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domingo, 13 de dezembro de 2009

Lembranças

Há datas que nos trazem lembranças difíceis de esquecer. Na verdade, as lembranças tornam-se inesquecíveis no exato momento em que as queremos esquecer. É só você querer apagar algo do passado, que ele preenche o seu presente, vai e volta diariamente pra bem diante dos seus olhos.

Mas lembranças não deveriam ser boas nem ruins. Lembranças são só lembranças. E nada mais natural que nos lembrarmos de coisas que realmente aconteceram. Os sentimentos que despertam em nós, sim, podem ser os mais diversos. E pode não ser nenhum também. Essa época do ano me traz lembranças dispersas, que me causam uma alegria momentânea e um desconforto constante e aparentemente interminável.

Mas, como eu disse, lembranças são apenas lembranças. E é assim que as tento tratar. Como uma parte do passado, que ficou lá, numa página virada do meu livro, e da qual eu me lembro, única e exclusivamente por saber que aconteceu. Não dá pra esquecer, eu sei. Mas não posso me deixar abater. Se você não pode vencer o inimigo, junte-se a ele, já dizia não sei quem há não sei quanto tempo.

Serei amigo das minhas lembranças agora. Rirei com elas, verei o quão feliz eu era, mas o quão imaturo eu fui. O quanto eu me diverti e o quanto me deixei levar e iludir. Porque antes de serem base para comparação com o presente, as lembranças do passado são as causas de muitos dos acontecimentos de agora. E eu não preciso me sentir menos ou mais feliz agora por algo que já passou. Ter passado é exatamente o que me dá certeza de que nada dura mesmo para sempre. E eu prefiro ter lembranças boas, lógico. Ainda que só lembranças...

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