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quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Versão ilustrada e (ainda mais) desavergonhada

Como eu disse, o primeiro Starbuck a gente nunca esquece.

Esse sou eu fazendo figuração num filme trash sobre as drag queens muçulmanas. Ok, mentira. Esse sou eu me protegendo do frio absurdo com apenas um cobertor roubado.

Esse sou eu sobrevivendo mais uma vez, agora na luta contra a sinusite.

Essa é a suíte em que passei minha primeira noite nos EUA. Comecei em grande estilo?

Isso porque você ainda não viu a vista da janela...

Essa placa, na verdade, eu só li quando passei a foto pro computador. O objetivo da iamgem era apenas mostrar a neve, portanto desconsiderem qualquer coisa que não seja branco e caia do céu.

E essa é só pra mostrar que sou eu mesmo, e não um fake. Ou que eu estou mesmo na Califórnia, e não em Taquaraçu de Minas buscando neve+resort no Google para me distrair nessas férias.

Na verdade, eu nem deveria postar essa foto, mas esperar por uma melhor. Estou gordo (culpa do ângulo, juro) e mal arrumado, mas é a única em que não aparece meu nariz escorrendo.

Entendo a sinusite. Em lugares fechados, o aquecedor esquenta minha cara e derrete as bolsinhas de catarro (ninguém tá lendo isso enquanto come, né?!), aí vem o frio e congela tudo outra vez. Toda hora, varias vezes ao dia. Daqui a pouco, a minha cara racha.

Ah, e essa é a minha geladeira, com todas as comidas congeladas do mundo e 36 latinhas de Coca Cola, porque brasileiro que é brasileiro não pode ver uma promoção...

Ontem, eu fiz um post muito depressivo, dizendo que não sabia o que estava fazendo aqui e etc. É culpa do frio, gente. Todo mundo quer repensar a vida quando neva. Mas já estou bem outra vez. Na verdade, recebi um e-mail que me fez ver o quanto reclamo de boca cheia, da minha agente dizendo o quanto eu tive sorte nessa viagem: fui um dos últimos a entrar no programa e era um dos menos preparados, precisei fazer aulas particulares de inglês pra treinar para a entrevista, e passei. Não só passei, como consegui um dos melhores empregos (ou o que ganha mais, pelo menos...). Agora, na viagem, tive lá meus problemas com a bagagem, o frio, a neve e o atraso, mas até ganhei uma noite na suíte como recompensa. Sem contar que todos têm sido muito legais comigo. Sempre dispostos a ajudar e atenciosos também.

O que está me matando e ficar o dia inteiro sozinho nessa casa imensa. E nem dá pra sair e passear porque o frio não me deixa fora por muito tempo. Descobri que sou o maior medroso do mundo. Ouço vozes, passos, vejo vultos. Quase morri quando a campainha tocou (e era a Melanie, minha nova amiga da administração, pra me ensinar a ligar a TV). Não tenho ninguém pra conversar e passo o dia lendo, escrevendo e-mails ou fazendo compras.

Essa é outra parte complicada. Moro “perto” de um supermercado e minha única diversão tem sido comparar preços. Achei um fio dental aqui hoje, de 50 metros, por 5 dólares. Se soubesse, teria trazido quilômetros e estaria rico a uma hora dessas. Shampoo também é caríssimo, assim como aquelas coisinhas gostosas de padaria. Como bom mineiro, estou acostumado a broa e queijo no breakfast e precisarei trabalhar muito se quiser ter esse padrão de vida aqui. Um pedaço de broa é o preço de um Big Mac. Pão de queijo NEM EXISTE!

Já tenho refrigerante, litros e litros de Gatorade, manteiguinha roubada do avião, um pão super bonitinho que comprei pra comer de manhã, pizza, e umas refeições prontas, que é só levar ao microondas. Ah, comi Burritos também. Já tinha visto centenas de vezes em filmes e fiquei empolgadíssimo quando a Diane me mostrou no supermercado, mas, oh, graça nenhuma. Comi um e ainda tem uma caixa no freezer...

Outra coisa péssima é comprar comida para uma pessoa só. Comprei UM PÃO. Porque, se eu não comer, vai estragar. E o outro menino disse que vai demorar mais um dia para chegar. Não que eu pretenda sustentá-lo, mas todas as coisas do mundo são vendidas em porções para mais de uma pessoa. Uma bosta ter que comer tudo rápido ou não comprar... Aliás, ser sozinho é ruim pra tudo. Ainda não lavei roupa nem louça porque dá até dó ligar qualquer uma das lavadoras para duas ou três peças. Mais precisamente uma calça jeans, duas blusas, um par de meias e duas cuecas pra de roupas e dois pratos, dois garfos e uma faca pra de louças. Comprei um copo lindo, verde e enorme. Fotos em breve também.

Ah, preguei as fotos que ganhei antes de vir no espelho aqui do quarto. Hermano, Gaby e Bella, agora, estão sempre sorrindo para mim. Super BBB ter fotos pregadas na parede, mas eu achei tão lindas as homenagens dos meus amigos que quis estampar os rostinhos deles na minha parede. Para quem não teve essa brilhante idéia e tá se morrendo de inveja, pode mandar pelo Correio. Imagina que máximo chegar uma carta pra mim! =)

O endereço é 300 West Lake Boulevard, CA 94145, house 127. E o meu nome é Caio Pedra, prazer.

p.s.: alguns de vocês sabem que minha mãe escolheu o meu nome entre opções como ED e OTO exatamente porque queria um nome pequeno, sem acento (tanto que meu irmão chama Tulio, sem acento!), de fácil grafia (contando já com as dificuldades que eu poderia enfrentar na escola desde a alfabetização – e, nisso, eu a admiro; lembro que, na escola, eu aprendi a escrever meu nome rapidinho, a NAYMARA, minha colega, não) e curto para evitar apelidos. CAIO. Você começa a falar e ele já acabou.

Como meus sobrenomes com certeza renderiam problemas futuros, essa idéia foi uma jogada de mestre da minha mãe. Que, aqui, entretanto, não tem surtido efeito algum. Meu nome no Resort é Caio Pedra (sim, eu tenho crachá), e já leram PEDRA das formas mais improváveis do mundo: Mr. Peter, Mr. Pitra... mas CAIO ninguém nem quis tentar. A única que arriscou disse QUEL (ou KÉU, pra ser mais enfático). É a primeira coisa que me perguntam, como se pronuncia meu primeiro nome. E eu respondo e ninguém consegue repetir. Caiôu foi o melhor que consegui até agora. E mesmo assim só porque aqui passa aquele desenho Caiô e um tano de Gente ADORA. Vai entender...

p.s.2: eu já cansei de dizer que só aprenderia inglês quando não tivesse outra opção e precisasse falar e entender para sobreviver. Pois então. Estou bem melhor hoje que ontem. Já até conversei com vizinhos, fiquei amigo de uma atendente (até porque eu moro no supermercado)... na minha primeira noite, ainda no Resort, na hora de dormir, reparei que rezei o Pai Nosso, uma Ave Maria e, depois, conversei em inglês com Deus. Mas estava com sono demais, ri um pouco e dormi. Depois, percebi, entretanto, que eu já estou pensando em inglês. Pensando e falando sozinho, o que é absolutamente preocupante porque eu morro de medo de detonar no inglês e voltar falando elas é menas bonitas ou coisas do gênero. E, para isso, o blog servirá. Se a gramática descambar demais, minha gente, pode comentar descendo a ripa. Eu mereço.

p.s.3: cogitei fazer outro blog. Preguiça de escrever nesse e o transformar em um diário de viagem. Na verdade, eu tava com medo de misturar as coisas e perder a “identidade”. Mas, então, me lembrei que a identidade desse blog é não ter identidade nenhuma e, assim como eu, mudar conforme a lua. Pensei em criar outro, temporário, só durante a viagem, ou aproveitar um dos que eu já tenho q nunca usei (fiz um para ser coletivo, porque o meu sonho é ter um blog com mais pessoas, e outro para ser diário sentimental, o que a vergonha na cara não permitiu contudo). Mas estou confuso pelo fuso ainda (mentira!) e vou escrever aqui até pensar em uma saída (o que não acontecerá, eu tenho certeza).

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