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terça-feira, 29 de setembro de 2009

Diferente demais

Meu dia foi tão cheio, que não teve como não repensar minha vida hoje, gente. De médico e louco, todo mundo tem um pouco, eu sei. Mas meu médico é um pouco tímido, eu acho. O louco, não!
Agora há pouco, dois amigos me acusavam de loucura pela minha mania de correção ortográfica (TOG – Transtorno Obsessivo Gramatical). Não chega a ser um desvio de personalidade, mas eu presto, realmente, mais atenção que o normal a essas coisas. Há umas duas semanas, encontrei um erro (coisa boba, ou bobíssima talvez) numa apresentação de slides sobre o trabalho de uma empresa. Era uma logomarca em alemão, que aparecia duas vezes, em momentos bem distantes até, dispersas em meio aos slides, misturadas a outras palavras e marcas, mas com SS na primeira e só S na segunda. Ok, era alemão, e eu sequer sabia o significado. Mas estava errado, uai. E eu não consigo me conter nessas horas. Foi meio constrangedor ver o olhar de censura das pessoas. E, pior, ver o apresentador voltar quase 40 slides pra conferir e dizer “meu Deus, eu apresento isso há quase cinco anos e ninguém nunca viu, nem os donos da marca!”. Agora me diz, é problema meu?
Poderia ser uma infeliz coincidência apenas, um chute certo que virou piadinha, mas meu histórico é longo. Na Faculdade, sou o relator de todos os trabalhos em grupo, porque nenhum dos meus amigos admite escrever para mim. Dizem que vou corrigir e pôr defeitos. Eu??? Dá até briga. No Jornal, a mesma coisa: os autores escrevem os textos, me enviam, e começa a choradeira. E-mails, mensagens, telefonemas... “e aí? já revisou? tava muito ruim?”. Não é por maldade, é excesso de atenção. Os erros existem, gente, e acontecem, é normal. Ficam ali, parados, olhando pra mim com aquele olhar altivo e desafiador, pedindo um corretivo! E eu estava me defendendo com o argumento de que meu objetivo único é ajudar as pessoas a corrigirem seus pequenos vícios de escrita e etc., quando um deles lembrou que eu já corrigi uma cartinha de amor. Recebi uma cartinha, li circulando os erros e reescrevi antes mesmo de responder, como se fosse realmente o comportamento mais adequado para aquele momento. É, tá, talvez eu seja um pouco estranho mesmo.
No estágio, durante a tarde, outra situação me fez refletir sobre o espaço que eu ocupo nos lugares. Eu preencho, sabe? Faço barulho, mudo as coisas de lugar, quebro as regras, faço intrigas. Em quatro meses de Juizado, só o que eu fiz foi inutilizar a escala, revisar os termos e implantar um novo estilo de “traje social” para os meninos, composto por calça jeans, camisas bonitas (e não muito formais) e sapatênis. E o pior é que eu tenho adeptos. Sentem minha falta quando atraso. Até o café, antes exclusividade dos servidores mais antigos, eu democratizei e divulguei para a massa. E parece que já aceitaram a minha presença. Eu chego atrasado, todo de verde, parecendo um soldado, falando alto, entro na salinha dos servidores, encho copos e copos de café (desnecessário dizer que eu sirvo café no copo de água, já que copos de café, todos sabem, é a invenção mais estúpida da história) e saio distribuindo entre as salas. Salas essas pelas quais circulo livremente (até porque não tem mais escala mesmo...), mudando sempre que alguma coisa emocionante ameaça acontecer distante dos meus olhos. O que me faz acreditar que tenho o direito de subverter as coisas dessa forma, é que eu não sei. Uma vez, alguém disse que eu não cabia em mim, que meu corpo, ainda que grande, não era suficiente. E acho que é bem por aí mesmo...
Pra terminar as reflexões de hoje, uma esquisitice afetiva. Fui a um encontro sábado. Meus amigos estão incomodados demais com a minha solidão e querem me desencalhar logo ou estão tão tranqüilos com o meu estado emocional que devem me ver como “pronto pro que der e vier”, porque é impressionante as roubadas em que me enfiam. Eis que teve esse encontro de sábado. Uma semana de muita propaganda, só pra encher minha cabeça de idéias (e quem já leu pelo menos dois textos meus sabe que não há nada que me incomode mais que as expectativas) e pronto, um encontro regado a muito álcool, funk e vexame, que não deu certo, é claro. Na verdade, deu, mas não deu. Foi um início, eu acho, mas vai levar tempo e eu não sei esperar. Ficou da data, minha primeira ressaca e uma dor absurda na coluna, não sei como tenho dormido. Até aí, tudo bem. Esses encontros arranjados assim tendem mesmo é ao fracasso. Estranho seria se tivesse dado certo. Mas nada pode ser tão simples assim pra essa cabeça oca. E eis que, desde então, eu tenho pensado demais nisso. Demais mesmo, eu diria. Não, não estou apaixonado, nem amando-para-sempre, mesmo porque eu demoro bastante pra chegar a esse estágio. Mas já tive dezenas de encontros (fracassados ou não) e poucas vezes eu pensei tanto assim depois. Para ser mais exato, acho que essa é a primeira. Não sei se é o gosto pelo mais difícil ou o mais real e verdadeiro azar, em sua forma mais pura. Só sei que está engraçado. Eu me pego fazendo planos, sabe? Lembrando, rindo, querendo. Lembra o que eu já falei sobre EXPECTATIVAS? Então! A minha esperança é dormir bem e esquecer, ou distrair minha cabeça com qualquer outra coisa menos complicada. No fundo, se eu for mesmo doente, daqui a pouco me apaixono por uma planta e opa, nem lembro!.
E eu fico pensando em tudo isso pela simples esperança de encontrar uma resposta. Res-pos-ta. Tudo o que eu nunca vou ter, mesmo porque não faz sentido e eu sei disso. Quando eu for rico, serei excêntrico. Por enquanto, tenho que torcer para ser apenas diferente. Porque “diferente” pode ser inteligente demais. Ou louco demais, eu sei. Mas crio expectativas...

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