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terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Brasil

Não achei que sentiria tantas saudades do Brasil como estou sentindo. Preciso voltar logo, já não agüento mais. Por mais que eu tenha preguiça de retomar os problemas familiares no mesmo ponto em que deixei, de rever as mesmas pessoas que nao quero ver, e de recomeçar a vida real, procurar um emprego decente, levar a faculdade mais a sério (etc.), não posso mais viver longe dos meus amigos. Sinto falta da minha mãe, do meu irmão, da minha avó, de tudo. E sempre condenava (ainda que internamente) um menino lá de casa que sempre se queixava de saudade dos amigos e nunca da família, mas agora o entendo. Por mais que a família seja mesmo o nosso porto seguro, nosso eixo e nosso abrigo, só os amigos curam nossas feridas. Conversei com a minha mãe ontem no MSN e foi ótimo, mas mães são sempre mães. Falamos sobre o frio, minha alimentação, meus gastos, a vida dos outros (TODOS os outros), e só. Por mais que ninguém me ame tanto quanto ela, nossa relação sempre terá barreiras por razões óbvias: ela é minha MÃE!. Meu irmão, grosso como sempre, respondeu meu OI com um PERAÍ, JÁ VOU CHAMAR, e cedeu o lugar pra minha mãe a frente do computador. Foi ótimo falar com eles, matou minha saudade, mas é como se nao aliviasse meus medos e conflitos. É como se eu precisasse de algo diferente agora, como se eu precisasse de amigos!

Aí, hoje de manhã, Isabella Laporte me marcou em uma foto e, quando fui ver, eram Gaby, Miguel e ela segurando um papel com o meu nome numa festa. Choradeira descontrolada. Estou virando piada aqui já. É absolutamente diferente, vejo agora, a falta que fazem os amigos e a família, e não por gostar mais de um ou de outro, mas pelo espaço que cada um deles ocupa nas nossas vidas. Minha mãe aqui, agora, cuidaria muito bem de mim, tenho certeza. Não teria olhos vermelhos, dores de barriga, garganta inflamada, nada. Mas, com qualquer um dos três da foto, ou os três de uma vez (adoro!), eu aho que me sentiria menos SOZINHO. Não preciso de cuidados, preciso de atenção. Eu preciso muito FALAR. Há centenas de coisas em mim que precisam sair e eu não consigo conter. Queria poder viajar de novo com Bella e Miguel e desabafar deitado com eles numa cama de casal, com as costas ardendo de sol e os pés sujos de areia; ou só olhar pra Gaby e esperar ela me entender em silêncio, sorrir com carinha de quem vai chorar e me abraçar bem forte. Queria sentar no buraco do terceiro andar com o Hermano e contar todos os meus problemas, para ele poder brincar de calcular até onde tudo é culpa minha (porque é nisso que ele acredita!) e até onde não é, além de repetir frases sábias de algum parente velho, que só me fazem sentir pior; ir pra casa da Carlinha, deitar na cama de Josi e escolher cuidadosamente a versão da história que mais deixará as duas nervosas. Queria tomar sorvete na pracinha com a Sá e a Jose, ou deitar no sofá com o Bernard enquanto Sérgio reclama, John se estica e Arayan dança na frente da TV. Queria a Fá e a Bia sempre me instigando a fazer escolhas erradas (hahaha), assim como o Davi! Queria mais Festas da Paula, e sair pra comer pizza com Bel e Lorraynne,e saber que a Ló não vai comer tudo; SAUDADE de comer tábua no Shopping Cidade com Lorena, Carol e Felipe, que agora decidiu ser fotogênico. Queria tentar contar um caso simples pra Janaína e demorar SESSENTA DIAS por conta do TANTO que ela me interrompe, até eu esquecer e passar adiante, e não vejo a hora de dar um chaveiro pra Izabela, só porque ela já avisou que não quer!

No fundo no fundo, eu quero minha vida de volta. Com sorvetes antes da aula e cachorro quente depois. Quero chat no twitter, quero reuniões da Comissão, quero crepe do Minas Shopping, milkshake do Xodó, quero conversa fiada no Estúdio, acho que quero até Mary in Hell (credo!).

Por mais que eu goste de muita gente aqui, não há nada como os meus amigos de verdade. Que me conhecem e me acompanham, pra quem eu não preciso explicar minhas piadas, nem disfarçar meu real temperamento, que já aprenderam a gostar de mim e em quem eu sei que posso confiar. As pessoas mais próximas de mim aqui ainda são distantes demais. E eu não agüento ser tão avulso na vida.


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