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segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Derretimento Global

Segunda, 14 de dezembro de 2009 – 12:35

Pra começar, eu prometi esperar Guilherme, Raissa e Lucas hoje com algo pronto pra comer, e, claro, não vou cumprir. Não só por preguiça, mas eu nem sei a que horas eles vão chegar. Chance nenhuma de eu passar o dia na cozinha, ou começar a preparar alguma coisa e interromper todo o processo para esperar.

Daí que eu esqueci de contar algumas coisas sobre ontem. Na verdade, eu não esqueci, elas só não faziam sentido, e, agora, fazem. Primeiro, Fernando e eu acendemos a lareira ontem – e tiramos foto!

Tão legal ter lareira!

Descobri que o Fernando estudou no Colégio Militar de Brasília (e eu, pra quem não sabe, estudei no Colégio Militar de Belo Horizonte) e nosso assunto em comum triplicou. Depois, eu descobriria que ele adora cantoras (que eu chamo de Divas, e ele chama apenas de cantoras) e nós viraríamos a noite na sala (com a lareira já apagada) ouvindo Shakira, Colbie, Ivete e Daniela Mercury.

Enquanto passeávamos pela cidade ontem, vimos um termômetro marcar 29 graus. A temperatura aqui é medida em Farenheit, e 32F é o mesmo que zero graus Celsius. E isso deu início à primeira das nossas – já inúmeras – discussões intelectuais (viemos de colégios militares, ele estudou na UnB e eu estudo na UFMG, crescemos sendo chamados de elite intelectual do país, nenhum de nós sabe dar o braço a torcer!). Ele disse que estávamos perto dos zero graus, e a noite estava mesmo mais quentinha que as últimas. Eu, entretanto, não concordava com o termômetro (porque eu não confio em nada que não seja eu, né?!) e justificava minhas dúvidas com base no ponto de fusão da água (Fernando quase morreu de rir, dizendo que meu terceiro ano é “mais recente mesmo”, já que ele nunca se lembraria disso). Se estivéssemos perto dos zero graus Celsius, a cidade inteira derreteria a qualquer momento. E lembro de ter falado bem alto que não estava gostando da neve e do gelo, mas preferia não estar aqui quando tudo resolvesse derreter. Deus devia estar distraído na hora e entendeu errado, porque A VIDA ESTÁ DERRETENDO AQUI HOJE!

Acordei por volta das 10 da manhã, Fernando tinha ido trabalhar e eu não tinha nada pra fazer até os meninos chegarem – o que pode acontecer agora ou daqui a 5 horas, sei lá! Mas olhei pela janela, aqui da minha varanda, e vi algo muito parecido com o sol. Prestei mais atenção e o lago reluzia azulzinho. Não acredito muito nessas coisas de energia não, mas fui TOMADO por uma alegria de viver que ainda não tinha sentido desde que conheci a neve. Tomei banho, vesti toda a roupa necessária para sobreviver na neve, e caí no mundo em busca do píer.

No caminho, conheci a piscina do condomínio, e aproveitei pra pedir informação pra um esquisito que estava abrindo caminho na neve com um carrinho. Ensaiei meu “hello good morning how can I go to the pier?” e preparei o “gracias” para caso ele respondesse em espanhol, mas ele falou um tanto de coisas em alguma língua que eu jamais entenderei. Acho que era a mistura de duas línguas e acho que a dele era presa também, só pode! Agradeci e saí correndo antes que ele ficasse nervoso com a minha cara de interrogação.

Dei a volta na piscina nadando na neve e encontrei uma escada coberta de neve que levava ao píer, finalmente. Posso dizer que ESQUIEI descendo a escada, viu?! Momentos de pura emoção.


O caminho até o píer também estava todo coberto por neve. Mas eu estava feliz (lembra?) e atravessei um pedaço até correndo! O píer tem uma vista linda mesmo. O lago, as montanhas, a água, as casas daqui. É tudo muito lindo e vale a pena a caminhada.




Acontece que eu caminhei tanto nesse derretimento generalizado que, pela primeira vez em muitos dias, senti calor. Já nem me lembrava dessa agradável sensação. Comecei pelas luvas, depois o gorro, e voltei pra casa de calça jeans e camisa de manga curta, carregando aquele tanto de roupa de frio pesada. Fiz até um charminho com o cachecol, enrolando ele na cintura.

Amanhã, vou a Reno, cidade “grande” aqui da região, levar meus documentos pra tirar o Social Security (algo como o CPF dos estrangeiros) e farei compras, finalmente, no Wal Mart! Hoje, vou passar o dia em casa, esperando os meninos de bermuda e chinelo, indo à varanda toda hora ver a neve das árvores derreter e cair em cima dos carros estacionados e lendo o livro maravilhoso que o Fernando trouxe enquanto ele não estiver por aqui (2582 tirinhas do Garfield), já que os meus dois livros já acabaram e ele vai demorar a terminar pra poder me emprestar.

p.s.: eu nem tinha mostrado as fotos da esterilização em massa, né?

p.s.2: lembra quando eu disse que enfim estava vendo a neve cair do céu?

Depois, eu contei que a neve estava tomando conta da minha varanda, lembra?

O que eu esqueci de contar é que Fernando e eu conseguimos, com muito jeitinho, uma SHADOW (acho que é assim que escreve).

E olha como ficou limpinho!

p.s.3: por último, lembra que eu disse, num dos primeiros posts, que tinha pregado as fotos que ganhei dos meus amigos na minha despedida na parede aqui do quarto e estava super me sentindo no BBB? Hahaha. A prova:

p.s.4: estou adorando esse quase calor que está fazendo aqui hoje. Só o que lamento é saber que, por conta dele, vou ficar uns bons dias desempregado... =/

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