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quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Pelúcia

Sábado, 09 de janeiro de 2009 – 21:23h

Sábado derrota: mais da metade da minha casa acaba de sair pro cinema, e eu fiquei (nem sei se sozinho, porque não quero sair do quarto), porque fiz mais uma extravagância estomacal e não estou me sentindo bem. Acordei cedo, comi um mini-donut de café da manhã, um cheeseburguer no almoço e vários cookies durante toda a tarde. Resultado natural da fermentação: algo se move dentro do meu esôfago. Parece normal, mas, comigo, nunca é. Minha alimentação é horrível e eu já estou acostumado a ter dores horrorosas na barriga intercaladas com longos períodos de prisão de ventre. Nem ligo mais, juro! Mas, quando é em cima, complica, porque eu nunca vomitei (e acabei de descobrir que isso não é normal). Não lembro como era na infância, mas, desde que eu me entendo por gente, só vomitei uma vez e foi induzido. Comi alguma coisa que agarrou na minha garganta e meu pai me fez beber litros de alguma coisa que misturava água com fubá e fazia vomitar. E eu vomitei, fim. Fora isso, acho que nunca mais. E, por isso, não sei se o que sinto é vontade de vomitar, muito menos tenho disposição pra ajoelhar na privada e enfiar o dedo na garganta. Sendo assim, vou esperar a morte chegar, ou esse monstro descer de vez pro estômago, obrigado.

Sei que passei vários dias sem escrever, mas minha vida ficou movimentada de repente. Só na última semana, quatro carros diferentes passaram pela minha casa (todos alugados) e a conseqüência natural disso foi eu não parar nem um instante por aqui. Estive no trabalho, passeando ou dormindo. Só! Fiz, ao longo dos dias, entretanto, um rascunho em tópicos, sobre tudo o que de relevante aconteceu e vou contar rapidamente.

No dia 2, depois daquele reveillon vergonhoso, fui passear com o Philippe. É cedo pra dizer quem foi a pessoa mais legal que conheci aqui, ou quem será meu BFF, mas, sem dúvida, já posso dizer que ninguém me faz tanta (e tão boa) companhia quanto ele. Digo que ele é meu irmão mais velho porque as pessoas nos confundem (todos os dias, é impressionante! O povo começa a conversar com ele, se distrai, e continua a conversa comigo. E ainda briga quando eu não entendo do que se trata), porque ele cuida (e muito bem) de mim, me leva pra passear, se preocupa e conversa MUITO comigo, e me sacaneia o tempo inteiro. Avacalha minhas fotos, faz piadinha com o que eu falo, me xinga (“cê é muito tonto, meu!”). Está me ensinando como é ser irmão mais novo – e sofrer nas mãos do mais velho. Nesse dia, então, Philippe e Fernanda me levaram pra conhecer o Village, a vila comercial do Squaw Valley (o maior resort daqui). Fernanda trabalha para o Squaw Valley, mas num quiosque dentro do Squaw Creek (onde Philippe e eu trabalhamos), e eles se paqueram descaradamente. Eu era bem a favor do relacionamento, mas, exatamente nesse dia, quando fomos buscar Fernanda em casa, descobri que ela tem namorado. E, como irmão mais novo, preciso impedir que esse tipo de coisa acometa minha família, certo? Certo. Ela está aqui pela segunda vez, e nos apresentou cada cantinho do Squaw Valley. Quando o frio e a fome apertaram, escolhemos um pub e eu comi a coisa mais maravilhosa do mundo. Um crepe com massa de batata, recheado com bacon e um tanto de carne. Tinha até umas coisinhas verdes pra ilustrar!

O pub era lindo. Tinha uma banda horrorosa tocando repertório próprio e um tanto de gente loira e gorda sem ritmo nenhum pagando mico na pista de dança. O momento mais “divertido” da noite, entretanto, ficou a cargo do manoteiro aqui, que respondeu “Ixi! I lost, peraí” pra garçonete quando ela veio anotar os pedidos. Eu não aprendo, eu sei!

No dia 3, domingo, se não me engano, foi aniversário da Carlinha, meu neném. E eu não resisti e telefonei pra ela. Carlinha faz UMA FALTA pra mim, porque, ordinária, nem na internet dá as caras. Além da companhia sempre animada, eu sinto falta dos comentários maldosos, porque eu sempre lembro dela quando determinadas coisas acontecem aqui em casa. Tem uns dois ou três aqui que eu tenho certeza de que ela ODIARIA conhecer. E, sempre que eles me presenteiam com alguma pérola, eu não posso deixar de imaginar ela dizendo “ah tah, beleza então”, balançando os bracinhos e passando a mão no cabelo nervosa! Foi ótimo falar com ela, me deu saudades da Faculdade, do Brasil, de tudo...

No trabalho, minhas mãos estavam congeladas, roxas e inchadas quando um snowboard, no alto de sua independência, decidiu CAIR no chão, na frente de todas as pessoas – e durante o meu turno, ou seja, sob minha responsabilidade. Algo INEXPLICÁVEL tomou conta de mim e eu saltei contra ele. Sério. Nas CNTPs, isso jamais teria acontecido, eu sei, mas saltei como um gato e o peguei no ar. Ele bateu com força nos meus dedos e foi como estourar um balão. Fez até barulho, jorrou sangue para todos os lados e eu tenho um corte agora! Bem no indicador. Não senti nada, porque o gelo anestesia, mas foi muito estranho ver meu sangue no snow, na minha roupa e no chão. E o pior: nenhum dos meus chefes estava perto pra ver meu esforço! Se tivesse caído no chão e quebrado, CERTEZA de que estariam todos, enfileirados, assistindo ao espetáculo da minha desgraça!

A noite, saí com o Philippe outra vez. Agora, acompanhados ainda por Leo e Susse (o Susse chama Rodrigo, e esse apelido fui eu quem deu, baseado na gíria ridícula que ele usa para dizer que alguém está “tranqüilo”). Fomos a South Lake Tahoe para mais uma noite-derrota salva apenas pela Pizza Hut. Derrota porque encontramos uns amigos muito estranhos do Leo e do Susse. Sabe o estereótipo do loser dos filmes americanos? Aquele gordinho, de quem ninguém gosta e todo mundo sacaneia, e fica isolado na escola babando pelas meninas bonitas e jogando vídeo game ou brincando de carrinho de controle remoto? Então! Uns oito desses. Foi como mergulhar num outro mundo. Fomos para uma boate dentro de um cassino (onde eu – assim como a maioria deles – não podia entrar), e só o que eu ouvi foi “quero pegar mulher”, “olha que gatinha” e “mas eu sou DE menor”. Até “sabe quem está a fim de mim?” um deles disse, e foi como voltar aos 13 anos. PREGUIÇA define. Não quis – nem tentar – entrar na boate, porque morro de medo disso e abriria o berreiro se um segurança sequer OLHASSE pra mim. Além disso, vi um segurança perseguir uma menina (e até tentei ajudá-la a fugir, mas ela era burra, não entendeu o que eu disse – e gente burra tem mais é que se fuder mesmo!), levá-la pelo braço para uma salinha de onde ela saiu, minutos depois, com um 86 carimbado no passaporte. O 86 é um carimbo usado em passaportes de menores de 21 anos que burlam as leis e tentam a sorte em boates e cassinos. Dois carimbos desse e CADEIA. Fiquei com um pouquinho de dó, confesso. Mas passou.

Só o que salvou a noite foram as duas pizzas maravilhosas que comemos no Pizza Hut de lá. DELÍCIA!


Na volta, porque diversão nunca é demais, Philippe dormiu no volante. Tá, não foi bem assim. Primeiro, eu dormi no banco do carona e, por ser o único que sabia o caminho, ficamos perdidos. Como, assim, a viagem de volta demorou um pouquinho mais, ele fraquejou por uns instantes (enquanto Susse e Leo roncavam a plenos pulmões) numa reta e eu demorei um pouco a entender. O carro foi indo pela faixa amarela (do centro da pista), entrou levemente na contra mão, depois COMPLETAMENTE na contra mão e, quando o meio fio se aproximava, gritei PHILIPPE com toda a SUTILEZA que me é peculiar e todos no carro acordaram a tempo de evitar uma tragédia. Do susto, herdei umas dores estranhas e uma leve falta de ar posterior. Mas já rio disso numa boa!

No dia 4, tive uma grata surpresa tecnológica: fui conversar com minha mãe no MSN e recebi uma mensagem “Tulio está te convidando para iniciar uma chamada”. Aceitei, porque não tenho muito senso crítico pra essas coisas e as duas webcams começaram a funcionar. Como eu não sabia que minha casa tem uma webcam, pensei alto “olha, que legal, eu consigo ver a minha mãe”, e, de repente, meu computador respondeu “eu também tô te vendo, meu filho!”. Fiquei ESTÁTICO! Estático mesmo. Demorei alguns segundos pra continuar. Quase morri de frustração quando me contaram que essa é uma função básica de qualquer MSN, achei mesmo que era tipo “a surpresa de 2010”. Conversamos por um tempão, sem precisar digitar nadinha. Igual em filme, eu falava de cá, ela ouvia de lá, e vice-versa. Muito moderno. Muito legal!

Conheci uns brasileiros no hotel também. Acho que, nesse dia, conheci uma ou duas famílias. Atualmente, tem quase dez famílias imensas hospedadas aqui (uma tem DEZESSEIS pessoas), parece promoção da CVC. Os brasileiros são legais, falam minha língua, me adoram (sempre comentam com os outros brasileiros que adoram “o Caio do esqui”), mas não dão gorjetas. E isso é meio chato, né?!

No dia 5, finalmente, Guilherme encontrou um médico que sabia (ou parecia saber) o que estava fazendo, e deu um jeito na dor insuportável que o afligia. Na verdade, nesse dia, ele foi a dois médicos diferentes, pois o primeiro só identificou a infecção e drenou o pus, mas só o segundo era especialista e diagnosticou o CANAL. Agora, Gui está na corda bamba. Se infeccionar de novo – e o dentista daqui acha que vai infeccionar –, precisará voltar para o Brasil mais cedo para tratar. Se não – e o dentista dele no Brasil aposta nisso –, só precisará se alimentar bem, evitar contato direto com a neve (como?) e caprichar na higiene bucal, para agüentar até março. Pelo menos, agora, ele não tem mais desculpa pra grosseria e estupidez extremas que marcavam seu comportamento. Relevei todas as – inúmeras e duras – patadas, porque ele estava doente, sentindo dor e etc., mas, agora, acabou! Cortou, abriu, deu ponto e a vida continua. Não agüento mais todo mundo me perguntando o que há de errado entre nós e por que ele só me xinga. E, mais que isso, não agüento mais repetir que não há nada de errado (porque, se há, eu não sei o que é) e ele é só grosso mesmo. Como disse (genialmente) uma menina aqui, quem lembra do Carlinhos, filho da Usurpadora, que quebrou a perna e ficou INSUPORTÁVEL? Pois então. Não, não, não. A pedra que eu joguei na cruz não acertou Jesus, eu juro!

De divertido nesse dia, acho que só houve o meu incidente caseiro. Abri uma pasta de dente no escuro e ela espirrou no meu olho. SORRISO. NO OLHO. Nunca senti tanta dor na vida. Chorei, gritei, esperneei e só me acalmei depois de um banho de soro fisiológico. Aliás, soro fisiológico é VIDA! Não vivo mais sem...

Como recebi no dia 5, já no dia 6 fomos para Reno. Philippe, Fernanda, Lucas e eu.


Ficamos num dos hotéis mais bonitos de lá, o Circus, e pagamos uma mixaria, vinte dólares cada.



Dentro do hotel, assim como em quase todos os hotéis daqui, funciona um cassino. E, como era noite e já não tinha mais fiscalização, confesso que me entreguei um pouquinho aos prazeres da jogatina. Hahaha. E ganhei um dólar e sete centavos, sou um vencedor! E, já que eu falei em VITÓRIA, venci também no tiro ao alvo no dia seguinte. Já posso ser bandido!


Importante ressaltar, voltando ao assunto do Cassino, que havia uma máquina chamada Brazilian’s Beauty, com símbolos inspirados nas mundialmente conhecidas belezas tupiniquins: uma mulher pelada, um tambor, um chocalho, uma orquídea, uma penca de bananas, uma flauta de bambu...

Fomos ao WalMart também, e não há nada em Reno de que eu goste tanto quanto o WalMart.


Gastei considerável parcela do meu pagamento com camisas com mensagens divertidas, comida, cuecas coloridas (comprei uma LINDA do Batman) e uma calça maravilhosa de dormir, que foi, sem dúvida, a melhor aquisição da viagem até o presente momento. Custou sete dólares, eu acho, é camuflada motivo exército (porque era queima de estoque, já não tinha mais tantos modelos!) e TODA DE PELÚCIA. Gente, eu VIVERIA usando apenas isso. Levarei dúzias para o Brasil. Passo O DIA, agora, esperando a hora de chegar em casa e vestir minhas calças de dormir. ALEGRIA DE VIVER define.

Pra terminar a noite, ainda comemos em um lugar exclusivo para maiores de 21 anos, porque o moço não conseguiu identificar a data de nascimento nas nossas carteiras de motorista do Brasil. Na verdade, eu mostrei o passaporte, mas, como ele não tinha entendido as outras três, deve ter achado PRUDENTE não encher o meu saco. Dos quatro, só Lucas e eu não éramos maiores. Mas, isso, ele não conseguiu constatar!

O dia seguinte foi lindo, repleto de compras e gastos em Sparks – uma cidade minúscula quase reduzida a uma praça cheia de outlets, chamada Legends.


Continuação: Domingo, 10 de janeiro de 2010 – 22:14

Comprei roupas lindas, mas não muitas. Os preços aqui são bons, mas o dinheiro parece não render muito, não sei explicar. Falando em dinheiro, talvez eu precise comer miojo pelas próximas semanas (tá 10 por U$3,00 no supermercado), já que meu próximo pagamento é só no dia 20, e não sei se quero comer as roupas que comprei.

Tirei fotos lindas, o lugar era cheio de estátuas lindas e super divertidas. E fiz jus a minha dieta saudável comendo mais um super sanduíche, o maior do mundo. Quase não consegui comer tudo – na verdade, não teria conseguido se não tivessem me desafiado.


Teria voltado a Reno no dia 8, com a Ana dessa vez, mas ela me esqueceu. Es-que-ceu-! Ela diz que tentou me acordar, mas eu estava dormindo muito bonitinho. Como era o dia de folga e já tenho uma calça de pelúcia, nem achei ruim ficar em casa sorrindo. Aproveitamos até para faxinar. Dividimos a faxina aqui por grupos e o meu (Philippe, Susse e eu) é responsável pela cozinha. Cozinha IMUNDA, diga-se de passagem. Enchemos dois carrinhos de supermercado com lixo, lavamos toneladas de louças, e jogamos um tanto de comida velha no lixo. Para completar, começamos uma campanha publicitária em prol da manutenção da limpeza, um sucesso!



Como a conta de luz chegou altíssima (U$1.038,00), outras pessoas começaram uma campanha parecida. A moda agora é conscientizar!

Ontem foi aniversário da Fá, e eu senti saudades do Brasil de novo. Embora ela nunca tenha ido a nenhum dos meus aniversários, sou presença constante nos dela, que são sempre muito divertidos. No trabalho, meu chefe me fez um pedido imenso, que eu naturalmente não entendi e, com medo, fugi pra bem longe. Minutos depois, ele veio furioso me procurar. Tinha me pedido para chamar todo mundo para uma reunião de equipe. Não entendi, não chamei, o tempo passou e a reunião foi cancelada. Só porque eu sou ESTÚPIDO, desculpa! Para completar meu dia de acertos, precisava que minha chefe abrisse o armário das calças e pedi pra ela abrir as calças pra mim. A sorte é que ela nunca me leva a sério mesmo...

Meus óculos novos foram um sucesso lá fora. Meio chato, eu confesso, todo mundo achar que comprei óculos azuis só pra ganhar gorjetas dos clientes. Como se isso fosse IRREVERÊNCIA, e não ESTILO. Meus óculos são lindos, e sempre fui bom de gorjetas, com ou sem eles.

Não sei se contei aqui, mas uma coroa sem vergonha que dava em cima do Philippe me abordou um dia, toda saltitante, me confundindo com ele (porque eu estava de costas), e ficou desapontadíssima quando eu virei de frente. Dois dias depois, aparentemente conformada, ela decidiu dar em cima de mim também, e tem me assediado desde então. Até “see you tonight” ela já me disse. Ontem, entretanto, estava no Valley com o Lucas quando ela me acertou uma bola de neve na bunda. E, pior, fingiu que tinha sido o filho, uma criança linda, mas demoníaca de tão insuportável. Sorri, fingi que acreditei que não era ela, e voltei a trabalhar. Outra bolinha de neve. Outro sorriso, um aceno. E a criança APRENDEU a brincadeira nova que a mamãe inventou. Lucas e eu passamos a tarde inteira levando bolada da criança, que tinha boa mira e, a cada acerto, parecia mais e mais feliz. Os outros hóspedes pareciam gostar também do espetáculo, e eu me senti um touro numa tourada. Aproveitei a simpatia da mãe do pestinha por mim e o convenci a acertar bolinhas apenas no Lucas – porque alguém precisava de paz pra trabalhar, certo? A criancinha foi ser feliz pra lá e a dita cuja veio pra cima de mim, perguntar sobre o Brasil. Medo! Mais medo só quando ela disse “see you tomorrow” e eu imaginei mais um dia de surra de neve e risadas satânicas daquela criança nojenta. O que não aconteceu, ainda bem. Além disso, como planejávamos esquiar hoje, Lucas montou meu esqui (estamos aprendendo a montar) e eu montei o do Philippe. Morte certa, eu sei. Mas eu até não sou tão ruim nisso.

Hoje, finalmente, esquiamos. FOI LINDO. É difícil demais, acreditem. Descer do lift já é o primeiro desafio (e eu já comecei caindo embaixo de uma lixeira). Na primeira descida, precisei levar três tombos pra criar confiança e, então, desci – quase – toda a montanha direto – e são muitos e muitos e muitos metros, eu juro. Na última curva perigosa, levei meu quarto e último tombo – o mais catastrófico deles. Mas foi lindo. Quatro tombos na primeira vez é um recorde, sou um ícone do esqui. Fui o que menos caiu (disparaaado) e o que mais andou, o que contraria todas as leis da física, já que sou o mais desajeitado em tudo. Acho que nasci pra esquiar. Sério. Comecei muito melhor que o normal, na minha concepção. A mulher que desceu depois de mim no lift e riu do meu tombo na lixeira até reconheceu, nos últimos metros, quando nos reencontramos, que eu estava bem melhor. TALENTO define.

Vou esquiar de novo na quinta. Sobrevivi e descobri minha vocação. Não sei se volto pra esse país sem neve. Desculpa, gente, desculpa, Brasil. Talvez meu lugar seja aqui, beijos.

p.s.: falando em assédio de guests, não contei que, dia desses, Lucas e eu atendemos um velho tarado no Ski Checking, que, depois de se rasgar em sorrisos, ligou pedindo para levarmos seus esquis até seu quarto. NINGUÉM nunca tinha pedido isso. E os esquis só são usados na montanha, guardados onde eu trabalho ou conduzidos ao front desk quando os hóspedes vão embora. Não há nenhum motivo PLAUSÍVEL para alguém querer esquis no quarto. Pensando nisso, não fomos. Pedimos a outro menino, que não sabia do acontecido, que o fizesse. Dois minutos depois, ele estava de volta, dizendo que o velhinho pareceu bem frustrado quando o viu. Não.tem.quem.diga.

p.s.2: sempre foi bem fácil me fazer feliz – e continua sendo. Um CD da Taylor Swift e uma calça de pelúcia e eu já não quero nem sair de casa mais.

p.s.3: estou sem internet há dias, porque chegou o wireless, mas o menino que configurou ESQUECEU A SENHA, beijos.

p.s.4: o povo aqui de casa não é muito ligado a prazos não, e estamos atrasadíssimos com o aluguel. Dos dez moradores, apenas quatro pagaram dentro do prazo estipulado (eu e mais três). Dos outros 6, um merece destaque: comprou um vídeo game com o dinheiro do aluguel e precisou ligar para casa. Mãe, eu comprei um vídeo game e não tenho dinheiro pra pagar o aluguel, será que você pode depositar pra mim?. Fico me imaginando no lugar dele. Primeiro, eu não teria coragem de dizer isso pra minha mãe. Inventaria um seqüestro, um tumor, qualquer coisa! Segundo, se eu o fizesse, ela, no máximo, riria bem alto e me ofereceria abrigo. NO BRASIL.

p.s.5: hoje, uma senhora do trabalho me chamou pra dizer que eu pareço muito uma pessoa famosa. Fiquei intrigado, já que Marcelo Adnet, Miguel Rômulo e Guilherme Zaiden não são conhecidos aqui, e quase morri do coração quando ela disse Paul McCartney, mas mais bronzeadinho. Não soube o que dizer.

p.s.6: descobri do que sinto mais falta no Brasil: meu guarda-roupa espaçoso e o cafezinho do Juizado.

p.s.7: soube que meu irmão está usando minhas roupas e o matarei quando voltar. MATAREI. Uma pessoa que aproveita a minha ausência para usar minhas roupas só o faz por dois motivos: não me conhece ou não tem medo de morrer.

p.s.8: falando em irmão, meu irmão mais velho (e rico) me deu uma calça da Calvin Klein antes de ontem, porque não ficou boa na cintura dele. Não entendo muito de marca não, mas Calvin Klein é chique, não é? E o mais legal é que ficou ótima na minha cintura, mas curta nas pernas. Como pobre não tem tamanho, vou descer a bainha e arrasar de Calvin Klein pelas ruas de Tahoe City. Roberta, cujo sobrenome, ironicamente, também é Klein, prometeu descer a bainha pra mim. Em breve, divulgarei fotos de Caio vestindo Família Klein, desenhado por Calvin e ajustado por Roberta. Porque eu sou chique, bem.

Um comentário:

  1. Até que enfim!!! Seu desnaturado! Morri de inveja do seu crepe com massa de batata, recheado com bacon e carne.. Calças de pelúcia devem ser uma delícia mesmo... mas aqui, não gaste tanto dinheiro trazendo tantas... o calor que está fazendo aqui é do Capeta, certeza!
    Beijão for you, saudades mil!

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