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segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Derrota passo a passo


Ok, hoje é domingo e, agora, são 23:18. Todas as pessoas da casa dormem e, por acaso, isso é o que eu também deveria fazer nesse momento, já que, manhã, preciso estar BONITO (e, por “bonito”, entenda “de terno e gravata”) às oito em ponto. Como eu devo pegar uma carona, provavelmente estarei pronto às 6:30. Oba, essa é a minha vida.
Tá, nem tanto. O simples fato de ser domingo e eu estar escrevendo no
note sozinho e trancado no quarto não faz de mim um derrotado. Pelo menos, não um COMPLETO derrotado. Talvez um parcial ou avançado, mas não completo, é claro. Eu tentei ver TV, mas ela não quer funcionar. Meu irmão me expulsou da internet e não há nada a fazer além de dormir. Talvez por isso eu não queira. Meu corpo está doendo do meu arrombo esportista de ontem e sei que meu dia amanhã será puxado. Mas dormir por total FALTA DE OUTRA OPÇÃO é tão triste.
A questão da internet é um pouco tensa. Antes, o computador ficava no meu quarto, e só eu, Deus e meu irmão sabemos o quanto eu fiz esse último sofrer. Impunha horários, expulsava do quarto, escondia os cabos. Agora, eu tenho o meu próprio computador e, chuta!, o
da casa foi pro quarto dele. Já é um absurdo eu ter passado todos esses anos com internet discada e, um dia após a “mudança”, contratarem a internet a cabo. Mas tudo bem, eu vou ter wireless e minha vida será diferente. Prometi ler e-mails sentado no vaso, ou embaixo da mesa da copa, só para CHOCAR. Só que eu não sei quando terei essa porcaria de internet sem fio (primeiro, porque eu não tinha dinheiro; agora, porque não tenho tempo para fazer orçamento, comprar, instalar... é difícil até ganhar as coisas hoje em dia!), e, sabendo disso, o meu irmão querido está aproveitando cada segundo para se vingar de tudo o que eu já fiz. Tudo bem que eu realmente nunca fui legal. Mas, poxa!, ele é bem pior que eu! Porque uma coisa é você fazer com o próximo o que não gostaria que fizesse com você, mas outra, bem diferente, é você fazer com o próximo exatamente o que já te fizeram apenas por saber que realmente NÃO É LEGAL. Eu desconfiava que era filho da puta, ele sabe. E adora!
A da TV poderia ser mais simples, mas não é. Na verdade, é e não é. É, porque assistimos a dois filmes agora no DVD e eu não sei mais voltar a TV para a programação normal. Com a internet
do meu irmão, veio uma TV a cabo, que deve ser do meu pai. Agora, o DVD tem um controle, a TV tem outro e a TV a cabo um terceiro. E é lógico que eu não sei usar nenhum! E, como eu já disse, acabo de assistir a dois filmes, duas COMÉDIAS ROMÂNTICAS das mais previsíveis. E não há nada pior que uma comedia romântica previsível para uma pessoa derrotada num domingo a noite.
Foi divertido, eu não nego. Meus primos estavam aqui e rimos como crianças. Mas não tem como não pensar que a vida poderia (poderia?) ser daquele jeito. Simples e bonita. Por que é tão difícil ENCONTRAR alguém e se apaixonar? Na verdade, não sei se só acontece comigo, isso é até muito fácil. Eu vivo me apaixonando por todo mundo. Paixão é a coisa mais gostosa que existe. Os olhares, o constrangimento, a falta de palavras... eu adoro. Mas esse encantamento dura pouco no meu caso. Às vezes, até ser correspondido. Noutras, acaba até antes disso. Eu me apaixono para me sentir vivo, e quero que se apaixonem por mim para me sentir interessante. Mas passa. E dá uma preguiça...
O que difere as minhas paixões das dos filmes é o desejo de continuidade. Porque eu não sei se quero encerrar a minha historia com um “viveram felizes para sempre”. Espera aí! “Viveram” é plural. E eu quero viver para sempre com alguém? É esse o ponto que me atormenta. Eu acho que não, que não quero. Ou que não posso, não sei. Mas eu não agüento ninguém por muito tempo. Para ser sincero, eu não gosto nem de mim o dia inteiro. Eu me canso às vezes. E o que mais agrada aos outros é o que mais me incomoda. Queria uma pessoa divertida como eu, que tivesse senso de humor e sempre algo criativo a dizer, mas não muito. Por mais criatividade que se tenha, a certeza de que algo será dito já torna as coisas previsíveis. Quero alguém inteligente também, que eu admire, mas do meu jeito. Que aprenda rápido, mas não seja culto demais. É chato saber as coisas, o gostoso é aprender. E quero alguém que goste de coisas diferentes, ora fúteis, ora não. Mas de tudo um pouco, pra vida não cair na rotina nunca. E é sempre bom pedir “boa aparência” a Santo Antônio, afinal, eu quero álbum de casamento. Mas também tenho medo de gente bonita demais. Não quero que pareça caridade.
É como se eu me amasse demais, não parece? Quem lê pensa que quero encontrar alguém igual a mim, e é isso que me apavora. Porque eu não quero! Eu não me agüento, não me suporto. Quero alguém muito melhor, que eu admire, idolatre. Que me faça ver, todos os dias, o quanto eu ainda preciso melhorar e aprender. Mas é difícil de encontrar. Não que eu seja bom demais, mas é que me esforço para isso todo o tempo. Sou competitivo e passo a vida tentando ser o melhor possível. Quero ser o mais bonito e parar o trânsito por onde quer que eu passe; quero ter as melhores notas, e ouvir o burburinho impressionado dos professores; quero ser o melhor estagiário de todos os lugares em que trabalho; quero dar conta do maior número possível de tarefas, e executar todas com brilhantismo. Enfim, quero ser a perfeição que procuro. E ela não existe. O silogismo é simples. Quero alguém melhor que eu e quero ser o melhor de todos. Fácil entender que, se eu não consigo, é possível que seja mesmo difícil. Ou, talvez, essa perfeição não exista.
Pretensão? Nenhuma. Na verdade, isso tudo é uma carência sem fim, uma insegurança do tamanho do mundo. Essa vontade de ser bom não é uma busca por elogios, mas por compensação. Não penso que dirão “veja como ele é bom”. Na minha cabeça, o discurso de todos sempre será “MAS veja como ele SUPEROU”, por que sinto como se já começasse a vida com pontos negativos. Seja gordo, seja feio, seja burro, lento ou infeliz, eu sempre me sinto atrás de todo mundo, tentando vencer essa corrida sem fim.
O que isso implica, eu não sei. Mas acho que é hora de mudar ou aceitar. E talvez não seja tão ruim viver sozinho (porque
mudar, percebam, não está tanto assim nos meus planos). O primeiro passo para uma vida afetiva fracassada eu já dei há mais de dois anos: um blog. O segundo, um bom emprego, já está nos meus planos. Tomara que o último não seja um suicídio! Que finalzinho deprimente...

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