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sexta-feira, 18 de junho de 2010

Desconstr.


Minha cor favorita é o verde, mas fico mais bonito de azul e roxo, eu acho. Sou chato pra comer, gosto só de bobagens. Na verdade, não troco nada por um bom sanduíche de trailer, daqueles cheios de milho e batata palha. Destaque-se o fato de que eu não sei comer, e sempre faço a maior bagunça. Adoro carne moída, mas tenho nojo. Como sem olhar. Juro! Tenho um pouquinho de medo do escuro. Só um pouquinho. Mas tenho! E sono tão pesado que monstro nenhum é capaz de me acordar. Só o meu irmão, que ouve rap todo dia de manhã.
Sou predominantemente triste. Não que eu seja uma pessoa triste, mas preciso de motivos para ficar feliz (não o contrário), e a felicidade sempre dura pouquinho. Meu estado natural é a tristeza. Mas uma tristeza bem elegante, com cara até de arrogância. Olhar caído e desinteressado, cara de sono. Aliás, estou sempre com sono. Com sono e com fome. Meus dias nunca são suficientes para todas as minhas atividades, e eu sempre assumo mais compromissos do que agüento. Encher a cabeça de problemas foi a forma que encontrei de esquecer a tristeza. Se eu passar o tempo inteiro ocupado e dormir nas horas vagas, quando é que vou sentar pra sofrer?
Sou bem alto, mas, inconscientemente, não gosto disso. Sento encurvado, durmo encolhido, não tenho noção de espaço. E sou muito crítico também. Sempre acho as blusas apertadas demais, as calças frouxas, a canela fina... É que eu sou bem inseguro. Meu conceito de beleza varia demais. Não posso nem dizer que tenho um “tipo”. Tá, ok, eu confesso. Não posso sequer dizer que tenho um “conceito de beleza”. Gosto de gente interessante. A atração que as pessoas exercem sobre mim nada tem a ver com medidas, peso, cores e detalhes. Sou meio antropofágico, gosto das pessoas que tenho vontade de morder. É um interesse quase alimentar mesmo.
Sou difícil de conquistar, apesar de me apaixonar todos os dias. Estou sempre amando alguém, e achando que é coisa de vida passada e tudo. E o verbo é bem esse mesmo, PASSAR. Porque rapidinho passa. Até eu me apaixonar de novo (às vezes, até no mesmo dia), ver o quanto estava enganado, e me enganar outra vez. Do mesmo jeitinho. É bom. Paixões me divertem. Não tenho religião, mas acredito num tanto de coisa, e estou sempre fazendo promessas e cumprindo. Às vezes, sem nem me lembrar por que.
Já tive cabelo grande, curto, pintado, quimicamente modificado, tudo! Meu rosto combina com cabelo curto, mas eu sempre deixo crescer. Só que não gosto de pentear, e corto sempre que está dando muito trabalho. E é estranho, porque adoro cabelo mal penteado – NOS OUTROS. Em mim, sou super exigente. Conserto cada fio, me desespero se um lado está mais alto que o outro – e sempre está. Já fui mais vaidoso, confesso. Tenho ligado cada vez menos pra essas coisas. Adoro jaquetas e detesto calças compridas. Só por aí, já dá pra ver o naipe...
Não gosto muito de gente. Principalmente, gente educada. É que não sou muito e detesto ter que me esforçar. Não dou “bom dia” no elevador, não me apresento a quem não conheço, não sorrio pras pessoas. E não é que eu não goste delas (porque eu não gosto mesmo), mas por pura preguiça. Pra que tanta cordialidade, gente? Que diferença faz?
Meu pior defeito é a preguiça, mas o que me gera mais problemas é não pensar antes de falar – e sempre ter algo debochado na ponta da língua. E, por estranho que pareça, estou sempre com vontade de correr. Não que eu seja atlético ou dado a esse tipo de coisa, mas porque há um vazio imenso dentro de mim, que me impede de ficar quieto. E, não sei por que (nem me pergunte!), alguma coisa me diz sempre que correr vai resolver. Que a única saída é fugir. E eu passo dias e noites sonhando em correr por aí. De preferência, na chuva.
Sempre quis ser diferente, e sempre prometo ser. Mas não consigo. Não consigo sequer me enxergar de outra forma. Sou o Caio porque tinha que ser. Até na inconstância.

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