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sexta-feira, 5 de março de 2010

Sequóias

Tahoe City, quinta-feira, 4 de março de 2010 – 18:58h

Finalmente tive o dia de folga com que estava sonhando. Na verdade, eu sempre tenho muitos dias de folga. Mas, há muito tempo, eu sonho com um dia de folga pra ficar JOGADO às traças, como fiz hoje. Acordar tarde, passar o dia de pijama e dormir cedo depois.

Na verdade, estou quase pondo tudo a perder e indo pra rua bater perna, porque todo mundo saiu hoje e eu sobrei.

Tudo bem que o mais longe que eu agüento chegar andando hoje é o supermercado, onde eu alugaria um filme e voltaria correndo pra cama quentinha. Mas, como a Ana diz, eu sou DIFÍCIL e não deixo as pessoas se aproximarem. Tenho mais que viver sozinho mesmo.

Viajamos ontem (já vou chegar no urso, gente, calma!). Fomos a dois parques ecológicos em algum lugar (juro que não sei, minha mãe já perguntou três vezes o nome da cidade e eu simplesmente não sei) bem longe daqui. Foram mais de doze horas de viagem, contando com ida e volta.

Já na ida, saindo de casa de madrugada, vimos um coiote. Eu não tinha medo de coiotes, nunca tinha visto e os imaginava do tamanho de gatos ou coelhos, mas não! Ela é bem maior que muitos cachorros já bastante assustadores. Não sei mais se tenho coragem de andar sozinho pelas redondezas durante a noite! Tai mais uma desculpa pra ficar em casa: FAUNA local!

Lá no parque, passeando pela estrada, vimos dois veados correndo. Muito bonitos. E, na volta, aqui na RUA DE CASA, a poucos metros da porta do meu quarto, UM URSO. Um grande, preto, veloz e assustador urso! Se eu o tivesse encontrado sozinho, talvez não me assustasse tanto (por incrível que pareça), porque ursos são bonitos demais pra darem medo. Sério. Claro que, se ele desse UM PASSO na minha direção, eu correria/gritaria/sacudiria os braços. Mas, se não, desejaria admirá-lo. Mesmo. Queria ter tido alguns segundos na sua presença, para me ater melhor aos detalhes. Mas éramos cinco no carro quando ele apareceu e, quando percebi sua presença, três dos outros quatro já estavam gritando MUITO mais que o DESNECESSÁRIO. Não lembro se consegui falar alguma coisa, mas senti muito medo. Levantei a cabeça embalado pro berros de URSO URSO URSO e esperava ver apenas uma garganta na minha direção, de um urso já vindo me devorar! Talvez eu devesse dar plantão na rua, pra o fotografar. Pensando bem, talvez não.

Quanto aos parques que conhecemos, eram lindos. Tá certo que andamos isso tudo para ver ÁRVORES. Mas eram muito legais as sequóias gigantes. Não conseguimos ver A MAIOR de todas, mas tiramos foto tentando abraçar a SEGUNDA maior, o que já é alguma coisa. Além disso, passamos por lugares maravilhosos e eu pude estrear com classe minha câmera nova!

A título de observação, minha nova crise existencial é peso que acho que tem minha presença. Durante a viagem, não sei se é apenas invenção da minha cabeça, mas os outros meninos pareciam se comportar de formas diferentes quando eu estava perto e quando eu não estava. A princípio, achei que eles se divertiam mais sem mim. Mas não chega a ser isso. No fundo, acho que eles são mais livres quando eu não estou ouvindo. Não sei se é por eu estar sempre pronto para ridicularizar alguém, se é por eu ser crítico – e expressivo – demais (meu supervisor conversou com minha chefe esses dias, sobre o quanto eu FALO através das expressões do meu rosto – e isso NA MINHA FRENTE!) ou se eles só não ficam tão à vontade mesmo perto de mim. Mas dá pra ver nas fotos. Nas em que eu bati (e, portanto, não apareço), eles estão sempre brincando ou fazendo poses estranhas. Nas comigo, todos elegantemente sorrindo como bons meninos. Parece PAI, sabe? Que, quando chega, todo mundo se endireita na cadeira. Assim como os comentários e conversas. Parece que são mais bobos e infantis quando eu não estou participando (como quando liguei meu IPod e me isolei do mundo exterior – porque eu preciso de momentos de solidão, todo mundo tá cansado de saber!). E o estranho é que, no fundo, eu me sinto o mais bobo de todos. E eu ainda estava vestido com uma blusa que simulava colete e gravata. Quer dizer, PATETA! Não estou reclamando, claro que não. Se pudesse, gostaria que minha presença causasse até mais desconforto, é claro. Mas não posso deixar de dizer que isso chamou minha atenção. Talvez por eu já estar a tanto tempo sem problemas com que me preocupar, né?!

Falando em problema, estava lendo meus e-mails hoje e, enquanto ainda me lamentava por ter que estudar Direito Empresarial II (porque estava lendo o programa desse semestre), abri outro e-mail e descobri que o respectivo professor teve MORTE SÚBITA e está no CTI. Quase na seqüência, um e-mail depois do outro. QUE MEDO!

Quanto a voltar ao Brasil, minha passagem está enfim comprada. Chego a Confins no dia 26 de março, às 9 horas. Sou só amor por BH já!

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