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quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Coisa de J1

Segunda, 21 de dezembro de 2009 – 23:38

Ontem, eu passei o maior frio de toda a minha medíocre vida, amém.

Resultado imediato disso, minhas perebas voltaram com força total. Minhas pernas estão super empelotadas outra vez. E isso prejudica um pouco o meu senso de humor (e o meu amor ao próximo), como não poderia deixar de ser. Trabalhei no ski valley ontem, em dupla com o Philippe (que mora comigo), o menino mais malvado daqui – e o mais divertido, conseqüentemente. Foi o dia mais puxado até hoje, mas tocaram A PEQUENA SEREIA ao vivo e isso compensa qualquer coisa. Além disso, ganhamos quarenta e dois dólares de gorjeta, foi lindo!

Conheci uns brasileiros que estão aqui também, mas como hóspedes. Estava atendendo o homem quando a mulher perguntou se eu era brasileiro e disse ter reconhecido pelo sotaque. Sotaque é quase um eufemismo, já que INGLÊS RUIM não necessariamente é sinônimo de BRASIL. E duas meninas (hóspedes também) ainda me assediaram gritando YOU’RE SO CUTE quando passei perto, no final da noite, suado e descabelado. Quase acreditei mesmo.

Falando em assédio, Philippe estava paquerando horrores uma menina que trabalha no quiosque perto da gente, e comentávamos em voz alta. Ele chegou até a dizer que ela era “mais bonita vista pelo vidro”. Os comentários estavam engraçadíssimos até que ela veio até ele e disse OI, TUDO BEM? Pois é. Era brasileira também. E estava ouvindo tudo.

Quando os skis e snowboards estão sem nome, a gente precisa escrever e pregar as “nametags”. Mas o povo aqui chama REINHOLTS, BISTRAIN, HEIMFELDS e coisas do arco da velha. Aí, eles soletram o nome enquanto a gente anota correndo. Só que eu só sei o alfabeto em inglês cantando aquela musiquinha “ei bi ci dí i éfe di”. Aí eles dizem “uai” e eu preciso cantar tudo até chegar no Y. Minhas nametags, eu imaginava, deviam ser as piores e mais erradas. E meu objetivo era ter uma oportunidade de as refazer um dia. Ontem, então, um homem soletrou um sobrenome tão grande e estranho e foi embora tão rápido, que prometi corrigir hoje. Só que eu tinha acertado. Cheguei hoje pra conferir e estava CERTO. Cer-to! E o sobrenome era BINRTLITT. BINRTLITT, eu repito. Falo inglês demais, não falo? Escrever isso é falar inglês demais, meu Deus!

Meu dia hoje foi horrível no trabalho. E acho que só para mim, porque minha chefe estava SALTITANDO. Vergonha alheia transbordando em mim.

Fiquei em trio com um americano que já conhecia e um velhinho que apareceu lá agora: Steve. Steve deve ter, de trabalho no resort, pelo menos três vezes o que eu tenho de vida. E isso, por algum motivo, o faz se sentir meio CHEFE de todo mundo. Passou O DIA me dando ordens e desmandando fazer as coisas que a minha chefe-realmente-chefe me mandava fazer. E quis me ensinar, de novo, TUDO o que já aprendi. Foi UM SACO. Já fiz dois treinamentos (o correto seria fazer um só, mas, não sei por que, me mandaram fazer o mesmo duas vezes) e precisei rever TUDINHO hoje. Qualquer pergunta simples que eu fazia a alguém, ele respondia explicando TODA a teoria que eu já sei, obrigado.

E ele me dava tantas ordens, que chegou ao cúmulo de me mandar almoçar às 10:49 da manhã. Desse jeito. Até resisti e não fui, mas ele bem mandou... já não estava gostando muito dele, quando, de repente, ACHO que o ouvi dizer que não faria não sei o quê porque aquilo era “coisa de J1” e ele não era J1. Só que EU SOU J1 e me ofende um pouco saber que determinadas funções são reservadas apenas aos membros da minha baixíssima classe social. Não bastasse, o ordinário fez uma fileira de skis, deixou TODOS caírem e NÃO ARRUMOU. Arrumar bagunça de velho gagá deve ser COISA DE J1, né?! Velho gagá que nem sabe falar meu nome e me chama de algo parecido com Tchéu.

Estávamos guardando nossas gorjetas numa caneca, que ficou LIMPINHA no exato momento em que saí pro almoço. Fiquei tenso pensando que teria que BATER no velho ladrão de gorjetas e reclamei logo com ele, que se explicou dizendo que tinha guardado mas dividiria igualmente entre todos depois. Ganhei 9 dólares e nunca vou saber se o vigarista me roubou. Mas, né?! Acho que ele queria era não me dar nada, já saí lucrando.

Pelo menos, descobri que posso patinar no gelo de graça todos os dias e já vou até acordar mais cedo amanhã. Adoro patinar no gelo! Eu não sei como não me disseram isso antes, já que é o Guilherme quem trabalha na patinação no gelo, mas antes tarde do que nunca. Aproveitarei bem os próximos dias.

Em relação a aproveitar os dias, hoje eu lavei as roupas da casa, recolhi lixo e ainda dei uma ajeitada na cozinha. Com a ajuda dos meninos, claro. Tanto que deu até tempo de cochilar horrores depois.

Agora, já são mais de meia noite e temos uma visita não muito querida por uma parte significativa dos moradores dessa casa e eu estou sentado e mal humorado no sofá. Vou comer e dormir, porque minha programação para amanhã é intensa. Ski bunda, patinação no gelo e muitos sanduíches, tudo de graça – uma das meninas aqui trabalha na deli do hotel e contou que, às 11 horas, é obrigada a jogar NO LIXO todos os sanduíches feitos no início da manhã que não foram vendidos. Vamos AJUDÁ-LA nisso amanhã. =)

E preciso dormir e acordar mais feliz que nunca, porque super acho que tinha alguém tentando me tirar do passeio de amanhã cedo. E eu adoro gente que tenta me tirar dos programas!

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