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segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Beep

Oi. Aqui é o Caio e, no momento, eu estou um pouco ocupado, mas deixe seu recado após o sinal. Não vou responder, já aviso. Talvez eu sequer ouça, não vou negar. Mas, né?! Melhor que desligar sem dizer nada... BEEP.

Tem sido mais ou menos assim. Desapego, preguiça, ansiedade... Chamem do que quiser, mas eu abandonei um pouquinho a minha vida. O blog é só um sinal disso. Faz tempo que não escrevo. Assim como faz tempo que não viajo, não durmo uma boa noite de sono, não estudo. Não sei o que acontece comigo, mas sempre assumo mais responsabilidades do que consigo administrar e me afogo entre tanto a ser feito. Agora mesmo, eu vou empenhar uma hora das poucas que tinha pra dormir em escrever um texto que, por menos interessante que seja, mostre aos que se importam que, sim, eu estou vivo. Viver mais ou menos também é viver.
A faculdade vai bem, obrigado. A cada dia, sinto mais preguiça de estudar Direito. Mas já não me vejo fazendo nenhuma outra coisa. É sempre difícil falar sobre o Direito, porque 10% das pessoas acham que é a escolha de quem quer ficar rico, ou de quem está apenas seguindo o desejo dos pais. Os outros 90% têm certeza. Ok, Direito não é lá a coisa mais emocionante do mundo, e ninguém GOSTA mesmo de leis e daquela linguagem – nojenta e – formal, mas ganhar dinheiro também é uma opção. E não é porque eu vou me formar e ganhar rios de dinheiro com a profissão mais renegada do mundo que eu não MEREÇA os bons frutos da minha escolha. Tenho uns amigos e primos que insistem, até hoje, que eu deveria ter feito Letras ou Jornalismo. Tá, eu escrevo bonitinho, mas oi, estamos nos Brasil!. E pode ser mesmo que eu seja comunicativo e criativo, mas, repito, Brasil, gente! Bra-sil!. A coisa aqui funciona diferente. Eu seria um bom jornalista, tenho certeza. Mas da mesma forma como seria um bom arquiteto ou um excelente engenheiro químico. Não que eu seja genial, mas tenho uma sorte da porra e sou esforçado. Sei do meu potencial e gosto de usar ele inteirinho. Então, se eu escolhi trabalhar de terno tirando bandidos da cadeia e ganhando centenas de milhares pra gastar no shopping, não há nada que você possa fazer a não ser se alegar (ou não) com a realização dos meus sonhos. Nasci e cresci pobre, e, nisso, não pude influenciar. Mas MORRER POBRE é uma escolha. Ou burrice. E, desculpa, pai, desculpa, Brasil, eu não sou burro. Vou me formar em Direito e ponto de exclamação. Esse papo de realização profissional é coisa de gente mal amada. A vida é tão maior que a profissão. Ou, pelo menos, a minha será. Minha intenção é trabalhar por apenas algumas horas do meu dia. E a realização eu estou deixando pras outras, que restarem. Se uma pilha de processos não me realizar, eu espero o expediente acabar e vou pro shopping. Porque compras me realizam, beijos!
Falando assim, parece que estou reclamando e não. Acabei gostando mesmo. O curso é fascinante, as aulas é que não. Descobri que estudar em casa rende muito mais, que os livros são muito melhores que os professores e que, se tivesse feito isso desde o começo, estaria muito melhor agora. Mas comprei, esse mês, meu primeiro livro de Direito (desatualizado já, na promoção, mas meu). Meus pais nunca foram de me dar livros, minha família não é muito de ler. Tenho canivete, berimbau, tartaruga e barbeador elétrico (não estou reclamando, esse barbeador mudou minha vida, juro), vou ganhar até um pônei (sério!), mas quase nenhum livro. Os poucos foram presentes de outras pessoas. E, por mais que eu queira extrair o máximo do meu curso, há outros fins muito mais nobres pro meu pouco dinheirinho. Infelizmente. Preciso de um estágio que pague bem. Escolhi dois concursos já, mas ainda nem comecei a estudar. Estou enrolando, não tenho tempo, nem forças. Acho que a faculdade quebrou um pouco da auto-confiança que eu sempre tive. Era tudo tão fácil sempre, enquanto eu era o melhor da sala. Agora, todos os melhores de todas as salas estudam comigo, e é bem mais difícil se destacar nesse contexto.
Continuo no CAAP, agora a frente dos dois jornais. Por mais que eu esteja cansado e tenha bem clara e concreta a decisão de não mexer com isso novamente no ano que vem, já começo a lamentar o finalzinho do mandato. Apeguei-me ao trabalho, e, quando “peguei a manha”, vou precisar entregar tudo o que fiz nas mãos de algum tonto que não saberá nada, e precisará aprender tudo como eu aprendi. E posso morrer de sofrer, não interessa, só não vou me reeleger. Nem eu tenho coragem de votar em mim. Por melhor que eu seja, porque eu reconheço que minha dedicação faz de mim um excelente diretor de imprensa (o melhor, dirão, e não estarão mentindo), sei que não agüento mais um ano dessa pressão. Quero de volta a minha vida social. Estou organizando um congresso bem grande também, em dupla com um amigo, para a primeira semana de outubro. Traremos à cidade palestrantes de todo o Brasil e o evento entrará para a história, eu tenho certeza. Até mesmo porque precisa valer as nossas noites em claro e os meus quilinhos a mais. Mais que isso, eu estou negociando descontos em hotéis e eles ainda reclamam, tem gente que só dorme em cama de casal (oi, você é gordo ou só folgado mesmo?) e ainda fui insultado, por e-mail, por uma transexual. Por quê? Porque a chamei de TRANSEX. Gente, se você cortou o seu pinto, você é o quê? Aleijado? Se eu ainda tivesse chamado de TRAVESTI (preconceito NENHUM, juro, mas sei que rola toda uma rixa e tal) ainda ia, mas TRANSEX não é só uma forma abreviada e carinhosa de TRANSEXUAL? Não, pelo menos pra ela. O termo correto (porque, sim, eu perguntei do que é que eu te chamo então?, não com essas palavras, claro!) é mulher vivenciando a transexualidade. TRANSEX é ofensivo porque é o nome utilizado pela indústria pornográfica. Aí, eu digo que minha vida é uma merda e ninguém acredita.
As coisas melhoraram no Paidéia. Para quem não sabe, Paidéia é o grupo de estudos de que faço parte, e do qual eu não andava me sentindo tão “parte” assim. Agora, felizmente, as coisas estão mudando. Conheço melhor as pessoas, seus defeitos e qualidades, e isso me permite uma conduta mais “pensada”. Já saímos para comer, beber e conversar, já trocamos e-mails divertidos, já temos nossas piadinhas internas. Um menino até bebeu na última festa, me deu um tapa, dois abraços e pegou no meu saco me chamando de gatão. E, se isso não é INTIMIDADE, eu não me chamo Caio. Penso que estou me apegando a eles, de verdade. Não sou de gostar das pessoas, e há uns dois ou três de que chego até a “sentir falta”. É sempre melhor quando se faz amigos, não há dúvidas. Além disso, nosso trabalho começa a ter resultados. Os objetivos estão sendo cumpridos e (pasmem!) dentro dos prazos, que, antes, julgávamos impossíveis. De todas as atividades que acumulo, o Paidéia é, sem dúvida, à que menos me dedico. Passo semanas sem dar as caras nem ter notícias. Mas a equipe é muito boa, não dá pra negar. Ainda me incomoda um pouco a burrice de duas ou três figurinhas. Mas o todo funciona, e muito bem. Talvez por isso eu não me sinta tão integrado. Preciso ser “fundamental” e “imprescindível” para me entregar. Fora que a parte que mais me irrita são as pessoas que mais me adoram. Porque eu sou uma pessoa divertida como nenhuma outra e, por isso, DEVO ser amigo da galera. É só rolar uma atividade em dupla ou grupo que eu começo a tremer. E tenho motivos. Muitos.
Como vergonha na cara nunca foi mesmo o meu forte, muito menos bom senso, sou Presidente da Comissão de Formatura também. Não me pergunte “quando”, porque eu não saberei responder. Mas pergunte “como” e terei uma história divertida pra contar: na verdade, eu não era presidente, era vice, porque perdi a eleição por dois votos pra “gostosinha da turma”. PERDI. Não vou desenvolver o raciocínio, porque pode parecer machista ou preconceituoso. Só sei que fiquei bem triste, porque, claro, não gosto de perder, e, principalmente, por ter certeza de que faria um bom trabalho. Uma reunião depois, ela renunciou e eu assumi. Nem fiz charme ou cara de surpreso. Eu nasci pra ser presidente de tudo, gente. Sou chefe de turma desde a primeira série, e nem vergonha de admitir isso eu sinto. É uma virtude, eu acho. Ou não. Só sei que, agora, quem assina o cheque soy yo e isso é um bom sinal. O divertido é que eu já fiz a minha lista de convidados pra formatura (no fim de 2012, cabe ressaltar) e descobri que só posso conhecer até 10 pessoas importantes nos próximos 3 anos. O que não é difícil, uma vez que quase não conheci 10 nos últimos 20. Isso, claro, se eu mantiver firme a minha idéia de não levar os namorados e namoradas dos amigos. Elegante, eu sei que não é. Mas é o mais correto, gente. Seu namorado é seu, não meu. Até lá, é claro, Sabrina e Carol já terão se casado com seus atuais namorados (e marido já é um vínculo maior, né?!); Camila também, mas acho que não dura; e a Isabella já terá sete anos de namoro. Mas o que eu posso fazer? Esse povo fica querendo andar em dupla e é muito injusto cada amigo levar dois dos meus suados convites. Meu irmão, que é meu irmão, só levará a namorada se eu deixar. Sabe aquela sindicância pra apurar se é relacionamento estável a fim de receber pensão? Vai ser assim! O porquê de eu já estar sofrendo por isso, três anos antes, é algo que eu jamais saberei explicar e você fará a gentileza de não perguntar.
Falando em vergonha, estou ficando famoso no Juizado. Na verdade, eu comecei conhecido como o melhor conciliador (palavras da juíza), e acho que isso afastou um pouco algumas pessoas. Na verdade, isso só contribuiu, porque o que afasta mesmo todo mundo é essa minha cara fechada. E a minha pouco convivência, óbvio, já que eu saio tarde e chego cedo – mas sou tão eficiente que não deixo nada acumular. Entretanto, eu decidi ser uma pessoa mais simpática e já até fiz amigos. De sair pra comer pizza, desabafar problemas amorosos e guardar segredos. Mas a fama não vem daí não, antes fosse. Estou famoso porque, como já disse, o destino capricha sempre na minha pauta e não há um dia sequer em que eu não presencie um barraco. Dia desses, eu precisei impedir que dois homens se matassem – porque os barracos lá são desse nível. Fora os loucos e surdos, que sempre caem na minha sala. Não sei o que fazem, já que eu nunca fico dois dias na mesma sala e, ainda assim, não consigo fugir disso. Eu era o conciliador barraqueiro para a coordenação e, agora, os advogados já comentam entre si também. Um chegou a me dizer: é, Caio, é só a audiência ser RABO que cai na sua mão, heim?. Eu o conheço? Não. Dei esse liberdade a ele? Não. Sei como essa fama se espalhou? Não. Mas não é difícil imaginar. Não bastasse, os advogados de todos os dias já me conhecem pelo nome, e me respeitam, o que é mais importante. Quando comecei, bonzinho e educado, confesso que aprontaram um pouco comigo, e eu ficava até triste. Mas precisei de pouco tempo para mandar um ou outro calar a boca, indeferir pedidos e causar desconfortos, e, como assombração sabe para quem aparece, as coisas já estão sob controle. Fico feliz. Não quero ficar lá por muito tempo. Sinto que mereço e preciso de mais. O trabalho, apesar de divertido, é sempre o mesmo, e, a cada dia, resta um pouco menos a aprender. Mas ainda me divirto e isso é bom. O fato de eu ser bonitinho ajuda muito. Galera cai em cima – e galera é exatamente pra não definir gênero. Vejo brigas, rio, tenho banheiro SÓ PRA SERVIDORES, tomo café e ainda me paqueram. Do que mais eu preciso pra ter essa juventude sadia? A questão do café parece pequena, mas não é. Café de repartição pública é diferente, gente. Não dá pra explicar.
Continuo dando aulas, infelizmente. Infelizmente porque todo mês digo que vou parar e nunca paro, porque não encontro nada melhor e ainda preciso do dinheiro. Até que as coisas estavam indo bem e, finalmente, estava com bons alunos. ESTAVA. Porque, agora, apareceu uma daquelas que eu sonho em matar, para aprender Física do primeiro ano e, não bastasse a minha dificuldade em relembrar fórmulas, tem sido bem difícil conviver com aquela APATIA e aquela cara de fuinha. Sem contar que dou aulas de Química. Quí-mi-ca, que eu nunca soube nem pra mim, quanto mais pra ensinar. Voltei a não gostar de ir pra lá. E é tão triste pensar que, aos vinte, eu já trabalho sem gostar, apenas pelo dinheiro! Bem vindo ao mundo real!
Sinto que me recuperei dos problemas afetivos que me assolavam. É claro que sempre fica um pouco, e muita coisa ainda me faz lembrar. Mas, graças a Deus, as lembranças não são ruins mais, nem me fazem sofrer tanto. Ficou aquela coisinha boa do primeiro amor, sabe? Lamento um pouco, é claro, por tudo o que reconheço como minha culpa. Mas parei de remoer o que não dependeu de mim, e isso foi um grande passo. Toda mudança precisa começar dentro de nós, isso é verdade. Só quando voltei meu olhar para mim, pude mexer no que precisava ser mexido e recomeçar. O outro passo, sem dúvida, foi a minha auto-estima. Por mais que eu goste (e tenha gostado, não nego) de ver as pessoas se afundando em suas tristes e solitárias decadências (porque, gente, mais que a morte, a SINA é sempre inevitável), só o que afastou a minha tristeza foi ver a vida prosseguir. Ver as coisas se acertarem e conhecer gente nova e interessante. E me sentir interessante também, é claro. Eu cheguei a pensar que jamais me envolveria outra vez, ou jamais conheceria alguém tão especial e, sem querer cuspir no prato que comi, o mundo está cheio de pessoas até mais legais, a começar por mim. Só o que tem me feito pensar um pouco mais nisso nesses últimos dias é que, talvez, eu esteja atentando para algo de que, antes, eu apenas desconfiava: acho que não sei mesmo “dar atenção”. Ou são as pessoas que esperam atenção demais de mim. Com esses tanto de coisa a fazer, será que é pedir demais esperar COMPREENSÃO das pessoas? Eu quero casar e viver de amor sim, mas não agora. Antes, eu preciso montar minha vida. E só vou conseguir isso com muito trabalho e dedicação. Talvez um relacionamento não seja ainda a minha prioridade, e as pessoas estão me mostrando isso. Por mais que eu conheça pessoas bonitas, inteligentes e, principalmente, preparadas para me fazer feliz, não me sinto pronto a largar tudo. Ou não quero, não sei. Chame de egoísmo ou como preferir. Gosto mais de mim ainda. O problema é que namoros consomem, exigem e são construídos com base em cobranças (que eu não consigo suprir, é claro). E, por mais que eu não queira namorar, estou sempre namorando, ainda que por inércia. Não sei piranhar e nasci mesmo pra namorar, até me orgulho disso, mas oi, minha vida está um caos!. Tudo o que eu não posso ter agora é um compromisso. Se a vida seguir o ritmo que está tomando, será mais um relacionamento com data pra acabar e eu já vi que isso não vale a pena. O problema é que eu sou legal. Sem contar vantagem – até porque eu sou um idiota que nunca tem tempo e nem prioriza paquerinhas –, eu sou muito carinhoso, divertido, e um bom namorado, de verdade. Aí, pronto. Eu gosto de namorar e sou um bom namorado, mas ainda queria que as coisas fossem diferentes! Começo a cogitar a possibilidade de morrer sozinho. Não a cogitar propriamente, já que eu sempre achei que era isso o que realmente aconteceria, mas a aceitar. Talvez não seja tão ruim. Tenho alma atormentada, não nasci pras pessoas. Pior que isso, não nasci pra uma pessoa. Não que eu queira várias, fica pra próxima, obrigado. Mas porque é preciso uma elevação espiritual grande demais para enfrentar minha instabilidade existencial. Ninguém é suficientemente bom para mim, e isso não é uma falha das pessoas, mas minha, única e exclusivamente minha. Pobres mortais já tentaram, e o que foi que aconteceu? Medo, pânico e traumas! Talvez eu seja um patrimônio público, um prédio tombado, sabe? Você gosta, acha legal, visita, tira foto, mas precisa ir embora quando dá a hora. E não pode levar pra casa.
Na família, estou vivendo o momento mais tenso de toda a minha vida. Como bem disse a minha mãe, eu demorei a dar trabalho, mas quando dei... No começo, eu estava mais forte. Mas, agora, estou vendo a hora de quebrar pratos e botar fogo nuns colchões. Nunca fui de muita paciência. O clima não está bom e essa convivência conflitante me empurra ainda mais para a rua. Meu pouco tempo livre, eu prefiro passar trabalhando. No fundo, acho que meus pais querem mais é me ver pelas costas, mas, porque Deus existe, não têm coragem de me botar pra correr. Aí, coitados, precisam torcer íntima e silenciosamente para que essa brilhante idéia parta de mim. Mas não vai partir não. Pelo menos, não até que eu tenha dinheiro pra viver com dignidade e comer besteira todo fim de semana. Mas, como tudo na vida tem um lado Pollyanna, se tudo correr bem, devo viajar por alguns meses. Porque VIAJAR também é SUMIR. Só que com data certa para reaparecer. Não quero falar ainda sobre isso, porque é algo muito incerto, e eu tenho medo de criar expectativas demais. Além disso, se, quando eu voltar, as coisas ainda não estiverem de volta ao normal, e outras coisas derem igualmente certo, estudarei o próximo semestre em outra universidade federal do país, pelo programa de mobilidade estudantil. E, aí, Belo Horizonte só volta a ver o meu rostinho em agosto. Ou dezembro. Cansei dessa vida, cansei dessa cidade. E estou começando a me cansar dessas pessoas também.
Sinto falta dos meus amigos. Tenho, agora, os amigos do CAAP, os amigos do Juizado, os amigos do Paidéia e por aí vai. Mas sinto falta dos antigos. Falta dos que estão em casa estudando, dos que foram embora, dos que trabalham demais. E há, inclusive, pendências a serem resolvidas com alguns deles. Só que a preguiça e o cansaço me impedem, infelizmente. Ainda não aprendi a controlar meus horários e dar conta de tudo isso. Até mesmo porque tudo e todos exigem de mim muito mais atenção do que eu sou capaz de oferecer. Não sei como permito que minhas horas acabem assim, sem que eu tenha feito tudo o que DAVA pra ter sido feito. Mas elas voam. Não sei explicar como, nem por quê, só sei que voam e, quando em vejo, passou-se um dia, uma semana, um mês ou três. E eu não fiz metade do que deveria ter feito.
Estou lendo, há semanas, um livro delicioso, que eu já deveria ter terminado e não consigo por falta de tempo, de uma menina que se cansou de tudo e foi embora. É a reunião de postagens de seu blog pessoal ao longo dos anos que ela passou mudando de cidade para cidade, pegando carona com caminhoneiros e dormindo em banheiros de rodoviária. E não há nada em mim que me incomode tanto, desde então, quanto a minha covardia. Um blog onde reclamar, eu já fiz e mantenho. Mas o que eu faço para mudar a minha vida? Fico aqui (além de no twitter e no fotolog) apenas saciando a minha necessidade de falar, como no poema de Drummond sem sequer me propor soluções. Sei que não vai mudar nada e ainda insisto em reclamar. Não por maldade ou burrice, repito, mas porque não há nada de que eu goste mais – e faça com mais maestria – que reclamar. Chega a ser involuntário, eu nasci pra reclamar. E saber que não adianta não me permite negar a minha essência. Chego a ser divertido, juro.
Claro que não falei tudo o que poderia, mas bem mais do que deveria. Essa é a sexta página aqui no meu WORD. Chegar até esse parágrafo só comprova duas coisas: você gosta mesmo de mim ou precisa mesmo se ocupar. Desculpe a falta de jeito e o senso de humor peculiar. E, antes de mais nada, desculpe te fazer acreditar que esse texto é pra você. Quem quis mesmo saber se eu estava vivo me ligou, tenho dois celulares pra isso. O que eu não queria era deixar o blog abandonado como abandonada está a minha vida. Ou não. Talvez eu precise do papel para organizar as minhas idéias. Ou não. Ou, talvez, eu queira dar satisfações às pessoas ou deixar um legado para as próximas gerações, algo como um manual de sobrevivência para os inconstantes. Ou não. Ou sim. Ou talvez. Você nunca vai saber! Nem eu...

Um comentário:

  1. eeei!
    vc tem andado ocupado mesmo, hein?
    nao tinha essa noçao!!
    bom, se sobrar um tempinho nessa sua agenda disputadissima, quero te ver!
    beijo, meu bem!

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