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sábado, 20 de novembro de 2010

All About You

Cena 1: você entra numa lanchonete, pede um salgadinho e pega um Activia na geladeira.
Você tem intestino preso. Pronto! Todo e qualquer pensamento que você poderá gerar partirá dessa premissa. Seu salgadinho gorduroso deve ser a causa, enquanto, seu olhar triste (por mais feliz que ele seja ou esteja), a conseqüência. Seu cabelo vai imediatamente parecer ralo, e aquele amarelinho da falta de sol é o retrato perfeito da doença que você transparece e representa.
Cena 2: você marca um cineminha com as amigas e chega uma hora antes. “Olha lá, ela levou bolo!”, “gente, mas está esperando até agora?”, “desista, mocinha, ele não vem mais!”. São esses – e só esses – os pensamentos de todas aquelas pessoas indo e vindo na multidão ao seu redor, te olhando com pena e vitória. Ninguém acredita ou imagina outra possibilidade que não um encontro amoroso frustrado. Porque foi isso o que aconteceu e ponto final. Pobrezinha...
Tudo o que fazemos, dizemos ou vestimos carrega em si inúmeras informações que compõem a imagem que as pessoas formam de nós. E ela, como não poderia deixar de ser, é a mais superficial e frágil possível, quase descartável, baseada apenas num momento, numa cena. mesmo porque, amanhã, você pode se comportar de outra forma. Porque poucas pessoas querem realmente saber sobre nós. Supor é o suficiente. E é mesmo...
Agora, até onde devemos permitir que as pessoas saibam sobre nós. A quais informações elas podem ter acesso? É possível esconder alguma coisa? Não falar é esconder? Adianta tentar explicar? Adianta tentar esconder? Você sempre será o que parecer ser. A menos que queria parecer ser outra pessoa. Mas, aí, é mais complicado.

2 comentários:

  1. Ah! Finalmente um post!
    E mais uma vez, FANTÁSTICO.
    É tão complicado saber até que ponto uma pessoa deve (e merece) saber sobre nós, né? E pior ainda é quando estamos loucos para falar, mas não sabemos se é apenas um período de confiança momentânea naquela pessoa.
    O jeito é escrever... mas não acho papéis muito confiáveis também.
    Pelo visto a melhor forma é desabafar nas entrelinhas.
    =)

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  2. "Nunca se explique. Seus amigos não precisam, e seus inimigos não vão acreditar."
    Não sei quem disse isso, mas acho o máximo.

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