de namoro. Nenhum relacionamento meu, em 19 anos de vida, tinha durado mais de dois meses até então. Mas a curiosidade e a vontade me fizeram tentar a sorte e, em algum momento, eu cheguei mesmo a imaginar a data de hoje. Quando eu comemoraria o tão sonhado um ano e, mais que isso, descobriria que talvez o problema, das outras vezes, tenha realmente sido os outros, e não eu. O que não deixa de ser a minha suspeita, é claro, mas eu precisava disso para a confirmar.
Há exatos seis meses, estávamos reatando após um mês de término. Terminou e eu achei normal (“sabia que isso não ia dar certo mesmo...”), mas nasci com o gene do drama e superei rapidamente, viajei no carnaval, fiz quase tudo o que quase todo mundo faz quando termina e estava pronto para a próxima. Ou nem tanto. Porque bastou a volta às aulas e aquele contato constante outra vez, para a minha fortaleza ser destruída. E eu cair de amores. Sabe aquele “te amo como nunca amei ninguém” típico de perfil de orkut de gente baranga? Eu estava assim. Amando hiperbolicamente, certo de ter encontrado o amor da vida inteira, a outra metade da laranja. E, para o 25 de setembro, os planos eram inúmeros e muitíssimo emocionantes. Jantar, passeio, viagem... Ia ser o aniversário do novo Caio, o Caio que vivia só de amor. Porque eu tinha certeza de que duraria para sempre.
Há quatro meses, exatamente quatro meses, eu repito, acabou. No dia do nosso aniversário de oito meses – por que existe alguma coisa boba mais apaixonada que comemorar aniversário todos os meses?
Há três meses, eu ainda creditava no retorno. Era o terceiro término, e o segundo tinha durado um mês e dois dias. Namoros terminam e voltam, super normal.
Há um mês, eu estava enojado, arrependido até a raiz do cabelo de, um dia, ter namorado aquilo. Estava chocado com o ponto em que as pessoas chegam, e com o quão pequeno é esse mundo. Queria morrer ou fugir, pra nunca mais precisar encontrar (ou sequer lembrar) aquilo. E me culpava porque eu sempre soube que era assim e que as pessoas não mudam. O que é que me cegou de repente? Enfim, meu plano era um 25 de setembro de muito sangue. Ok, nem tanto.
Há uma semana, uma super recaída. Eu tenho boa memória para datas e reviver a semana anterior ao início do namoro não me fez muito bem. No fundo, sempre fica alguma coisa, e é difícil virar a página assim tão rápido. Principalmente ouvindo (péssimas) notícias todos os dias vindas de todas as pessoas. Entretanto, meu coração se preencheu de serenidade, e eu decidi até “resgatar a amizade”. Não seremos amigos de infância jamais, até porque nunca fomos, nem durante o namoro, mas é tão chato esse climinha. E eu não queria mais ter que evitar encontros. As pessoas precisam ser muito importantes e representar muito pra mim para limitarem meu espaço. E está longe de ser o caso. Estava decidido a voltar a andar livremente pela faculdade, ir aos lugares onde eu sei que encontrarei, e sem aquela preguicinha ou aquela tensão. Até porque nós sempre seremos colegas. De faculdade, de profissão ou de vida na Terra, que seja. E alguém tem que dar o primeiro passo para o crescimento, né?!
Então. Eis que, há cinco minutos, eu estava ao telefone conversando em inglês com a gerente de recursos humanos de um resort em Lake Tahoe.
E daqui a dois meses, é lá onde eu estarei.

Não que exista alguma conexão entre esses fatos todos, mas é tão legal ver como o mundo dá voltas. Como a minha cabeça oscila e os meus planos mudam, mas, ainda assim, tudo sempre termina bem. Final feliz é um termo amplo e abstrato por isso. Quem diria que, em alguma daquelas datas, eu imaginaria assim o meu 25 de setembro de 2009? E quem consegue calcular o quanto eu estou feliz?
O jantar foi trocado por uma noite latina no aniversario de duas amigas, o amor-da-vida-inteira por alguns amigos (e, se há algo que eu aprendi com isso, é que só os amigos são eternos), o passeio será substituído por vários outros. E a viagem está marcada já. No fim, tudo dá certo, e, se não deu, é porque ainda não é o fim é o clichê mais barato e mais correto para o fechamento desse ciclo. Um ano se passou, muita coisa mudou, outros novos Caios surgiram e ainda surgirão. Porque o tempo não pode parar...
Legal a vida, né?!

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