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sábado, 27 de fevereiro de 2010

Blasé

Tahoe City, sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010 – 01:50h

Acho que fui sempre paparicado demais e isso me deixou mal acostumado. Cortei cabelo hoje, NINGUÉM ELOGIOU e eu estou PÉSSIMO! Como se precisasse de elogios para me sentir bem (e quem é que não precisa?). Na verdade, acho que as pessoas nem sequer REPARARAM. Roberta percebeu e disse NEW HAIR, Lucas anunciou OLHA O CAIO DE NOVO VISUAL e Philippe perguntou se eu tinha passado embaixo de algum ninho. Só. Ah não. Ana disse, depois, quando eu comentei TRISTE que ninguém tinha elogiado, que eu sou GATO. Você é gato, Caio, e vai ser sempre gato. O que eu entendi como SUA BELEZA VENCEU A CAGADA QUE VOCÊ FEZ NO SEU CABELO ou coisa assim!

No Brasil (saudade!), qualquer mudança de visual, ainda que simples, geraria maior comoção, tenho certeza. E acho que é de COMOÇÃO que eu preciso! Só sei que estou triste. Já não ando muito FELIZ, e a auto-estima não colabora...

Quanto ao corte de cabelo, Ricardo (meu cabeleireiro há anos) vai me bater de correia quando me vir outra vez. Cuidadoso e perfeccionista que é, terá ESPASMOS quando vir o que Colleen (cabeleireira daqui) me fez. Eu gostei, confesso. Não costumo gostar de cortes de cabelo, e estou bem satisfeito dessa vez. Fiquei mais velho e com carinha de europeu. Diria que com um arzinho BLASÉ – se eu soubesse escrever BLASÉ. Colleen disse que, agora que cortou meu CAPACETE, podia ver meus lindos olhos e rosto. Mas, aqui, os cortes de cabelo seguem PENTEADOS, não CORTES! Ela perguntou como eu penteava e meteu bronca. Meu cabelo está todo irregular agora! Fica exatamente no formato do penteado que eu quis, mas SÓ ISSO MESMO. Não dá pra fazer mais nada! Um lado da franja está maior que o outro e ela ainda desfiou umas partes do cabelo, onde ele estava mais volumoso. A propósito, falando em DESFIAR, não há outro verbo melhor para definir o que ela fez. Pegou uma tesoura e estranha e desfiou meu cabelo como se não houvesse amanhã. Precisarei passar máquina zero se, um dia, quiser meu cabelo regular outra vez!

Continuação – 13:10h

Acabei de acordar, já que, no dia mais cheio do hotel, em que TODAS AS PESSOAS DEVERIAM TRABALHAR, eu estou de folga! Coisas que eu nunca vou entender!

Mas hoje é o último dia do Susse aqui, e já estou meio tristinho, confesso! Gosto muito do Susse e vou sentir falta dele. Não da bagunça que ele fazia, é claro, mas ele era uma figura importante aqui. De verdade! Muita coisa não teria graça nem sentido sem ele. Sem contar o tanto que eu aprendi sobre TRANQÜILIDADE de espírito, né?! Fizemos um jantar de despedida ontem, e foi um sucesso. Idéia minha, já que o Susse passou TODAS ESSAS SEMANAS tentando cozinhar um ARROZ CARRETEIRO e nunca conseguiu. Sempre queimava, sobrava, estragava! Dessa vez, eu achei que nada seria mais simbólico que dar uma última chance. E deu tudo certo, a comida ficou ÓTIMA, todo mundo comeu muito e adorou! Finalmente Susse deu uma dentro – vou ocultar a supervisão e a ajuda fundamentais que Leo e eu prestamos, pra deixar os créditos só pra ele! Agora, vamos pra debaixo de chuva (está chovendo! Oba! Sinal de que a água que deveria mesmo cair do céu ainda está em estado líquido!) fazer um boneco de neve com ele, pra marcar nosso último dia juntos.

De novidades emocionantes, estou lendo CREPÚSCULO e ADORANDO, juro! É bobíssimo, eu sei, mas adoro romancezinhos água com açúcar, sempre gostei! E o comecinho do namoro dos dois lembra muito o comecinho do meu. Guardadas as devidas proporções, garras e aventuras. Lembra pela hostilidade gratuita, pela atenção dispensada e pelas piadinhas – até carinhosas de tão grosseiras. Além disso, baixei uma tradução caseira, feita por um menino IMBECIL com a ajuda do Google, eu acho. Todos os verbos têm o sujeito especificado, e EU aparece até OITO vezes numa mesma frase. Fora os erros ortográficos: analiZar, discuRsão e etc. O que me diverte ainda mais. Daí que, ontem, eu precisaria trabalhar na neve e imprimi três capítulos para ler em pé nos momentos de ócio. E era o que eu fazia, distraidíssimo, quando uma mulher me perguntou quanto tempo demoraria o próximo ônibus e eu respondi 25 ANOS em vez de 25 minutos. Foi meio divertido, eu confesso, ver a expressão PETRIFICADA dela, como quem espera apenas um ônibus, não um COMETA!

Além disso, uma hóspede americana leu meu nome direitinho (PRIMEIRA VEZ NA VIDA) e disse ser ele the coolest name ever. Nem acreditei!

Talvez eu viaje na semana que vem, com Philippe e Lucas, pro parque nacional das sequóias gigantes. Juro. Não parece atraente lido assim, mas é legal, acreditem! E será uma oportunidade excelente de inaugurar minha câmera fotográfica nova que chegou hoje! Créditos a Ana Paula Lobato – modelo, manequim, vigarista e fotógrafa –, que tanto me ajudou na escolha! Compra mais linda que já fiz. É grande, preta, cheia de botões. Nunca vou saber usar! E tem cordinha de turista pra pôr no pescoço. Só esqueci de comprar um memory card, mas vou cuidar disso agora mesmo. Valeu, Aninha!

UPDATE – 17:26h

O boneco de neve ficou pra próxima. A gente até tentou, mas tá uma TEMPESTADE horrorosa lá fora!

E meu projeto sequóias gigantes ficou um pouquinho mais distante, porque Lucas e Philippe não decidiram nada sobre seus dias de folga na semana que vem!

UPDATE II – 20:33h

Acabei de assistir a um filme que aluguei ontem, MANAGEMENT, com a Jenifer Aniston e quase morri de alegria quando vi WOODY HARRELSON num dos principais papéis. Não sei se cheguei a comentar, mas ele estava hospedado aqui no resort na semana passada e todo mundo estava em polvorosa. Menos eu. Até mesmo porque eu o atendi e carreguei seus esquis com a maior naturalidade, sem o reconhecer de lugar algum. Daí, depois de perceber todo mundo ficando sem ar ao meu redor, pesquisei no Google e descobri que deveria conhecê-lo de SETE VIDAS (ele era o cego, acabo de saber), mas minha memória não acusava nada! Até que, agora há pouco, lá estava ele, na telinha do meu laptop. Muito legal ver num filme alguém que você já viu pessoalmente. Mais legal que o contrário, eu diria.

Voltei a roubar a internet do vizinho porque a daqui de casa está IMPRATICÁVEL. Todo mundo tem alguma coisa importantíssima e inadiável pra resolver, embora todo mundo tenha tido todos esses dias para o fazer. Inventaram até uma fila, à qual me submeti e – SURPRESA! – não foi respeitada. Difícil! Muito difícil!

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