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quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Voto de Silêncio

Poucas coisas me distraem e encantam tanto quanto discutir. Acho que, desde criança, colecionei opiniões polêmicas exatamente para ser sempre combatido. Adoro uma boa briga. Minha presença “pesa o ar” das reuniões, e minhas mensagens são sempre as mais respondidas nos grupos de e-mails. Aliás, eu coleciono e-mails desaforados, sou o terror de qualquer caixa de entrada.

Meu namoro começou com uma discussão de relação – e sinto que acabou porque não chegamos a nenhuma conclusão. E todos os meus relacionamentos menores acabaram pelo mesmo motivo, falta de argumentos para me convencer. Porque não sou teimoso, mas bastante exigente. Não tenho vergonha de mudar de idéia, mas preciso ser realmente convencido disso. Mudar é a lei da vida, gente. Só é preciso persuadir então.

Agora, entretanto, parece que eu não quero mais. Não sei o que me deu, mas sinto uma PREGUIÇA! Minha mãe passou cerca de quarenta minutos no meu quarto agora (odeio chegar mais cedo), recitando pequenos e médios desaforos, já armada à espera do meu estouro para soltar os grandes e gigantes. E eu não abri a boca.

Precisei pedir dinheiro ao meu pai (tudo bem que quem pede dinheiro ao pai no alto de seus vinte anos de idade merece mesmo toda sorte de ofensas), ele me tratou mal e eu saí sem nem terminar a frase introdutória. Normal, porque eu começo a falar com ternura, ele sabe que é dinheiro, corta logo, e eu insisto. Só que eu não insisti, dei boa noite e fui pro quarto. Ele até veio atrás saber o que era e me deu o dinheiro (pasmem!). Deu também uma bronquinha merecida (é que eu tenho ainda um pouco de dificuldade para entender o funcionamento do meu cartão de crédito) e só.

Na faculdade, meus queridos “admiradores” estão armando toda uma cilada para mim. Deve acontecer essa semana inclusive. Uma reunião inteira cheia de gente querendo me matar. E eu estou bem pensando em nem aparecer. Preguiça!

Encontrei dois textos na minha mochila hoje. Um no meu estojo, de cerca de uma ou duas semanas, escrito em forma de fábula (para não perder o costume) única e exclusivamente para ensinar alguma lição a alguém que já morreu. Outro amassado no fundo de um bolso, mais que bobo e romântico, escrito num momento de pura paixão, que eu já tinha até esquecido, dedicado a gente morta que estava viva à época, e morreu sem ler (amém!).

Há, ainda, mais um episódio de “Titia é o Caralho” escrito em tópicos e um desabafo imenso do pior dia da minha vida, ambos salvos no computador, esperando um mínimo de atenção e empenho na revisão. E falta começar e terminar o próximo que me comprometi a escrever, sobre um “conceito” que ouvi dia desses numa conversa com o meu antigo grupo de amigos. “Antigo” porque tivemos um problema e estou com preguiça até de pôr tudo em pratos limpos.

E esses textos estão (e permanecerão) guardados porque eu tenho preguiça de os divulgar e enfrentar a (ainda que pequena) polêmica que gerarão. Não quero, não vou, não agüento mais. Preguiça de gente atribuindo sentimentos e emoções aos meus atos, preguiça de gente que se sente perseguida por mim, preguiça de gente que veste minhas carapuças.

Meu twitter anda abandonado, nenhum dos meus dois celulares tem crédito (e eu não vou colocar) e estou enrolando todo mundo com quem prometi me encontrar em breve. Porque, ainda não sei o motivo, não quero conversar. Estou sendo o pivô de uma separação (porque tem gente que me vê como “ameaça”) e ainda nem tive vontade de me explicar. Cansei, sabe? Sinto como se tudo isso não me levasse nunca a lugar algum. Estou cansado de discutir em vão, de dizer sempre as mesmas coisas, de não ser convencido, de não concordar nem conseguir convencer. Parece que o que é dito por mim já entra no embate enfraquecido, pelo caráter agressivo que atribuem a quase tudo o que falo ou faço. As pessoas já esperam meus gritos, meus desaforos, e estão sempre armadas contra mim, sempre prontas pra se “defenderem” de mim.

E não sei mais se quero isso. Na verdade, eu quero sim, eu gosto. Mas preciso de férias. Preciso ficar quietinho, só ouvindo. De preferência, qualquer barulho que não uma voz humana. Numa praia ou num mosteiro. Para 2010, Papai do Céu, anote aí, eu quero só silêncio!

2 comentários:

  1. Eu poderia até citar alguma frase de Platão ou Freud para tentar entrar no âmago do seu ser e te mostrar que tudo tem uma explicação inconsciente. Mas quer saber? SUMA! Sério! E principalmente, aproveite o tempo em que estiver sumido. Você está tendo uma oportunidade ímpar de se refugiar longe do que te aflinge. Se você vai estar "curado" quando voltar, sei lá. Mas esse tempo longe vai aflorar algum sentimento seu. Se enfatizará o que você já está sentindo, ou se vai fazer você mudar seu ponto de vista, só vai depender de você.

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  2. gostei bastante - e me identifiquei também. sabe, chega uma hora em que a gente se cansa. eu estou vivendo esse momento há algum tempo...

    viva!

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