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quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Síndrome da Folha em Branco

Eu achava que ter um blog e escrever sobre amores plantônicos, desilusões e gente chata fazia de mim alguma coisa próxima de um escritor. E, quem é escritor, escreve, não é mesmo? Sobre tudo e todos. Então, eu poderia escrever um artigo científico se quisesse. Aí, fui eu inventar de querer, como se soubesse alguma mínima coisa sobre qualquer coisa que exista e, NÃO!, eu não sei! Todo mundo apoiou, todo mundo deu força, todo mundo achou que eu conseguiria. Porque as pessoas acreditam na minha pose. Eu tenho cara de quem SABE as coisas e, por isso, todo mundo acha mesmo que eu sei. Só que não, eu não sei. Não sei NADA! Tenho nada a dizer, nada a acrescentar, sou uma farsa, uma fraude, um erro, um aborto... Só uma pose, sabe? Nada mais que isso!Enquanto fica todo mundo apostando na minha inteligência, eu só comprovo a minha demência, a minha incompetência, a minha insuficiência, o lixo, a flatulência intelectual (decepcionei até quem achou que ia rimar agora!) que eu represento. Descobri que sou burro, e da pior forma possível. O cocô do cavalo do fantasma. Nada dói mais que ler, ler, ler e ler mais um pouquinho, sentar na frente de um computador e ver uma folha em branco permanecer em branco durante horas e horas. Você olha pra ela, ela olha pra você, vocês conversam, mas um não entende o outro. Olha (e, agora, eu vou rimar!), não existe nada mais cruel que uma folha de papel. Ela não te ajuda, ela nem se preocupa com você. Limita-se a te olhar, do alto de sua indiferença, sem nenhum pingo de pena no olhar. Isso tudo enquanto meu orientador me eviava e-mails me apressando, já que o prazo se encerrou há oito dias e já estão fazendo é favor em me esperar! No último, ele ainda disse, coitado, "não precisa escrever demais", acreditando que a minha dificuldade era em terminar um capítulo que não conseguia nem começar!

Depois de todo esse sofrimento, dias e dias de pijama, vivendo a base de choro e Mini Bis, enviei minhas míseras três páginas pro meu orientador, que, em menos de uma hora, leu, riscou um tanto de coisa, acrescentou outro tanto, mas manteve a maior parte. Não elogiou nem criticou - e, tendo ele o pior coração que eu já vi, isso é um ótimo sinal - e ainda devolveu dizendo que eu sou mais "conservador" que ele, e mais do que deveria ser também. UFA! Conservador não é eufemismo pra burro, eu acho. E pode chamar de puta, viado, maconheiro, nem ligo... só BURRO que dói!

Um comentário:

  1. 1. Ser burro, é legal, às vezes.

    2. Esse negócio da folha em branco acontece sempre comigo também. Mas a angústia é só até começar. Depois saíram as três laudas, não saíram? E não ficaram boas? Comigo tem dado super certo há um quarto de século. Só o período de angústia até começar é que às vezes fica enorme e faz a gente correr no final...

    3. Muitas vezes, parecer é melhor que ser. Se puder ser e parecer, ótimo, mas se tiver que escolher um, parecer dá mais status. Porque 90% das pessoas com que você convive farão uma análise tão rasa que não chegarão a notar o que você é realmente. Cara de inteligente deve ser tudo nessa vida. pelo menos pra gerar expectativa.

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