Páginas

sábado, 26 de dezembro de 2009

Feliz Natal =)

Sexta-feira, 25 de dezembro de 2009 – 23:31 (Natal)

Esse foi o pior natal da minha vida. Não por ontem, de forma alguma. Hoje. Especificamente HOJE. Meu dia de ontem foi lindo, mas hoje foi COVARDIA... Comecemos por ontem então:

Fizemos uma ceia aqui em casa, pros 10 moradores (que eu chamo de “minha família”) e alguns convidados (todo mundo que não tinha “família” ou precisaria passar o natal sozinho dentro de algum quarto de hotel). Foi lindo mesmo. Por incrível que pareça, eu adoro as pessoas daqui. Vieram uns estrangeiros esquisitos também (nossos vizinhos, um da África do Sul e dois da Nova Zelândia), que bateram na porta dizendo que precisavam recolher o carrinho de compras que mantemos seqüestrado aqui em casa e acabaram ficando. Até queriam esperar nosso peru ficar pronto, mas demorou demais e foram embora. Não gostei deles, não merecem detalhes.

O ponto ápice da noite foi o nosso amigo oculto. Sorteamos um amigo oculto de cartão de natal na véspera e eu tirei a Ana. O combinado seria cada um comprar um cartão bem bonito e escrever alguma mensagem, mas cheguei quando o supermercado já estava fechado e precisei improvisar. Escrevi uma cartinha linda numa barra de chocolates e achei que arrasaria na originalidade, mas teve até cartinha em papel higiênico – morri de medo.

Adoro a Ana, ela é quietinha, caladinha, sempre na dela, mas uma excelente companhia. Boa de papo, carinhosa, atenciosa... meio mãezinha de todo mundo. O cartão que recebi foi o melhor de todos. Quem me tirou foi o Leo, nosso bebezinho aqui. Ele tem 18 anos, mas parece ter BEM MENOS e é o típico filho que deu certo: educado, higiênico, bonzinho. Conversa com todo mundo, não faz bagunça, ajuda nas limpezas, fala baixinho, pede por favor... uma gracinha. Como alguns dos meus transtornos obsessivos compulsivos já viraram piada na boca de todos, meu cartão foi escrito com os erros ortográficos mais cruéis que já vi, e no verso de uma caixinha (SUJA) de tortinha (as tortinhas de que eu tanto falo). Foi LINDO, todo mundo adorou. Demorei HORAS pra ler até o fim. Desisti várias vezes no “CEMPRE XEIO”, e precisei voltar pro começo. Está pregado na parede do meu quarto, foi o ponto alto da noite com certeza.

Fizemos um peru também e metade dele ficou deliciosa. A outra, branca, crua e nojenta. 50% de sucesso.

De presente, ganhei a notícia de que passei em todas as matérias. TODAS. Sei que isso não deveria ser uma preocupação, já que não passa de uma OBRIGAÇÃO mesmo, mas estava morrendo de medo pelas provas que não fiz. Mas deu. E, como bem adiantou a Janaína, descobri que quem passa com D vai pro mesmo lugar que quem passa com A e minha carreira acadêmica encontra-se seriamente ameaçada agora. Cheguei destruído do trabalho (agora, dei pra fazer “hora extra” - #odeiomeutrabalho) e quis dormir um pouquinho antes da ceia, pra ter forças pra sorrir. Minha mãe ligou nesse intervalo e eu não sei o que falei com ela. Espero ter sido gentil.

A ceia foi ótima, o arroz estava grudadíssimo, mas muito gostoso. Comemos, rimos, ninguém ficou bêbado, ninguém vomitou, ninguém pegou ninguém, maior clima familiar...

Trabalhei hoje de novo. A princípio, trabalharia apenas de 3 as 7, mas fiquei de 2 as 8 (fazendo hora extra) por causa do “movimento”. Daí ter sido o pior natal da minha vida. Depois de um 24 lindo com meus amigos queridos, um 25 enfiado naquele “depósito” de esquis, descarregando carrinhos, me molhando com a neve, ouvindo CHRISTMAS MUSIC STATION e em dupla com o menino com quem minha relação é mais “delicada” aqui (leia-se “chato”). Em honra ao aniversário de Jesus, entretanto, fui um bom menino durante todo o dia. Fiz tudo o que ele me pediu (e até o que não pediu), não reclamei, colaborei, fiz cara boa... ambiente HARMÔNICO definiria. Lucas e Philippe ficaram no Ski Valley hoje (onde rolam as gorjetas) e HUMILHARAM o meu antigo recorde de 42 dólares. Ganharam 72. Estou em choque. Natal, né?! Povo se espiritualiza, só pode!

Prometi TANTO tirar foto com o Papai Noel, que não tirei coisa nenhuma, é claro. Ah nem, preguicinha. E nem era longe, foi MUITA preguiça mesmo.

Patinei HORRORES depois do trabalho. Philippe já está andando direitinho, Raissa aprendeu em meio minuto, Fernando (outro, não o que mora comigo) já era craque e o Lucas ainda está morrendo de medo. Mas nos divertimos muito. Philippe empolgou e quer patinar todo dia. Até março, faremos manobras radicais e tudo mais. Sobre o Philippe, ainda, preciso dizer duas coisas rápidas: a primeira é que as pessoas nos confundem (e eu acho engraçadíssimo, porque não tem nada a ver) e a segunda é que ele tem uma admiradora nada secreta que quer ser minha amiga só para se aproximar dele (o que deve ser uma estratégia muito comum, visto que não é a primeira vez que acontece comigo) – e me chama de FOFO, de XUXU e diz que ME ADORA desde que nos conhecemos, há TRÊS dias.

Mas, voltando aos patins, aprendi a fazer voltinhas, continuo sendo o único da turma que ainda não caiu (e nem posso mais cair, já que é esse o momento mais aguardado agora, né?!) e, pela primeira vez, perdi a sensibilidade nas orelhas e no nariz. MEDO. Parece que a cara inteira está anestesiada, é muito estranho.

Tenho recebido e-mails lindos comentando meu “diário de viagem” e estou adorando. Não é papo de BBB esse negócio de que MENSAGENS DOS AMIGOS FORTALECEM. Adoro ler e reler esses recadinhos legais, e tenho recebido vários, de amigos queridíssimos e muito importantes. Que bom saber que vocês se “divertem” com meus relatos. Escrever no blog tem sido minha principal – e mais gostosa – distração. Agora, algumas pessoas daqui da casa decidiram que querem ler também. Não quero que isso aconteça. Não dei o endereço e não darei. Não sei se estou preparado para conviver com pessoas que podem ler o que eu escrevo (muitas vezes sobre elas) em tempo real. Não mesmo. E, nessa discussão conta-não-conta-o-endereço, já ouvi até umas coisinhas que não queria. Melhor não. Mesmo.

Um desses e-mails pedia pra eu fazer um post especial sobre minhas paixonites e já aviso que isso não acontecerá. E por vários motivos: muita gente lê isso (incluindo familiares); tudo o que é escrito fica eternizado; tudo o que fica eternizado pode ser usado contra quem escreveu; a paixão número 1 perdeu completamente a graça; a paixão número 2, como eu já disse, decidiu tirar para todos os lados – e eu gosto de me sentir importante –; e só o que tem ocupado meus hormônios é a paixão número 3, mas prometi não pensar nisso e preciso cumprir. Ah nem. Preguiça de gente. E, principalmente, preguiça de gente que mora longe. Ainda que namorar a distância seja a solução para todos os meus problemas de convivência. Melhor eu ficar na minha, carregar meus esquis e não pensar em besteira. Além do que, minha última experiência com gente que fala “onte” não foi muito boa.

Boa noite, beijos.

Um comentário:

  1. 1 - "que bom ver que, ao contrário do que parece, VOCÊ SE LEMBRA DE MIM!" (PEDRA, C., 2009)

    2 - "ONTE" é o novo preto...

    ResponderExcluir