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quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Aspirador

Terça-feira, 22 de dezembro de 2009 – 21:56

Cena 1:

Roberta: - Eu não conseguiria trabalhar nesse lugar. Olha o tamanho desse carpete! Deve ser um ninho de ácaros...

Caio: - Nada! Algum mexicano deve limpar isso periodicamente. Eu tenho alergia a tudo e nunca espirrei.

Cena 2:

Lucas: - Você viu que, agora, tem uma lista pregada com tudo o que nós precisamos fazer pra fechar a sala do ski checking?

Caio: - Como assim?

Lucas: - Uai, a Joanna pregou uma lista lá com o que os meninos que estiverem por último têm que fazer. Nossa, um tanto de coisa. Recolher lixo, fazer inventário, conferir telefone, até aspirar o carpete.

Caio: - Aspirar o carpete? Ai, meu Deus! Mas, hoje, os últimos seremos Brandon e eu.

Lucas: - Ah, então você vai descobrir...

Cena 3:

Brandon: - Come on, Caio, please.

Caio: - Nooooooo!

Pois é. Passei a última uma hora da minha vida aspirando carpete no trabalho. Estou péssimo. Física e moralmente. Física porque quase precisei engatinhar para usar o aspirador. Aquilo foi feito para donas de casa anãs. E moralmente porque fui mimado a vida inteira. Sempre fui o “inteligentezinho”, o “cheio de opiniões”. Em tudo o que fiz parte, minha participação era “intelectual” ou quase. Eu sempre tinha que pensar, opinar, ajudar a fazer as coisas melhores. Aqui não! Aqui, eu sou só MAIS UM J1 que só precisa estar limpinho e limpar as coisas. Muito triste, sério. Não é pretensão, é tristeza mesmo. Não há nada em que eu possa acrescentar porque não há espaço para acréscimos. Meu trabalho é chato, mecânico, cansativo e burro. Repetimos uma série de movimentos ridículos e sem nexo algum, que poderiam ser substituídos ou minimizados com um pouquinho que fosse de criatividade ou organização. Mas não! Não é necessário melhorar.

Passei o dia fazendo a coisa menos inteligente do mundo. E, cansado de tanta estupidez, mudei duas coisinhas pequenas no COMO FAZER, que já agilizariam o trabalho e o tornariam menos retardado. E fui REPREENDIDO. Nas DUAS vezes. Na primeira, meu chefe perguntou POR QUE EU ESTAVA MUDANDO O SISTEMA. Na segunda, disse que somos um “time”, que precisa trabalhar DO MESMO MODO. Do mesmo modo estúpido, ele quis dizer, né?!

Ah não. Não agüento. Tenho dificuldade em conviver com o previamente estabelecido, eu gosto de subverter. Duas semanas naquele ski rental e eu já sei que aquilo poderia ser bem mais rápido e eficiente e menos cansativo. Mas não pode não. Eles já têm um sistema.

Odeio me sentir dois simples braços, sem nenhum cérebro no meio do caminho.

Odeio meu trabalho.

Odeio meu uniforme, odeio neve, odeio frio, odeio tudo.

Levei um baita tombo na neve, gente, desculpa. Tombos me fazem repensar a vida sempre.

p.s.1: a visita de ontem se excedeu um pouco na bebida e desmaiou no banheiro. Acordou no outro dia abraçado à privada, todo sujo de vômito e com um corte na testa (resultado de um tombo horroroso). E ainda PEDIU DESCULPAS PELO TRANSTORNO e PERGUNTOU se pode voltar outro dia. Gente, Deus permita que eu nunca pague língua, mas acordar no banheiro de alguém sem me lembrar de nada é motivo suficiente pra eu esquecer o endereço e sumir sem ser visto para todo o sempre. Nem TCHAU eu diria. Nem pegadas na neve, deixaria! Gente, cadê os critérios?

Um comentário:

  1. Acho que vc vai precisar passar mais uns seis meses aí até estar totalmente pronto pra ser funcionário público...

    Saudades de vc!
    Não acredito que vamos comemorar dois anos e vc vai perder a festa!

    Beijos.

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