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terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Decifra-me ou me devore

Olimpic Valley, Monday, February 01, 2010 – 18:14h

Hoje eu acordei de saco cheio ponto final.

Na verdade, eu até acordei felizinho. Melhorei da febre, parei de sentir calafrios e dormi TANTO que acordei antes do despertador! Roubei wi-fi do vizinho, respondi e-mails, mudei meu orkut, percebi que minha mãe nem é TÃO indiferente quanto eu pensava (mandei um e-mail dizendo ESTOU COM RAIVA DE VOCÊ) na sexta e ela só respondeu hoje, mas, ainda assim, respondeu, então não chega a ser nehuma indiferença ABSURDA. Só uma indiferençazinha, eu diria.

Mas, aos pouquinhos, as coisas foram me irritando. Trabalhar de 2 às 9 (sozinho a partir das 6), dor de cabeça de quem ainda não melhorou, nada pra beber na geladeira (esqueci minha ÚNICA Coca-Cola no freezer ontem)… Além disso, prometi não tirar o lixo essa semana, e é como se vivesse num aterro. Tá, a situação nem está tão crítica assim (poderia estar bem pior), e nem ficará, porque, bocudo, avisei pra Rô e pro Philippe que estou de pirraça. O plano inicial era NÃO RETIRAR O LIXO e NÃO AVISAR A NINGUÉM, deixar as pessoas perceberem apenas quando os urubus começassem a bater a cara no vidro das janelas. Mas eu não agüentei esperar. E só decidi não tirar o lixo porque DESCONFIO que SÓ EU (ou QUASE só eu) faço isso. Sério. Todo dia, eu troco o lixo da cozinha, o do banheiro (dos meninos) quase com a mesma freqüência e, quando peço para alguém pôr na lixeira da rua, geralmente descubro que as pessoas NEM SABEM onde ela fica. Pode ser que eu – ainda que silenciosamente – tenha tomado a frente na retirada do lixo e as pessoas estejam acostumadas e TRANQÜILAS exatamente por isso. Mas, se for, está na hora de mudar. Né!? O lixo do banheiro está transbordando (o banheiro, na verdade, não passa de uma grande lixeira suja e fedorenta, eu acho), e, o da cozinha, encheu, obrigando as pessoas a depositarem, cuidadosamente, seus dejetos NO CHÃO, em volta da lixeira. Em breve, sinto que sequer a enxergaremos, tamanha será a montanha de lixo ao seu redor.

Não posso reclamar de FALTA DE CONSCIÊNCIA/HIGIENE/EDUCAÇÃO de forma generalizada, porque seria exagero. Dei até bastante sorte, porque acho que, na nossa casa, temos mais pessoas cuidadosas que bagunceiras. Mas uma maçã podre apodrece todo um cesto, e, geralmente, a maçã podre é atrevida e cara de pau. O que incomoda mais é arrumar a mesa, por exemplo, virar as costas e vir alguém deixar um prato, um garfo e um copo sujos. Ou lavar todas as louças e alguém pôr mais na pia. Ana bem disse que Deus tem comido lá em casa, afinal, se todos lavam suas louças (como todos juram fazer), alguma criatura sobrenatural nos visita diariamente só para fazer sujeira, nao é?

Outra coisa que me irrita muito é o hábito malvado e simplista que algumas pessoas possuem de me culpar pelas coisas. Eu posso ser uma pessoa desagradável, uma pessoa egoísta, talvez até uma pessoa má, mas, né!?, convenhamos, muita coisa no mundo nao é minha culpa. E tem gente que não pensa assim. Tudo o que acontece de ruim passou ou passará por algo que eu disse ou direi. Porque é compreensível não ter paciência com o Caio, é normal não gostar dele, e absolutamente natural culpá-lo por isso. E por aquilo também. Há sempre algum comentário meu envolvido. Quando não é o meu senso de humor inconveniente, é meu autoritarismo com certeza, ou, pelo menos, minha hipocrisia (mesmo porque HIPOCRISIA is the new black por aqui!). Quem eu acho que menos me conhece é exatamente quem mais julga conhecer. Quem sempre sabe o que eu fiz ou falei ou como reagi ou reagirei só acredita saber porque resume, simplifica. Desmonta meu comportamento em peças grandes demais, que não necessariamente se encaixam de forma harmoniosa. A questão não é saber ou não saber lidar com críticas (o que nao é mesmo o meu forte, eu sei), mas ter que separar (e isso é bem difícil!) o que realmente é uma crítica construtiva do que não passa de implicância gratuita. E essa implicância, para mim, é apenas uma tentativa (desesperada) de tirar de si seus próprios olhos. É para isso que serve a Geni (lembra?) e os irmãos mais novos também (feliz de quem tem um), para nos convencerem, dia após dia, da nossa perfeição (exatamente por não acreditarmos nela, é claro), ainda que por comparação. Já que, com alguém tão ERRADO por perto, é impossível não se sentir melhor, eu entendo. Assim, é fácil me culpar por tudo. É fácil me entender assim tão rápido. É fácil me chamar de previsível. É fácil e é BURRO também!

Boa noite.

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